Jesus e José

Antonio Paiva Rodrigues

“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Em verdes prados me faz repousar; e para águas tranqüilas me conduz. Renova as minhas forças e por caminhos certos me leva, como ele mesmo prometeu”

Muitos historiadores, religiosos, cientistas, pesquisadores, já procuraram estudar afinco a vida destas duas personagens bíblicas. Inclusive eu. Na Bíblia e vários livros que procuram desmistificar e descobrir algo mais, do que consta no livro sagrado. Jesus, como já foi dito por alguns estudiosos, herdou o porte de José e a beleza de Maria.

Quando ele se quedava pensativo, numa atitude grave ou para tomar qualquer decisão importante, ainda mais se acentuava, no seu perfil heráldico, o aspecto grave de seu pai. José era um homem serviçal, reservado e conhecido pela sua retidão, firmeza de caráter e ação moral, além de excessivamente cauteloso nas coisas mais simples.

Muito atencioso para com a família, embora severo, jamais aceitava qualquer compromisso profissional, caso ainda tivesse alguma dúvida em poder cumpri-lo.

Enérgico, sóbrio, religioso, mas sem excitamento fanático ou exagero místico, manifestava profundo respeito para os preceitos e regras sagradas do Torá.

Era também um terapeuta esterno da coletividade dos Essênios, pois atendia os necessitados através de um curandeirismo à base de passes fluídicos e irradiações magnéticas, cujo trabalho desprovido de qualquer interesse mercenário foi objeto da atenção de Jesus.

Não confundir curandeirismo com macumba, pelo amor de Deus! Essas virtudes impeliam-no fortemente para as realizações práticas e influíram bastante na educação de Jesus, evitando-lhe os impulsos prematuros de libertação espiritual, antes de atingir o momento psicológico de sua tarefa messiânica. José ajudou-o a desenvolver suas forças espirituais para saber imunizar-se contra as manchas do mundo material.

Nas respostas que deu aos fariseus, a mulher adúltera e no caso das moedas de César, o Mestre devia algo de sua acuidade à prudência de seu pai José. Jesus reconheceu que os ensinamentos de seu pai foram de bastante para sua evolução espiritual. José não opôs qualquer obstáculo a seu filho, ele reconheceu que Jesus era de estirpe superior e jamais poderia desviá-lo do rumo heróico e redentor.

Certa vez, José notou Jesus muito aflito e indagou: O que está acontecendo meu filho?

Ele demorou a responder. Exclamou, sem qualquer mágoa ou queixume: Tu não podes compreender a minha aflição, porque eu vivo a vontade de meu Pai que está nos céus e só Ele sabe o motivo de minhas preocupações! Num gesto de ansiedade acrescentou: Mas ainda não descobri para onde o Pai me guia os passos! E num sorriso algo triste, mas resignado, aduziu: Sofro muito pela espera!

Vivo resignado a clarear o caminho dessa pobre humanidade. Jesus dominado por uma força estranha e disse: que importância é viver, se, para contentar os desejos insaciáveis do meu corpo, preciso esmagar os anseios da minha alma?

Que sentido tem a vida, quando consumida entre os prazeres medíocres e transitórios da carne na implacável caminhada para o túmulo?

José estremeceu e ficou confuso: E disse que era a razão da vida humana e deve ser próprio da vontade de Jeová que ela assim seja! Jesus apesar da gravidade espiritual de sua fisionomia, ele não escondeu um sorriso meigo. Pai os animais não vivem também à vontade de Jeová? Mas nós raciocinamos, não é assim?

Os bichos atendem as suas necessidades físicas! Jesus disse a José tu pensas o que penso. José ficou abismado com a evolução espiritual de seu filho. Quem der sua vida por Jeová, ganhá-la-á para toda eternidade!

Jesus sonhava com a paisagem da Galiléia beijada pelo sol da tarde, pelos verdejantes ciprestes e pelo céu tarjado de luz crepuscular, fazendo brotar de sua alma ternura, amor e paz ao espírito.

Pai! Que a vossa vontade se cumpra em mim até a última gota de sangue!O arcanjo Gabriel, seu guia, para dizer-lhe que estava próximo dos passes messiânicos. Vale salientar este aspecto: quando o menino Jesus atingiu os dez anos, Maria já era responsável por uma prole numerosa, pois além dos filhos sobreviventes do primeiro casamento de José com Débora, já haviam nascido Efrain, José, Elisabete e Andréia, enquanto Ana e Tiago são posteriores.

Quando José faleceu vítima de um insulto cardíaco, Jesus chegava aos vinte e três anos. Assim seja. Aprendi e continuo aprendendo com o mestre Ramatis, que viveu sua última encarnação em 986 depois de Cristo.