Mensagem Polêmica

Antonio Paiva Rodrigues

“PARA VIVER MELHOR: As seis palavras mais importantes: Admito que o erro foi meu. As cinco palavras mais importantes: Você fez um bom trabalho. As quatro palavras mais importantes: Qual a sua opinião? As três palavras mais importantes: Faça o favor. As duas palavras mais importantes: Muito obrigado. A palavra menos importante: EU”.

Um dos assuntos mais polêmicos dentro do movimento espírita é sem sombra de dúvidas a figura do Espírito da Verdade. O anúncio do Espírito Verdade já consta nos anais da Bíblia, onde João Evangelista, no versículo XIV: 15-17 e 26 - Jesus promete outro Consolador: O Espírito da Verdade, que o mundo ainda não conhece, pois não está suficiente maduro para compreendê-lo. E que o Pai o enviará para ensinar todas as coisas e para fazer lembrar o que Cristo disse. Se, pois, o Espírito de Verdade, deve vir mais tarde ensinar todas as coisas é porque Cristo não pode dizer tudo.

O próprio Doutor das Leis Nicodemos, não o compreendeu, quando Jesus afirmou. “Para que possas, ascender o reino dos céus é preciso nascer de novo”. Nicodemos na sua incredulidade replicou: mas mestre, um velho como eu, poderei retornar ao útero de minha mãe? Jesus retrucou, se tu Nicodemos que és o Doutor das Leis não compreendeu as minhas palavras, e outras que tinha para falar posteriormente, imagine os menos favorecidos. Jesus nessa assertiva consolida a existência da reencarnação e a pluralidade das existências.

Se ele vem fazer lembrar o que o Cristo disse, é que, o seu ensino foi mal compreendido ou esquecido. Das duas uma. Se aceitarmos a figura do Espírito da Verdade como Jesus, ele não é o Cristo ou vice-versa. Lembro-me aqui na minha ignorância, quando o Espírito de Verdade tenta uma comunicação desesperada com Allan Kardec, através de batidas por três horas consecutivas e não consegue. Já na casa do Senhor Baudin em 25 de março de 1856, servindo de médium sua filha a senhorita Baudin, Kardec depois de mencionar tudo ao senhor Baudin recebe como resposta; à de que o Espírito da Verdade está ali presente. Queria o Espírito de Verdade comunicar alguns erros que Kardec estava cometendo na Obra Básica do Espiritismo. Desculpem a ignorância: Como podemos aceitar a aflição de Jesus, um Espírito Puro, ficar atormentado batendo feito louco, por três horas seguidas, como citei antes, para manter um diálogo com Kardec? Foi preciso a intervenção da família Baudin no caso. No capítulo XXXI- Dissertações espíritas, existem duas mensagens supostamente assinada por Jesus, e não por Jesus de Nazaré como muitos afirmam. E aí, o que dizer? Por que o Espírito da Verdade não poderia ser uma plêiade de espíritos superiores, se o mesmo, já foi reconhecido pelos exegetas como o filósofo Sócrates.

Deus nos deu o livre-arbítrio, não sou o dono da verdade, mas não consigo imaginar Jesus de Nazaré como o Espírito da Verdade. Pelos relatos anteriores, não haveria a mínima necessidade de ações espalhafatosas para chamar a atenção de um espírito de escala inferior. Não quero jamais criar polêmica com qualquer que seja e há quem afirmem que “O Consolador Prometido é imaginação de Kardec”. Ressalto aqui: Não entro nesta seara.

Kardec nos ensina coisas maravilhosas através dos ditos dos espíritos, e não seriam fatos isolados, que iriam denegrir sua imagem e desacreditar sua obra. Jamais. Jesus lecionou a verdade em todas as situações da peregrinação messiânica, a todos ofertou amor puro, bênçãos de luz e bens para a Eternidade, provou com os próprios testemunhos a excelência de seus ensinos. Ministrou a caridade simples e natural, sem melindrar ou ferir. Para quem gosta de observar o que está escrito nas grandes obras, Kardec no mesmo capítulo faz a seguinte observação “Não há nada de mau, sem dúvida nessas duas comunicações. Mas o Cristo teve algum dia essa linguagem: pretensiosa, enfática e empolada? Comparem-se ambas com a que inserimos atrás, assinada com o mesmo nome, e se verá o cunho da autenticidade”.

Todas essas comunicações foram obtidas no mesmo círculo. Observa-se no mesmo estilo familiar, torneios de frases semelhantes, as mesmas expressões freqüentemente repetidas, como por exemplo: “ide, ide; filhos”! De onde se conclui ser o mesmo Espírito que ditou a todas elas sob nomes diferentes. E aí, posso concluir que também Jesus tinha sua plêiade de Espíritos. “Venho, eu, vosso Salvador e vosso juiz; venho, como outrora, aos filhos transviados de Israel; venho trazer a verdade e dissipar as trevas”, fazem uma analogia, qual será a escrita que se assemelha com as palavras do mestre? Quando o mesmo fala usa sempre a segunda pessoa do plural. Se existem ainda dúvidas; continuo: Na mensagem que se encontra no Evangelho Segundo O Espiritismo Cap 6, item 5, outra obra da codificação espírita, e vem assinado pelo Espírito de Verdade. Ainda nesta obra (ESSE), cap I, item 4, Kardec comenta sobre Jesus falando o mesmo não era apenas um legislador moralista, mas que viria dar cumprimento às profecias e que sua “autoridade lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e da sua missão divina”.

A comunicação, obtida por um dos melhores médiuns da Sociedade Espírita de Paris comenta Kardec: “Esta comunicação, obtida por um dos melhores médiuns da Sociedade Espírita de Paris, foi assinada com um nome que o respeito nos não permite reproduzir, senão sob todas as reservas, tão grande seria o insigne favor da sua autenticidade e porque dele se há muitas vezes abusado demais, em comunicações evidentemente apócrifas” Esse é o de Jesus de Nazaré.

De modo algum duvidamos de quem lê pode manifestar-se; mas, se os Espíritos verdadeiramente superiores não o fazem , senão em circunstâncias excepcionais, a razão nos inibe de acreditar que o Espírito por excelência puro responda ao chamado do primeiro que apareça.

Kardec na sua singeleza ao final desta nota comenta ainda da superioridade incontestável da linguagem e das idéias usadas por este espírito, mas deixa a cada um de nós o julgamento. Mesmo como afirmar os estudiosos, mas isto é outra pesquisa , Kardec é enfático quando afirma das comunicações de Espíritos Puros respondendo ao chamado de espíritos imperfeitos. Se Jesus foi o único puro que pisou o orbe terrestre o nosso queridíssimo Kardec fazia rol dos imperfeitos como nós.

Não me julguem como dono da verdade, ela só a Deus pertence. Estou apenas colocando meu ponto de vista com espírita que sou, quero salientar que estamos no ABC, precisamos aprender muito mais. Com perguntas um tanto exigente e dispostas com lógica, facilmente teriam colocado esse espírito no seu lugar.

Queria afirmar que os seres humanos são dotados de inteligência, mas jamais poderemos ser iguais uns aos outros, senão passaríamos de hominais, para máquinas, com chipes computadorizados, que só sabem acumular informações. Lembremo-nos também que o Espiritismo é um só, não o chamamos de cristão, para que alguém desavisado afirme que existe o não cristão.

(ANTONIO PAIVA RODRIGUES - OFICIAL SUPERIOR DA POLÍCIA MILITAR-GESTOR DE EMPRESAS-ESTUDANTE DE JORNALISMO DA FGF- BACHAREL EM SEGURANÇA PÚBLICA).