O homem que inventou cristo

Antonio Paiva Rodrigues

“Quem administra o serviço da caridade, não somente supre as necessidade materiais e espirituais de seus irmãos de caminhada, como também vive em muitos benefícios que a Justiça Divina lhe trará”
(Paulo de Tarso).

Senhor Editor,

A revista Superinteressante traz a baila, outro assunto digno de ser estudado e debatido. Um assunto polêmico como todos que estão no rol das religiões, esses estudos quando colocados à disposição da opinião pública, merecem opiniões de exegetas, estudiosos bíblicos, teólogos e até leigos.

O Sr. Yuri Vasconcelos procura levar ao conhecimento dos leitores desta salutar fonte de conhecimentos, suas suposições a respeito desta figura controvertida no meio religioso, porque, teria o mesmo assumido uma personalidade bondosa, depois de ter inserido em seus neurônios, no seu consciente o bom senso moral. Não é desonra para nenhum ser humano reconhecer um erro, erro este, cujo centro basilar ,estava respaldado nos ensinamentos que recebeu de seus superiores hierárquicos.

O mundo cristão não seria o mesmo sem a mensagem que Paulo transmitiu ao Império Romano. Para conquistar fiel, ele fez concessões que desagradaram aos discípulos de Jesus, e ainda despertam acirradas discussões entre pensadores e religiosos. Afinal, Paulo espalhou ou deturpou a palavra de Cristo?

Vale ressaltar que a vida desta figura religiosa, pode ser considerada dupla; Como Saulo e como Paulo de Tarso. Se analisarmos por este prisma, Paulo não é, e nem foi, o Homem que inventou Cristo (O Messias) porque não se trata de uma descoberta. Sendo Jesus um Espírito puro e o único a pisar este orbe terrestre Paulo não teria nenhuma ingerência na vida do Messias, pois Paulo era um Espírito imperfeito igual a nós. Queria ilustrar esta matéria colocando a disposição dos leitores o que Paulo afirmou.

Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si mesmo; perdoar aos inimigos é dar prova de amizade; perdoar as ofensas é mostrar que se melhora. Perdoai, pois, meus amigos, para que Deus vos perdoe. Porque, se fordes duros, exigentes, inflexíveis, se guardardes até mesmo uma ligeira ofensa, como quereis que Deus esqueça que todos os dias tendes grande necessidade de indulgência?

Oh! Infeliz daquele que diz: Eu jamais perdoarei, porque pronuncia a sua própria condenação! Quem sabe se, mergulhando em vós mesmos, não descobrireis que fostes o agressor? Quem sabe se, nessa luta que começa por um simples aborrecimento e acaba pela desavença, não fostes vós a dar o primeiro golpe? Se não vos escapou uma palavra ferina? Se, usastes de toda a moderação necessária?

Sem dúvida o vosso adversário está errado ao se mostrar tão susceptível, mas essa é ainda uma razão para serdes indulgentes, e para não merecer ele a vossa reprovação. Admitamos: que. fôsseis realmente o ofendido em certa circunstância. Quem sabe se não envenenastes o caso com represálias, fazendo degenerar numa disputa grave aquilo que facilmente poderia cair no esquecimento? Se dependeu de vós impedir as conseqüências e não o fizestes, sois realmente culpados. Admitamos ainda que nada tendes a reprovar na vossa conduta e, nesse caso, maior será o vosso mérito, se vos mostrardes clemente.

Mas há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração. Muitos dizem do adversário: “Eu o perdôo”, enquanto que, interiormente, experimentam um secreto prazer pelo mal que lhe acontece, dizendo-se a si mesmo que foi bem merecido. Quantos dizem: “Perdôo”, e acrescentam: “mas jamais me reconciliarei; não quero vê-lo pelo resto da vida!”. É esse o perdão segundo o Evangelho? Não. O verdadeiro perdão, o perdão cristão, é aquele que lança um véu sobre o passado. É o único que vos será levado em conta, pois Deus não se contenta com as aparências: sonda o fundo dos corações e os mais secretos pensamentos e não satisfaz com palavras e simples fingimentos. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é próprio das grandes almas; o rancor é sempre de baixeza e inferioridade.

Não esqueçais que o verdadeiro perdão se reconhece pelos atos, muito mais que pelas palavras. Quem faz relatos tão sublimes como o que foi acima citado, pode ser acusado de ter espalhado e deturpado a palavra do Cristo? Somente um neófito poderia agir com tanta crueldade e talvez por falta de conhecimento, não tenha tido um acesso mais forte a vida desta figura bíblica e religiosa.

Concordo plenamente que antes do contato com o Cristo, Saulo tenha tido um comportamento estranho perseguindo cristãos, mas isto, está dentro das atribuições a ele confiadas, visto que Saulo era um soldado subordinado, um vassalo que cumpria ordem de seus superiores hierárquicos. Entretanto o espanto foi tão grande, quando manteve contato com Jesus pela sua irradiação magnética e por ser um Espírito Puro, que caiu do cavalo ao ouvir a voz do Senhor e ficou cego, permanecendo três noites em jejum refletindo sobre o estranho acontecimento, até ser visitado por Ananias, um discípulo de Cristo, que lhe diz: “Saulo, meu irmão, o Senhor me enviou”.

O mesmo que te apareceu no caminho por onde vinhas. A partir daquela cena Saulo já estava escolhido pelo Senhor é para não deixar dúvidas o Senhor mostrou que sua superioridade era ostensiva e verdadeira “. Se a Bíblia não fosse o Livro mais mexido do mundo, já que a cada versão era modificada, poderíamos dar um crédito maior no que está exposto em suas entrelinhas. Apesar de ser um Livro que passou de pai para filho, de geração a geração, não possui original, mesmo assim é um livro confeccionado pela inspiração dos personagens da época. Possui sua parte literal, simbólica, e alegórica, sendo a literal, a mais aceita e sem muita contestação por católicos e protestantes. Dizer que Paulo foi figura central do Cristianismo é negar os apóstolos que pelas suas pregações, tiveram suas vidas ceifadas com exceção de João Evangelista, que recebeu a autorização do Cristo para cuidar de Maria e foi o único que morreu de morte natural”.

As comunidades Judaicas constituíam a Diáspora (Dispersão), e não havia grande porto ou cidade que não tivesse seu bairro judeu. A sociedade da Diáspora era muito mais rica que a Palestina. A judiara de Tarso era numerosa, e a colonização intensificara-se a partir de 175 antes de Cristo, quando o rei selêucida Antíoco Epífanes tomara a seu serviço mercenários judeus, muito dos quais, posteriormente, radicaram-se em Tarso. Os judeus abastados, que podiam pagar 500dracmas de impostos, recebiam a cidadania municipal e participavam da administração pública. Não, havia separação rigorosa, entre judeus, e gentios. Ambas comunidades estavam unidas em torno do interesse comum do estado e da cidade, pelos quais faziam suas orações, cada qual a seu modo.

Como se vê a corrupção é antiqüíssima e o sofrimento vem pela ganância e pela maneira mesquinha que praticavam para assumir posições de destaques. Não muito diferente dos dias atuais. O pai de Paulo, que Emmanuel revela chamar-se Isaac, era fariseu, fiel cumpridor da Torá orgulhoso ser filho da promessa, da estirpe de Abraão, podendo assegurar sua filiação a tribo de Benjamim. De sua mãe nada se sabe, alguns afirmam que ela faleceu cedo, hipótese descartada no livro Paulo e Estevão. Desconhece-se o ano que Saulo nasceu, embora se possa concluir tenha sido dos dez primeiros anos do primeiro século, muito provavelmente entre 5 e 10. Saulo tinha dois nomes fato comum na Diáspora, quando circuncidado, na conformidade da Lei, recebeu o nome de Benjamim: Xaul, Saul e Saulo, nome do primeiro rei dos hebreus, para a sociedade pagã seu nome era outro Paulus, que se aproximava de Saulo, palavra que, por sinal, no grego, dá idéia de pessoa vacilante, dúbia. Saulo possuía uma irmã, Dalila segundo Emmanuel, que vivia em Jerusalém, e irá desempenhar significativo papel na vida do apóstolo.

Para bons entendedores, o pai de Saulo ou Paulus sendo saduceu jamais iria amar os Cristãos. A não ser que ocorresse algo de extraordinário como conta a história, a conversão para o cristianismo. A biografia de Paulo é muito vasta e não daria aqui nesta matéria colocar todos os pingos nos “is”. Existem muitos fatos notórios, mas outros merecem ser mais destacado. Se a história não reconhece o nome da mãe desta grande figura, como iria comprovar outros fatos mais controversos. Para encerrar queria colocar em xeque a posição de Pedro, ele nunca foi o primeiro Papa, pois a religião católica (universal) só foi criada em 381 depois de Cristo. Quando Jesus diz: Pedro tu és rocha e sobre ti edificarei minha Igreja (não significa que Jesus estava atribuindo este título a Pedro), Igreja tinha outro significado e a figura papal foi criada pelos próprios humanos.

A matéria está bem elaborada, mas como se diz no dito popular: “Religião e política não se discutem” . Aquele que dá a semente do bem ao que semeia, e pão para comer, também multiplicarão a sua sementeira e aumentará os frutos de sua misericórdia. Tudo será dado, para que você enriqueça para toda a beneficência, a qual lhe trará as graças do Pai Celestial.

(ANTONIO PAIVA RODRIGUES - ESTUDANTE DE JORNALISMO DA FGF - FORTALEZA, SOU ESPÍRITA PRATICANTE - OFICIAL SUPERIOR DA PMCE - GESTOR DE EMPRESAS).