O desenho mediúnico e a foto original

Da Redação do Correio Fraterno do ABC

O Correio, visitou o Casal Ary Brasil Marques e esposa Maria José em sua residência, na cidade de São Bernardo do Campo SP. Nosso repórter Antônio Devanir Leite, colheu o depoimento que reproduzimos a seguir objetivando resgatar a memória sobre fatos que contribuíram para a difusão do Espiritismo no Brasil. O caso relatado por Ary Brasil Marques, é real e aconteceu com sua própria família. Eis seu depoimento: “Minha tia Lourdes, irmã de mamãe, sempre havia morado no interior de Minas Gerais, na cidade de Guaranésia, pequeno município que hoje abriga aproximadamente 14.000 habitantes. Naquela cidade, ela freqüentava a igreja Católica, e tinha verdadeiro pavor de Espiritismo. Seu medo era tamanho que atravessava a rua só para não passar em frente da residência de uma senhora conhecida na cidade como espírita, e que tia Lourdes considerava coisa do demônio.

Nos idos de 1937 minha tia mudou-se com a família para a capital paulista, indo residir no centro da cidade, na Travessa Nosquese. São Paulo, já era uma cidade grande, de mais de um milhão de habitantes onde tia Lourdes não conhecia ninguém.

Minha avó Umbelina, mãe dela, morava em Movimento, e às vezes ia passar uns dias conosco lá em Alfenas, onde morávamos. A vovó tinha por hábito, lá em Alfenas, visitar o centro espírita, em companhia de mamãe, onde recebia passes que a faziam sentir-se melhor. Era só a vovó chegar em casa, logo pedia para ser conduzida ao Centro Espírita ao que mamãe atendia de pronto.

Posteriormente, vovó também se mudou para São Paulo, indo morar com tia Lourdes. Na casa da filha, vovó, uma criatura que vivia muito doente e carente de assistência espiritual, pedia insistentemente para que à levassem numa Casa Espírita onde pretendia receber o passe. Tia Lourdes, contudo, por medo e desinformação, sempre arranjava uma desculpa para se esquivar dos pedidos de sua mãe. Certo dia, ao passar por uma rua central, deparou-se com uma placa da União Federativa Espírita Paulista, e resolveu, num acesso de amor filial, deixar de lado o medo e levar sua genitora, à noite, para tomar o tão reclamado passe.

Assim fizeram. As duas entraram no salão de reuniões e se acomodaram na última fileira, permanecendo quietinhas. Durante a reunião, lá na mesa que ficava na frente da platéia, um médium (que posteriormente elas ficaram sabendo chamar-se Manoel de Oliveira Cravo), pôs-se a desenhar. Findo, o desenho mostrava a figura de um homem com a seguinte nota no rodapé: "À minha filha Maria de Lourdes para tornares mais crente. O teu pai."

Na seqüência o Espírito pediu ao dirigente dos trabalhos que fizesse a entrega à sua filha Maria de Lourdes, que se encontrava no recinto. Ele começou a chamar em voz alta se ali no recinto havia alguém com o nome de Maria de Lourdes. Minha tia, tremendo de medo, continuou quietinha, julgando não ser nada com ela. Após alguns minutos de silêncio, o dirigente virou-se para o médium ainda em transe e diz ao Espírito comunicante que ali naquele recinto não havia ninguém com aquele nome. A entidade, então, repete o apelo, dizendo tratar-se de dona Maria de Lourdes Moreira a pessoa que estava sentada na última fileira, e que era para ser dada a ela como presente aquele desenho.

Diante da enérgica postura do Espírito, tia Lourdes acabou atendendo e aproximou-se da mesa. Lá, emocionada, recebeu o desenho que retratava a imagem de meu avô, com aquele cavanhaque característico e a fisionomia inconfundível para todos da família. Vovô tinha a aparência do ator Ednei Giovanesi.

A família toda ficou boquiaberta com a semelhança do desenho, quando comparado com uma fotografia original. A foto e o desenho que você irá reproduzir são as mesmas que sairam publicadas nos jornais da época, como pode ver, naquela ocasião os jornais não contavam com equipamentos que apresentassem a qualidade na reprodução, mas dá para notar a semelhança nos traços fisionômicos entre o desenho e a fotografia original de meu avô.

Esse fato foi a porta de abertura para que minha tia Lourdes passasse a usufruir dos ensinamentos da maravilhosa Doutrina Espírita. Meu ingresso também teve a mesma origem, iniciei com a leitura dos livros doutrinários que recebi de presente da própria Tia Lourdes, cujo pai, meu querido avô foi o mentor amigo que lá da Pátria Espiritual, se preocupando com aqueles que aqui ficaram, veio para proclamar que a morte não existe, abrindo para todos nós um caminho de esperanças e consolações.” - conclui

Para encerrar encaixamos aqui o slogan adotado como bandeira pela equipe do Correio:

“O jornalista faz a história, história feita de fatos”

PARA SABER MAIS: AryBrasilMarques@dgabc.com.br

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 359 de Dezembro de 2000)