As crianças e o futuro

Heloísa Pires

Os pais provavelmente farão a grande viagem antes dos filhos. É necessário torná-los independentes, integrados à sociedade, preparados para continuarem a caminhada com tranqüilidade.

O egoísmo faz com que muitos pais estimulem a submissão nos seus filhos, a incapacidade de resolverem problemas sozinhos. Algumas vezes os pais lutam para conseguirem a independência dos filhos mas problemas vários, inclusive reencarnatórios impedem que as crianças e jovens consigam o seu desenvolvimento pleno.

Os pais precisam permanecer atentos para identificarem os processos de desequilíbrio nos filhos auxiliando-os com os recursos da "horizontal" e da "vertical" para libertá-los dos problemas. Não dispensamos o tratamento médico, psiquiátrico, psicológico, pedagógico e, sobretudo o espiritual para que o indivíduo consiga a expressão necessária ao desenvolvimento das suas potencialidades.

Para ilustrar melhor o que escrevemos vamos relembrar histórias reais de indivíduos que estão com dificuldades várias na possibilidade da conquista da paz interior.

Mônica

A menina foi rejeitada pela mãe que já possuía dois filhos e não queria mais nenhum.

A ciência oficial prova que Mônica sentiu no útero a não aceitação de sua mãe e a indiferença do seu pai.

Nasceu muito miúda e chorona. A mãe contratou uma babá e entregou a menina para a estranha. A moça realizava todas as tarefas com propriedade mas sem amor.

O bebê estava sempre impecável, limpo, bem vestido, bem alimentado. Tecnicamente falando a babá era ótima; faltava o principal: AMOR.

Aos cinco anos Mônica era uma menina antipática, melancólica e indiferente para com todos. Foi para a escola e logo criou antipatia em relação à sua pessoa. Não conseguia fazer amigos, não conseguia ficar interessada nos desenhos e brincadeiras que encantavam as outras crianças.

A mãe demonstrava claramente que amava os dois meninos e que não suportava Mônica. O pai agia da mesma forma. Mônica começou a afastar-se da vida. Continuou desinteressada pelas lições e pelos colegas.

Na adolescência continuou isolada e difícil; queria fazer amigos mas não conseguia. Desejava melhorar na escola e parecia impossível. Considerava-se incapaz, desagradável, indesejável; transformou-se em uma mocinha insuportável.

Aos dezoito anos encontrou uma professora bondosa que a orientou para comparecer a uma casa espiritualista. Por sorte encontrou uma casa na qual alguns indivíduos especiais estavam aprendendo a entender Jesus. Perceberam por trás da antipatia de Mônica a necessidade de ser amada. A jovem foi orientada a passar por um tratamento espiritual. Encontrou alguns jovens que a aceitaram embora com reservas. Começou a participar de um grupo e pela primeira vez sentiu-se uma no meio do grupo que a amparava. Iniciou também uma terapia com uma psicóloga e uma mudança começou a ocorrer lentamente.

Mônica melhorou muito mas ainda traz as seqüelas do desamor que enfrentou na infância e juventude. Uma mágoa a afasta da família que não a amou ou compreendeu. Com dificuldade está reconstruindo a auto imagem positiva e a certeza de que todos somos especiais, dignos de amor e respeito. Conseguiu alguns amigos, tem medo de amar e ser rejeitada. Por causa da família Mônica vai enfrentar problemas dispensáveis que teriam sido evitados se os pais, que vieram preparados para a vitória auxiliassem Mônica em suas necessidades básicas: amar e ser amada, ser respeitada para conseguir se expressar no respeito ao próximo. Uma encarnação que se tornou difícil por causa do egoísmo do grupo familiar.

Mônica luta para resolver seus conflitos e inseguranças. Como a vida seria mais fácil se entendêssemos que "é necessário fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam..." Apenas isso: tratar os nossos filhos com o respeito e amor que desejamos para nós...

Murilo

Ainda no útero Murilo começou a sentia a rejeição da mãe. Ela não o aceitava de maneira alguma; egoísta achava que ele viera para atrapalhar; deformara o seu corpo e perturbava o seu sucesso profissional. A revolta criou dificuldades para o feto e os problemas aumentaram: desejava abortar e só não tentou de forma mais eficiente com medo de complicações físicas. Mas inúmeras vezes expulsou Murilo do pensamento. Ordenava a ele que saísse do seu corpo e ele retrucava telepaticamente que não sairia.

Foi uma guerra mental. Sete meses se passaram e o feto não resistiu às agressões e nasceu. Os problemas continuaram. A mãe continuava criança mimada e incapaz de amor e dedicação. Tentou empurrar Murilo para as avós mas elas não aceitaram. O pai fora embora por não suportar o egoísmo e agressões daquela mulher estranha e Murilo ficou só.

O seu desenvolvimento foi realizado em creches nas quais, infelizmente, não conseguia aceitar o amor que lhe era oferecido pois estava muito magoado com o desamor que o deixara doente.

Repetiu vários anos escolares o que mais enfurecia a mãe que não o amava e dizia em alto e bom som que filhos só servem para dar trabalho.

Aos dezenove anos iniciou a sua dependência de drogas, aos dezoito foi internado em uma clínica especializada e começou a desejar sarar. A luta continua com períodos de internação e outros fora do hospital. Agora iniciou também o tratamento espiritual. A mãe continua mergulhada nela. É a nossa Mônica da outra historinha.

Vibramos para que Murilo, que foi, como diz O Livro dos Espíritos, preparado para a vitória, consiga atingí-la; e que Mônica entenda a importância da maternidade. E o pai? Ele vai ser o próprio juiz quando amadurecer mais.

Quantos problemas poderiam ser evitados através de atitudes maduras e realmente civilizadas...

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 361 de Fevereiro de 2001)