Idéias para o futuro, quando certos líderes espíritas estiverem maduros

Cirso Santiago

Assim como existem leis que não "pegam", há idéias que não vingam, ou porque o todo social não as aceitam,ou porque um grupelho dominante as rejeita, ou até mesmo porque um chefão "todo poderoso" decide que elas irão para o arquivo morto. Assim, se perdem, muitas vezes, esforços alheios e oportunidades de repensar e até mesmo melhorar o tecido social que via de regra esgarça aqui, ali e acolá por falta de manutenção, de reciclagem, de administrações adequadas, ou mesmo por abusos individuais e coletivos. O fato é que leis e idéias são necessárias; as primeiras para regulamentarem as ações humanas em relação aos ambientes e as demais pessoas; as segundas, quando viáveis, são importantes para arejar, estabilizar, corrigir e até fermentar os procedimentos individuais e grupais.

Quando se falou em criar uma Confederação para substituir a Federação Espírita Brasileira concluí que tal empreitada não seria fácil e me perguntei: quem financiará essa mudança? Que grupo ou liderança do nosso meio está disposto e têm condições, de fato, para transformar essa idéia em realidade? Não vi e ainda não vejo nenhum grupo ou líder espíritas prontos para materializar esse sonho. Então me perguntei, novamente: E por que não a própria FEB? Afinal, ela é a soma do grande esforço do movimento espírita brasileiro do passado e da atualidade! Por que descartá-la simplesmente? Se teremos que começar tudo de novo? O que está errado que exige reparo? O primeiro erro, a meu ver está no fato de a FEB, nos seus primórdios, ter-se escolhido para federar as demais instituições espíritas do país, a exemplo de vários déspotas que fracassaram por ai a fora. Uma federação, federar outras federações não se encaixa na regra do jogo. Segundo erro, o mais grave, a FEB acolheu nos seus primeiros tempos o roustanguismo e teima em continuar apadrinhando- o, quando se sabe que essa teoria não é compatível com a Codificação espírita, assinada pelo Espírito Verdade e pelo insigne Senhor Allan Kardec. Terceiro erro: a FEB nunca convocou, pelo menos que eu tenha ciência, o movimento espírita para dizer-lhe se o que está fazendo é correto. Quarto erro: a FEB, com o intuito de ter quem avalizasse seus procedimentos, criou, à revelia do movimento espírita o CFN - Conselho Federativo Nacional e se apossou dele. Ora, assim não é mesmo possível haver paz. Ora é um descontente que levanta essas questões, ora são outros e tudo que se fizer sem mudanças radicais não passará de paliativo. Se a FEB chamasse o movimento espírita para referendá-la, ou não, como confederação num escrutínio transparente e altamente democrático, todos os seus erros poderiam ser corrigidos. Do seu Estatuto, por exemplo, poderia ser varrido o lixo roustanguista. CFN poderia sofrer mudanças concebíveis por um Conselho legítimo composto pelas representações de base do movimento espírita. Tudo democraticamente, sem traumas, e sem pressões de qualquer natureza, o que é possível e evitaria algumas aventuras que poderiam ser pior do que o mixórdia que aí está e tudo mais chegaria, com o tempo, nos seus eixos. Estou sonhando alto demais? Obrigado por me despertar!

Outra idéia

Há algum tempo ronda os meus neurônios uma outra idéia. Ei-la: por que esse desentendimento entre a FEESP e a USE dura tanto tempo? A quem interessa isso? Ao movimento espírita paulista não é! Historicamente, a USE é filha da FEESP. Que exemplo feio: mãe e filha as turras. Por “que essa ânsia de federar? De um lado a USE correndo atrás da primazia para capitanear um determinado centro. Do outro a FEESP fazendo o mesmo. Não é ridículo? Não estaria na hora dessas duas instituições se unirem para prestarem juntas um trabalho mais digno às casas espíritas adesas? A soma das experiências e do poder econômico de ambas não traria vantagens ao movimento espírita paulista, não poderiam lhe dar outra dinâmica para que o marasmo fosse extirpado do nosso meio? Outras instituições crescem, arejam, se modernizam e o nosso movimento continua a passos de tartaruga. Por falta de ações mais produtivas dessas lideranças. Onde estão os grandes debates, os seminários, os encontros? Nas salas vips? Não! Eles precisam acontecer nas casas espíritas, das mais humildes às mais avançadas. Só assim é que o Espiritismo irá chegar às sociedades. E modernismo quando vai chegar em nosso meio? A tecnologia não será uma boa arma para o Espiritismo lutar em igualdade de condições? Isso tudo e mais poderia ser proporcionado pela FEESP e pela USE num trabalho sério e em conjunto. E o que se nota hoje é um punhado de abnegados useanos esfolando-se, custeando as próprias despesas de locomoção, etc. de um lado para levar um pouquinho do muito que poderiam fazer à casa espírita adesa à USE e do outro lado, da mesma forma, caminha um pugilo de esforçados feespeanos em busca de um centro espírita adeso à FEESP para deixar ali uma migalha do muito que poderia oferecer. Gente, o homem moderno tem sede de saber e questiona para aprender mais. Passe e água "fluída", já não bastam por si só! Mesmo porque, ambos podem ser obtidos em qualquer esquina! Fica aí minhas sugestões. Obrigado pela paciência e até a próxima idéia.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 360 de Janeiro de 2001)