Viagem através do tempo

Carlos de Brito Imbassahy

Um dos temas por demais explorados em contos de ficção é a de viagens dos personagens através dos tempos, indo e voltando, quer ao passado, quer ao futuro. Até mesmo o famoso romance Cavalo de Tróia, tentando dar um cunho científico às experiências, a fim de que pudesse aparentar-se verídico, usou esse artifício a fim de lançar seus personagens à era de Cristo para confirmar os acontecimentos da época.

Com isso, uma das perguntas mais difundidas entre os leigos é: - pode-se viajar no tempo? Aparentemente, o assunto não demonstra nenhuma correlação com o fenômeno espírita e, se não fora uma das hipóteses para justificar a interpenetração do objetos em recipientes fechados, até herméticos e deles serem retirados pelos espíritos, poder-se-ia, mesmo, dizer que esse problema do tempo não interferiria nas ocorrências mediúnicas.

Primeiramente, para esclarecimento, vejamos a hipótese de que se fala: tem-se como forma física de se colocar um objeto dentro de outro fazendo com que um se acelere no tempo e seja colocado de forma que, quando o outro chegar, com sua velocidade normal, já encontre o outro naquele lugar, justaponde-se a ele, o que faz com que um fique no interior do outro. Hipótese. Neste caso, porém, o que se discute é a possibilidade física da aceleração do tempo que, se não é experimental, pelo menos, pode se justificar matematicamente.

Ora, posto isso, se é possível acelerar o tempo, a primeira conclusão é a de que, quem se submeter ao processo, caminhará para a frente; depois, é só se retardar e voltará para trás; e vice-versa. Seria possível! Aliás, o fenômeno, em si, pode ser concebido porque as equações o permitem; o grande problema que o leigo não percebe é que, se acelerarmos o tempo, vamos nos adiantar às ocorrências e, como tal, não vamos penetrar no futuro, senão, nos anteciparmos a ele na sua posição e nada mais do que isso. Ora, posto, como o tempo do futuro ainda não terá chegado lá, em relação a quem tenha se acelerado no tempo, o que vai ocorrer é que não se encontrará o fato que será vivenciado nesse futuro.

Em se tratando do passado, quem se retardar no tempo, não vai encontrar mais nada porque suas ocorrências já terão sido transcorridas. Eis aí porque não se pode mergulhar no túnel do tempo nem para se viver as cenas já passadas ou se antecipar às que ainda irão ocorrer. O que se pressupõe que as Entidades desencarnadas façam é acelerar momentaneamente um objeto e, depois, mantê-lo num compasso de espera, o que, provavelmente, pode ser possível porque os espíritos vivem e têm existência em dimensões diferentes da material; pertencem a um domínio externo ao universo; atuam sobre esse universo modulando sua energia a fim de dar-lhe formas ditas materiais; encarnam-se em seus mundos; enfim detêm um poder que os encarnados não conseguem, por um simples motivo: estão mergulhados no próprio universo e, vinculado a ele, têm que se deslocar no tempo com a sua velocidade de expansão que, em astrofísica, é uma grandeza fundamental.