A origem da vida

Bernardino da Silva Moreira

Com a descoberta de bactérias vivendo na estratosfera terrestre (41 km de altitude), em agosto de 2001, reacendeu-se a discussão sobre a panspermia (Do gr. pan, tudo + sperma, germe), teoria segundo a qual germes de seres organizados se encontram em todos os lugares, aguardando condições favoráveis para o seu desenvolvimento (Conforme a Grande Enciclopédia Larousse Cultural, vol. 18, pág. 4417, Nova Cultural Ltda. 1998). O autor da descoberta, Chandra Wickramasingue, da Universidade Cardiff, na Inglaterra, diz que bactérias da Terra não teriam como alcançar a estratosfera, porque as correntes de ar provenientes da superfície chegam, no máximo, a 16 km de altitude.

Por outro lado, os opositores da panspermia (a maioria dos cientistas) argumentam que as condições do espaço (vácuo, baixas temperaturas e radiação ultravioleta) tornam essa hipótese impensável. Contrariando a opinião dos antipanspermistas, testes em laboratório mostraram que um percentual de bactérias, ainda que ínfimo, sobrevive a essas condições. A esses resultados podemos somar as descobertas realizadas nas últimas décadas, mostrando que micróbios são capazes de sobreviver a pressões e temperaturas extremas 120ºC ou –50º), e até no lixo nuclear.

No meteoro proveniente de Marte, encontrado na Antártica em 1996, e também em outros objetos do espaço, os cientistas encontraram matéria orgânica, mas não há prova de sua origem biológica. Apesar disso, a tese da panspermia continua sendo combatida. A maioria dos cientistas ainda acredita que a vida se originou da Terra.

Em “O Livro dos Espíritos” Kardec com mestria coloca o tema em pauta sob a análise dos Espíritos superiores, nas questões 44 e 45:

“Donde vieram para a Terra os seres vivos?

A Terra lhes continha os germes, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germes de todos os seres vivos. Estes germens permaneceram em estado latente de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício ao surto de cada espécie. Os seres de cada uma destas sere uniram, então, e se multiplicaram.

Onde estavam os elementos orgânicos, antes da formação da Terra?

Achavam-se, por assim dizer, em estado de fluido no Espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começarem existência nova em novo globo.”

A Doutrina Espírita, como bem podemos ver, também adota em seus princípios a panspermia que dá embasamento a pluralidade dos mundos habitados, mostrando que a vida está em toda parte, aqui na Terra ou muito além do nosso pequeno mundo.

Na Antigüidade Protágoras (486 a.C. - ?404 a.C.), proclamou que “o homem é a medida de todas as coisas” e Ptolomeu (100 d.C. – 170 d.C.) em sua Grande sintaxe matemática (140 d.C.), chamada de Almagesto pelos árabes, fez da Terra o centro do Universo, e hoje, lamentavelmente, alguns cientistas acreditam que são “medida para todas as coisas” ou os “donos da verdade”.

(Publicado na REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO, ano LXXVII, Nº 2, Pág. 96, Março de 2002)