Os Espíritos crescem no Além?

Carlos Bernardo Loureiro

Eis um tema que ainda não foi devidamente tratado por qualquer investigador, dentre os muitos que se dedicam ao psiquismo. Sabe-se que o perispírito, sob o comando do Espírito, é o modelador do corpo, acompanhando não só o crescimento deste último, como, também, presidindo a reconstituição de certos órgãos, danificado por acidente ou doença. Que ele esteja, no Além, sujeito às mesmas regras biológicas, embora num ambiente que nada tem de comum com o mundo que nos cerca, eis um caso profundamente nebuloso, para a solução da qual não há dados que bastem.

Se o indivíduo desencarna no estado adolescente, deve entrar em nova vida com características próprias, quanto à forma, já se vê, por esta que, geralmente, é identificado nas sessões de materialização. Mas, se ele desencarnou pouco depois do nascimento, com que forma entrará no Além? Como o perispírito é uma espécie de duplo do corpo físico, parece, segundo o critério mais simplista, que deve aparecer com a forma do ser que modelou.

Vem isso a propósito de um relato feito por "Sir" Arthur Conan Doyle, numa conferência realizada em 1928 no Queen's Hall, de Londres, acerca de uma fotografia psíquica obtida pelos irmãos Falconer, conhecidos médiuns fotográficos, residentes na cidade de Edimburgo, na Escócia.

Depois de se referir às acusações infundadas feitas à honradez e credibilidade de Craig e Jorge Falconer, Conan Doyle passou a contar um fato impressionante, relacionado com o assunto, em que o experimentador era um conhecido magistrado, homem de cinqüenta anos de idade e bom cidadão. Este senhor tinha procurado a médium londrina Sra. Bacon, que disse ver ao lado dele sua filha que desencarnara ao nascer, e que crescera no mundo espiritual, apresentando o aspecto de uma jovem de 27 anos. Esta comunicando-se através da Sra. Bacon, prometeu mostrar-se-lhes se ele levasse um médium fotográfico.

"- Mas, como hei de saber que é o seu retrato?" - inquiriu o magistrado.

"- Eu porei um sinal na chapa".

Um ano mais tarde, estava esse magistrado em Edimburgo, quando ouviu falar dos irmãos Craig e Jorge Falconer. Procurou-os e acertou com eles a realização de uma sessão, em que foram tiradas várias fotografias do magistrado. Numa delas apareceu uma encantadora jovem de cerca de 27 anos e, embaixo a forma de um feto, em ectoplasma. Os irmãos Falconer não sabiam que, antes, a entidade que se dizia filha do magistrado houvera se comunicado, através da Sra. Bacon, e prometera mostrar-se numa fotografia psíquica, ao tempo em que ofereceria, como de fato ofereceu, um inequívoco sinal.

Conan Doyle terminou o relato com estas palavras:

"- Se isto não é um caso de genuína fotografia psíquica, então não sei onde poderemos encontrar".

Supracitada sessão se realizou no dia 5 de setembro de 1924. O magistrado levou as chapas e examinou, meticulosamente, a máquina fotográfica, antes de a carregar, tendo procedido às manipulações usuais. A sessão foi feita às escuras, razão por que não se vê fundo nenhum na fotografia. E enquanto a câmara esteve aberta, o visitante conservou-se sentado com Craig e Jorge. Antes da sessão, o magistrado disse que tinha perdido um filho na guerra que gostaria de obter uma fotografia dele. Descreveu-lhe, mesmo, as feições. O fato é que ele nunca tivera filho nenhum. Queria ver se os médiuns produziam a fotografia de algum imaginário soldado. Claro que os médiuns disseram-lhe antecipada e honestamente, que não podiam garantir qualquer resultado satisfatório, visto que não exerciam controle sobre os Espíritos, que tinham liberdade de se manifestar.

Logo que soube do resultado da sessão, o magistrado revelou a sua identidade: era um juiz do Supremo Tribunal inglês, bem como esclareceu os irmãos médiuns quanto à jovem que apareceu na fotografia e o feto de uma criança esboçado em ectoplasma.

Este caso oferece-se, naturalmente, à dúvida: quem pode garantir, e aí inclui o próprio pai, que aquela jovem era a filha do magistrado, que crescera no plano espiritual, ali chegando na forma de feto? Quanto ao fenômeno de fotografia psíquica, reverte-se de notável importância convidando à pesquisa, séria e produtiva.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 358 de Novembro de 2000)