Levante a cabeça

Bernardino da Silva Moreira

Estamos em um mundo de provas e expiações onde os sofrimentos campeiam em todos os níveis da sociedade; daí os desânimos, as revoltas e as justificativas costumeiras do tipo “falta de tempo”, principalmente quando temos que despender de tempo para ajudar o próximo, seja de que forma for.

Em muitas vezes somos vítimas de nós mesmos, devido a comodismos de todo tipo que nos levam a andar em círculo sobre a nosso egoísmo e orgulho exarcebado.

O poeta e fabulista francês Jean de La Fontaine (1621-1695) dizia que “a vergonha de confessar o primeiro erro nos leva a cometer muitos outros”; é verdade, muitas vezes fazemos de nossos erros “bolas de neve” que com o passar do tempo não temos como deter.

Abraham Lincoln, advogado e político norte-americano (1809-1865), advertia com bom senso que “antes de começar a criticar os defeitos dos outros, enumera ao menos dez dos teus”. A vaidade e o orgulho se transformam em armadilha que nos aprisiona na ilusão de sermos os melhores e os outros piores. Não adianta agirmos de forma agressiva e selvática; o que precisamos fazer é “domar” nossas “más inclinações”. É muito fácil vermos o “argueiro” no olho dos outros, mas, a questão é a “trave” no nosso.

Não adianta nada nos intimidarmos diante das dificuldades e nem da falta de tempo; não podemos desistir, temos que prosseguir. Thomas Edison, inventor norte-americano, tentou cerca de 10 mil vezes antes de finalmente descobrir a luz elétrica. E concluiu: “Não é um fracasso. Na verdade, descobri mais uma maneira de como não inventá-la”.

Falta de tempo é desculpa. O livro E o Vento Levou (1936) tem mais de 900 páginas. Pois Margareth Mitchell, romancista norte-americana (1900-1949), as escreveu ao mesmo tempo em que trabalhava em horário integral como jornalista.

Quando estava na universidade, o cineasta e ator norte-americano Woody Allen teve seu projeto cinematográfico rejeitado. Também foi reprovado em língua inglesa. O importante é não desistir!

Em O Evangelho segundo o Espiritismo o Espírito Lacordaire (1802-1861) esclarece: “Quando o Cristo disse: ‘Bem-aventurados os aflitos, o reino dos céus lhes pertence’, não se referia de modo geral aos que sofrem, visto que sofrem todos os que se encontram na Terra, quer ocupem tronos, quer jazam sobre apalha. Mas, ah! poucos sofrem bem; poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus. O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem. Aprece é um apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso tenha por base uma fé viva na bondade de Deus. Ele já muitas vezes vos disse que não coloca fardos pesados em ombros fracos. O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem. Mais opulenta será arecompensa, do que penosa a aflição. Cumpre, porém, merecê-la, e é para isso que a vida se apresenta cheia de tribulações.”

O importante é não desanimar!

Levante a cabeça e siga em frente.

O filósofo chinês Confúcio (551-479 a.C.) declarou com sabedoria: “Honranão consiste em não cair nunca, mas levantar cada vez que se cai.”

Bibliografia:

(Publicado na REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO, Ano LXXVII, Nº 05, pág. 264, Junho de 2002).