Censo 2000

Carlos de Brito Imbassahy

Surgiu, no meio dos espíritas, uma sugestão inimiga da doutrina, endossada por alguns que se têm como líderes desse nosso movimento, a idéia de que deveríamos deixar em branco a lacuna correspondente à religião no recenseamento em curso.

Que objetivo envolve tal idéia?

Muito simples: diminuir estatisticamente o número de participantes espíritas em nosso país.

Não há dúvida de que os maiores inimigos da nossa doutrina estão disseminados em nosso meio, tentando, de todas as formas, desarticular, desarmonizar e desestruturar o trabalho dos verdadeiros espíritas.

É claro que o censo tem como principal objetivo definir estatisticamente a situação do país no que concerne a sua população, seus costumes e suas atitudes sociais.

Cada espírita que omitir sua condição doutrinária, não preenchendo o item "religião", evidentemente, irá ser um a menos no cômputo final do número de adeptos da doutrina codificada por Kardec em nosso país.

Qual, portanto, o intuito desses falsos correligionários que tentam influir os demais, sob os mais absurdos argumentos, a se absterem de declarar sua posição religiosa? Evidentemente, não é o de conceituar o Espiritismo como uma doutrina universalista que, em vez de ser uma religião, engloba conceitos profundamente filosóficos de vida ao lado de um estudo científico profundo a respeito da existência da vida espiritual. Pelo contrário: isto pouco importa. Como inimigos infiltrados em nosso meio, o único intuito desses audazes baluartes do espiritismo não religioso é o de diminuir estatisticamente o número de participantes do movimento espírita em nosso país com o fito de minorizá-lo perante a opinião geral.

Não caiam nessas, caro amigos e leitores: precisamos, mais do que nunca, unirmos nossas forças para mostrar ao mundo que, em nosso país, os seguidores de Kardec, em números efetivos, têm evidentemente, uma representatividade digna de constar nos anais do país.

Não tenham escrúpulos de se declararem no item "religião" porque, se não somos uma religião, como as demais, com cultos, ritos, dogmas e adorações. Temos nossa parte religiosa incompatível com qualquer outra religião, até mesmo as reencarnacionistas, porque não adoramos, não cultuamos, não dogmatizamos, mas estudamos profundamente a obra da Criação, preocupamo-nos com Deus (cap. I do LE), erguemos nosso pensamento em preces, pedindo ao Alto proteção e amparo, enfim, praticamos o que Cícero, no velo Lácio definiu como sendo a "religio, onis" daquela época, ou seja, o estudo e a preocupação com os deuses, suas vidas e suas obras, conceito esse que, do politeísmo, latino para o monoteísmo atual, transformou o conceito de deuses para o do nosso Deus, Criador Único do Universo.

De qualquer forma, omitindo-nos do censo, apenas, estaremos corroborando para diminuir estatisticamente o número de adeptos da doutrina, que é o desejo nefasto desses inimigos nossos que se cobrem na pele de cordeiro para criarem e disseminarem, no meio espírita, a discórdia e a desintegração dos seus princípios.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 358 de Novembro de 2000)