O outro lado do cérebro

Bernardino da Silva Moreira

Foi realizada pelo neurocirurgião Arthur Cukiert, a primeira operação de hemisferectomia (“retirada de um dos hemisférios cerebrais”) no Brasil, em um paciente com menos de 6 meses de vida, no dia 24 de julho do corrente ano, as 7 horas da manhã. Mesmo correndo riscos, a mãe da criança resolveu arriscar, o bebê que era acometido de violentas e repetidas crises de epilepsia, não reagia nem mesmo a uma combinação de 7 anticonvulsivantes e um poderoso calmante. Desse jeito o bebê não chegaria a 1 ano de vida, segundo o médico. Depois de 10 longas horas de cirurgia no Hospital Brigadeiro em São Paulo, com resultado positivo, a mãe pode respirar aliviada.

Segundo o dr. Arthur Cukiert, os dois hemisférios do cérebro de uma criança, ainda não se especializaram totalmente, daí o momento oportuno para a hemisferectomia, porque existe uma idade-limite para o desenvolvimento e a compensação em caso de lesão e cita algumas das principais funções cerebrais: desenvolvimento motor em torno de 2 anos; fala (expressão e compreensão) 6 anos; visão 7 anos.

“Um recém-nascido normal possui, em média 350 gramas de massa cerebral (cerca de 12% da massa corporal), isto é, 23% do tamanho do cérebro do adulto; com um ano de idade, 500 gramas. O cérebro, principalmente o córtex cerebral, continua a crescer rapidamente nos três primeiros anos de vida – o período de mais rápido aprendizado. O crescimento total não se completa antes de vinte e três anos de idade.” 1

A jornalista Karina Pastore da Revista Veja conclui precipitadamente apoiada pelos reducionistas de plantão:

“A diferença de peso explica-se pelo fato de que, no cérebro de um bebê, os cerca de 100 bilhões de neurônios ainda não se ligaram a milhares de outros numa rede de cerca de 100 trilhões de conexões. É graças a essa trama que o homem pensa, enxerga, ouve, aprende e emociona-se.* 2

Ora, ora, ora! E o Espírito? A inteligência “é um atributo essencial do Espírito”, o cérebro é meio de expressão física. As aparências enganam! Na questão 379 de “O Livro dos Espíritos”, o joio é separado do trigo:

“É tão desenvolvido, quanto o de um adulto, o Espírito que anima o corpo de uma criança?

Pode até ser mais, se mais progrediu. Apenas a imperfeição dos órgãos infantis o impede de se manifestar. Obra de conformidade com o instrumento de que dispõe.”*

O Espiritismo vai além das aparências, como bem podemos ver pela resposta dos Espíritos superiores e complementa a ciência material com a ciência espírita.

Na questão seguinte, o Codificador Espírita insiste:

“Abstraindo do obstáculo que a imperfeição dos órgãos opõe à sua livre manifestação, o Espírito, numa criancinha, pensa como criança ou como adulto?”

Eis a resposta dos Espíritos superiores eivada de bom-senso:

“Desde que se trate de uma criança, é claro que, não estando ainda nela desenvolvidos, não podem os órgãos da inteligência dar toda a intuição própria de um adulto ao Espírito que a anima. Este, pois, tem, efetivamente, limitada a inteligência, enquanto a idade lhe não amadurece a razão. A perturbação que o ato da encarnação produz no Espírito não cessa de súbito, por ocasião do nascimento. Só gradualmente se dissipa, com o desenvolvimento dos órgãos.”

Kardec diante da lógica irretorquível dos Espíritos, comenta:

“Há um fato de observação, que apóia esta resposta. Os sonhos, numa criança, não apresentam o caráter dos de um adulto. Quase sempre pueril é o objeto dos sonhos infantis, o que indica de que natureza são as preocupações do respectivo Espírito.”

Para finalizar as questões 382 e 383:

“Durante a infância sofre o Espírito encarnado, em conseqüência do constrangimento que a imperfeição dos órgãos lhe impõe?

Não. Esse estado corresponde a uma necessidade, está na ordem da natureza e de acordo com as vistas da Providência. É um período de repouso do Espírito.

Qual, para este, a utilidade de passar pelo estado de infância?

Encarnando, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.”

O homem precisa transcender a matéria para entender a vida em profundidade!

Bibliografia