Um interessante fenômeno de efeito físico

Da Redação do Correio Fraterno do ABC

O contabilista, conferencista e militante espírita Ary Brasil Marques, exibe a relíquia, o disco que fora enrolado pelo Espírito materializado em cuja sessão ele e a esposa estavam presentes. O jornalista Cirso Santiago que aparece na foto, ao lado direito, aproveitou a reportagem para rever o amigo

Nos anos sessenta, as reuniões espíritas de efeitos físicos eram, aqui no Brasil, uma espécie de coqueluche. Em cada bairro, se assim podemos afirmar, havia pelo menos um centro espírita que se dedicava à essas reuniões. Os médiuns especializados em efeitos físicos eram encontrados com mais facilidade do que na atualidade. Até mesmo Chico Xavier participara das famosas "Materializações de Uberaba". Na cidade de Santo André, no ABC paulista, havia uma casa espírita que ficou famosa por causa de suas sessões de efeitos físicos: Refiro-me a então Cabana do Pai Preto que se localizava no Bairro Fazenda da Juta, à Rua Timor e que mais tarde passou a ter a denominação "Educandário Espírita Cristão". Ali, segundo o testemunho de Ary Brasil Marques, que chegou a secretariar algumas das reuniões, aconteciam materializações de Espíritos, inclusive luminosas, voz direta, materializações de rosas, levitação de objetos pesados como, por exemplo, de uma vitrola.

O médium, chamava-se Antonio Alves Feitosa. As reuniões se desenvolviam sob rigoroso controle, sendo que o médium era trancado na Cabine e algemado e as chaves da porta e das algemas ficavam em poder de um assistente. Tendo tomado conhecimento da existência dessas reuniões, a reportagem do Correio foi à casa do companheiro Ary Brasil Marques. Ele e sua esposa Maria José nos receberam com muita cordialidade.

Conversamos longamente sobre as citadas reuniões e eles nos apresentaram uma verdadeira relíquia obtida numa das reuniões: um disco de acetato de 10 ou 12 polegadas (eram assim os discos há trinta anos) totalmente enrolado (veja fotos) como se fosse um beiju de tapioca. Como se sabe esse material não é maleável e não resiste, por isso mesmo, qualquer torção.

Vê-se logo que o fenômeno não foi realizado por pessoa encarnada. Aliás, um amigo do casal Maria José e Ary Brasil Marques, duvidando do fenômeno, quis imitá-lo e fracassou por mais de uma vez. O ilustre casal descreveu à nossa reportagem o fenômeno. Um Espírito materializado saiu da cabine e se apresentou à assistência, tendo no tórax um admirável foco de luz. Num certo momento, um assistente sabendo que o Espírito enrolava discos deu o dito disco a ele que o pegou e o colocou sobre o ventre e na medida que ia deslizando-o em direção ao tórax iluminado, a "bolacha preta" ia se enrolando. Terminado o fenômeno, o Espírito entregou o enrolado aos presentes para que o examinassem à vontade. Esse foi um dos fenômenos obtido na Cabana do Pai Preto, mas muitos outros indecifráveis, como por exemplo, a confecção de luvas de parafina em altas temperaturas aconteciam...

Para saber mais:

Oportuno recordar aqui os ensinamentos de Allan Kardec, registrados no livro Obras Póstumas: “Sob a forma de divertimento a idéia penetrou por toda a parte e semeou germens sem espavorir as consciências timoratas (*). Brincaram com a criança, mas a criança tinha de crescer... Divertiram-se com os Espíritos enquanto eles quiseram diverti-los”. (*) Timorato, indivíduo medroso, receoso, tímido.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 360 de Janeiro de 2001)