Nossos papagaios de tribuna

Carmem Paiva de Barros

Continuamos sem entender, até hoje, porque as Casas Espíritas não se preocupam com a qualificação doutrinária de seus expositores.

Essa desatenção com a qualidade do trabalho informativo, em forma de palestra, tem acarretado uma evasão significativa de freqüentadores habituais em Casas Espíritas de todo o País.

Os seus dirigentes parecem não enxergar esse visível problema.

As "figuras carimbadas" que circulam em nossas respeitáveis instituições, ostentando o desmerecido título de orador ou expositor, na verdade, depreciam o conhecimento espírita com a sua pseudo-sabedoria e "intelectualidade de papagaio".

Geralmente, são confrades que só "aparecem" nas Casas Espíritas atendendo "convite especial", quinzenal ou mensalmente, sem a menor afinidade e qualquer apreço com o público nem sempre esclarecido do que seja realmente Espiritismo.

Esses importantes "papagaios de tribuna", infelizmente, infestam nossas instituições com seus discursos acadêmicos, personalizados e alienantes, comprometendo a Doutrina Espírita com conceitos tolos e absurdos.

Certa feita, ouvimos de um desses "papagaios" que "nós", espíritos inferiores, somos desprovidos de caráter (sic) , daí a razão de cometermos tantos desatinos sem perceber o mal que fazemos aos outros".

O público da instituição que visitávamos, naquela ocasião, não passava de dez pessoas num auditório com cerca de 100 lugares disponíveis.

A metade dessas pessoas, dopada pelo sono incontrolável, não se dava conta das tolices doutrinárias que fomos obrigados a ouvir por quase uma hora.

Ao final da palestra, a dirigente da instituição tentou acordar os "sonolentos" com a sentença: "orem, vigiem e cuidado com a obsessão".

O "papagaio", que acabara de falar de caráter e desatinos, saiu furtivamente sem conversar com ninguém.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 365 de Junho de 2001)