Em destaque João Nunes Maia - o médium da fórmula da pomada Vovô Pedro

Da Redação do Correio Fraterno do ABC

Para prestarmos tributo a esse seareiro espírita, editamos a seguir trechos da entrevista de Ariane de Quadros Corrêa, levada ao ar pela Rádio "Semeando a Boa Nova, de Guarujá, SP, em dezembro de 2000:

O entrevistador: Fale um pouco, Ariane, sobre a mediunidade de João Nunes Maia.

Ariane: O João Nunes Maia era uma pessoa muito especial mesmo, tida pelos leigos como paranormal. Possuía vários tipos de mediunidade. A psicofonia através dele era maravilhosa, o seu dom de oratória era extraordinário, mas ele procurou conduzir sua energia para a psicografia. Tinha o livro como um fundamento, objetivo básico da sua reencarnação. A saída do corpo consciente, em viagem astral, para ele era comum. Era médium passista e trabalhava em reuniões de assistência e cura em sua Casa Espírita, com resultados magníficos. No momento em que psicografa obras romanceadas se transportava para os lugares citados, enquanto conversava conosco, contando parte da história. Descrevia locais, personagens com tanto fulgor que a gente criava imagens também. O episódio narrado no livro "Francisco de Assis", sobre o então apóstolo do Cristo, João Evangelista, na ilha de Pátmos, dentro de um caldeirão de azeite fervente me foi contado por ele numa certa tarde de uma forma impressionante. Falando-me, principalmente, da serenidade e da compreensão com que o personagem enfrentava o fato, que transformou o íntimo dos próprios carrascos, devido sua postura amorosa.

O entrevistador: Então, João Nunes Maia enquanto recebia aquelas lindas páginas, vivenciava as cenas?

Ariane: Sim. Vivenciava toda a história. Segundo descrição no livro "Além do Ódio", ocorria como que uma gravação sintetizada em sua mente, como se fosse um microfilme.

O entrevistador: Ariane, esse livro Além do Ódio descreve muito Portugal e me deu a impressão que João Nunes Maia sabia do que estava falando. Ele conhecia Portugal, esteve lá?

Ariane: Nessa encarnação não, fisicamente não!

O entrevistador: Como surgiu a pomada Vovô Pedro?

Ariane: A vida me proporcionou uma oportunidade na ocasião do surgimento da pomada, que na época não dimensionei muito bem. Viajei de S. Paulo à Belo Horizonte e naquele fim de semana o João conduziria pequena caravana ao Sanatório Santa Isabel, em Betim. Eu fui junto. P r o p u n h a m o s lançar a obra Além do Ódio, que a pedido do Espírito Niquinha deveria ser apresentado em primeira mão aos hansenianos. Levamos 105 livros, que seriam distribuídos ao público no Centro Espírita local. Foi uma noite memorável. Mais de 400 pessoas lotavam o auditório, inclusive parte delas ficou do lado de fora e assistiu o estudo do Evangelho através das janelas. Ao aproximarmos do final da distribuição do livro, notamos que o João se mostrava todo embaraçado, precisando de um pedaço de papel e de uma caneta. O dirigente da Casa pesquisou os bolsos de seu paletó encontrando um pequeno lápis. O João pegou esse quase toco de lápis e um pedaço de papel que envolvia um dos exemplares do Além do Ódio e se pôs a psicografar. Ao terminar, tinha em mãos a fórmula da pomada Vovô Pedro.

O entrevistador: Ariane, essa passagem é muito bonita. Você pode nos falar sobre as Entidades que estavam presentes naquele momento, lideradas por Mesmer? Parece que o João ainda não conhecia o Mesmer, não sabia nem mesmo quem era esse estudioso do magnetismo!

Ariane: É verdade! Quando ele nos descreveu os acontecimentos espirituais da noite, pudemos observar que ele ainda não havia tido um contato direto com o Dr. Mesmer. Tanto, que após anotações ele indagou ao Espírito sua identidade. Ao que o Dr. Mesmer humildemente respondeu: "Vovô Pedro" e acrescentou: "e atente, meu filho, para o preço - "DEUS LHE PAGUE", que todos nós, promotores da pomada Vovô Pedro, não devemos jamais esquecer.

O entrevistador: Fale-nos, Ariane, da visita dos 40 hansenianos.

Ariane: No momento em que o João Nunes finalizava o livro Francisco de Assis a campainha tocou. Abriu a porta de sua casa e 44 ex-hansenianos entraram. Todos haviam sido curados com o uso da pomada e c h e g a r a m quando ele encerrava o citado livro.

O entrevistador: Nós costumamos relacionar João Nunes Maia com a pomada do Vovô Pedro, mas antes disso, ele desempenhou função importante na divulgação doutrinária?

Ariane: Ele trabalhou muito com livros de outros autores, pela divulgação do Espiritismo no Brasil. Eu diria que seu primeiro trabalho de porte foi a Campanha Nacional do Livro Espírita gratuito, que começou por volta de 1957 e durou até 1976. Ele liderou a equipe que atuou no nordeste, em Goiás e no norte de Minas Gerais.

O entrevistador: Para finalizarmos, quantos livros João Nunes Maia tem publicado?

Ariane: 86 com o selo da Editora Fonte Viva, o "João Nunes Maia - Uma Biografia”, que tive a honra de escrever pertence ao Grupo Espírita Emmanuel, localizado na Zona Leste da cidade de São Paulo e que foi fundado pelo nosso saudoso e querido João Nunes Maia.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 367 de Agosto de 2001)