O Dualismo Existencial

Carlos de Brito Imbassahy

A ciência cada vez mais próxima do Criador

Durante o período pré-científico, os primeiros estudiosos que apresentaram hipóteses acerca da existência dos seres e das coisas tinham cornos certos que os quatro ditos elementos fundamentais da existência eram o fogo, a água, a terra e o ar a partir do que tudo mais derivava.

Na era clássica, as pesquisas, ainda incipientes, mostraram que a substância era constituída de pequenas partículas denominadas molécula - diminutivo de mole, termo latino que define massa inerme, grande volume (não confundir como mole - macio) - tidas como indivisíveis c elementares, componentes das substâncias, ou melhor, a menor porção dela, unitária.

Pois, ainda nessa época, Kardec, na pergunta 27 de "O Livro dos Espíritos", indaga: haveria, portanto, dois elementos essenciais tio universo, o espírito e a matéria? Seus mentores espirituais explicam-lhe, com os recursos da época, que, de fato, estes seriam os elementos fundamentais da existência do universo; contudo, tinham que levar em conta a existência da energia cósmica que, à época, se denominava FCU (fluido cósmico universal); e, acima disso tudo, Deus, como criador.

Quatro décadas depois, a ciência descobre que a molécula se dividia em elementos chamados átomos, nome derivado dos estudos de Demócrito que admitia um princípio de causa a que ele denominou de átomos - termo grego, unidade - e que permitiu a Epicuro desenvolver uma teoria chamada atomismo.

Com isso o dualismo matéria e espírito aparentemente ruíam, porque a matéria em si não seria o fundamento existencial dos corpos e Kardec teria se equivocado se as pesquisas científicas não tivessem continuidade para verificar que o fundamento dos mundos materiais seria a energia cósmica, ou seja, o mesmo FCU de antigamente.

Neste fim de século, em pouco menos de cem anos de vida. surgiu a física nuclear, a mecânica quântica e, agora, a física transcendental que ainda não mereceu nome específico, a cuidar da existência de agentes estruturadores sem os quais a energia não seria condensada em partículas, agentes esses que não podem pertencer ao mesmo domínio cósmico a fim de que tenham a propriedade de atuar sobre ele.

Está, assim, confirmado o dualismo espírito-matéria.

Lembremos a quantas anda o estudo atual acerca deste tema, atualizando-nos com o que se propõe para estudo:

A princípio, um AES - Agente Estruturador Supremo (Deus) - teria reunido toda a energia cósmica cri um fulcro fundamental e dado partida à expansão sideral, formando o Universo.

Essa energia fundamental em expansão, por si só, não poderia se alterar e continuaria se dilatando e espargindo até perder sua "elasticidade" para voltar à forma inicial, se, porventura, desprovida de seu agente ativador (Deus).

Sobre ela, um dos fundamentos essencial à existência material, teria que atuar outros agentes de forma (espírito) que a modulariam dando origem às sub-partículas mais elementares; sobre estas atuariam agentes superiores (ainda espirituais) reunindo-as para agregar tudo em um átomo; pela lei de afinidade, esses átomos se atraem e dão origem às moléculas, ou seja, a cada menor porção da matéria.

Inicialmente, Niels Bôhr, com base em Marx Planck e inspirado no sistema planetário, partindo da idéia de que tudo se faz por etapas e em escalonamentos gradativos, idealizou o átomo ideal, como sendo um núcleo bárico contendo elétrons (partícula atômica negativa), prótons (idem positiva) e neutrons, representando á reunião de ambas. Estes elétrons abandonariam o núcleo e passariam a gravitarem torno dele, formando o sistema planetário constituído de nove camadas dentro das quais, como no caso dos asteróides, um certo grupo de elétrons gravitaria.

Seu estudo satisfazia a todos os cálculos químicos, daí ter sido considerado o mais próximo possível da realidade, ignorando-se o princípio fundamental para sua existência. Era o materialismo puro imperando porque dispensava a existência de qualquer outro agente para dar "viela" material ao átomo. Em resumo, aceitava-se sua existência por ela própria.

Quando Enrico Fermi desenvolveu seu primeiro ciclotron atômico para observar o interior do átomo, as primeiras observações não permitiram que se fizesse nenhum reparo aos estudos existentes. É preciso, portanto, que se destaque o caráter puramente materialista das pesquisas, partindo do pressuposto de que toda a energia atômica, em si e por si, bastava para dar condição de existência material à molécula.

Uma grande contribuição, neste sentido, foi dada pelo casal Curie, ao descobrir as radiações atômicas de um elemento químico que, por esse motivo, foi batizado de rádio. Então, a tese de que essa energia era a base de tudo teve um grande apoio, confirmando a hipótese de que até a vida biológica partia desse princípio.

Por outro lado, os preceitos religiosos vigentes entravam em terrível choque com as descobertas feitas pelas pesquisas modernas e, com isso, a idéia da existência de um espírito passou a ser considerada fantasiosa perante a ciência.

Fermi, engenheiro italiano nascido em Roma (1901) radicado nos EUA, falecido em Chicago (1954), pesquisando outros elementos químicos que gozavam da mesma propriedade do rádio, acabou descobrindo que, a partir do urânio, ele obtinha, por precipitação, um outro elemento químico muito mais instável, o plutônio, e, como tal, altamente radiativo, capaz de servir às suas experiências para estudo da composição atômica. Surgiram, então, os betatrons, a segunda geração dos ciclotrons.

Paralelamente a tais pesquisas, despontaram os estudos de Albert Einstein, reformulando uma série de teses relativas à existência das coisas, contudo, a mudança radical se efetuou depois que os engenheiros voltados à área dos LEP (laboratório elétron-próton) conseguiram reunir num só aparelho o betatron com o ciclotron, dando-lhe o nome de sincrotron cujo aperfeiçoamento permitiu que se construíssem os túneis de aceleração de partícula conhecidos como sincrociclotrons e que permitem que se realize uma série de colisões através das quais essas partículas se desintegram em quarks e passam a ter comportamento estranho, que sugeriu se desse ao primeiro deles descoberto, o nome de stranger.

A série dos livros do ano da Enciclopédia Britânica possui um bom acervo para aqueles que, sem serem físicos, pretendam conhecer o assunto.

Para nós, a grande importância está em Murray Gell Mann que, como já foi dito, além de provar que, de fato, a partícula era comandada por uma ação externa capaz de dotá-la de predicados "personalísticos" como a tal "vontade própria" sugerida por Heisenberg, mais ainda, não permite que os pesquisadores ajam sobre ela dispondo-a a seu bel prazer.

Daí surgiu à hipótese de que ela teria, por trás de sua existência, uma outra forma de vida distinta da biológica, mas que obedecia a um comando externo (espiritual) estruturador, o mesmo que a teria formado, atuando sobre a energia cósmica em expansão.

Estava definitivamente selada a tese dualista que Kardec já antecipara na aludida resposta à pergunta 27.

Revista Internacional de Espiritismo – Maio de 1998