Ações Básicas no Centro Espírita

Rosemere Kiss Guba

É bem expressivo o número de Instituições Espíritas constituídas em nosso país. Em Pernambuco muito particularmente, já podemos contar com mais de trezentas Instituições, filiadas ou não a uma Federativa, cada qual com o seu perfil administrativo, sociocultural. Apesar de todas terem como base a Codificação Kardequiana, e seus dirigentes dizerem conhecer os postulados da Doutrina Espírita, na prática observamos que uma grande parte destas Instituições agem bem diferente da proposta da Doutrina.

Em visita a algumas Casas Espíritas e em conversas com seus dirigentes, observamos pontos que geram dificuldades no processo administrativo e doutrinário, dificuldades que poderiam ser resolvidas, se alguns irmãos dirigentes, implantassem no centro espírita ADMINISTRAÇÃO DEMOCRÁTICA, unida a um plano de AÇÕES BÁSICAS, certamente as instituições estariam dentro dos padrões para os quais foram fundadas:

HOSPITAL - ESCOLA - OFICINA DE TRABALHO.

Problemas por ausência de público, e a não adesão de trabalhadores aos trabalhos, entre outros, são algumas das reclamações dos dirigentes. Fazendo uma análise geral na administração destas Casas, concluímos que nas instituições que enfrentam estes tipos de problemas, os dirigentes portam-se como verdadeiros “super heróis”, trabalham isolados, dirigem e fazem tudo sozinhos. Fazem a palestra toda semana, dirigem as reuniões públicas, o passe, a desobsessão, a consulta, a mediúnica, quando não são o “médium Principal”, atendem na secretaria, fazem a entrevista fraterna, não participam de reuniões de área, não visitam as instituições co-irmãs, exceto quando estão aniversariando. Não aceitam sugestões, muito menos delegam poderes, mas exigem de todos que prestem serviços à Instituição (sem direito a opinião), vê os trabalhadores como subalternos. Não divulgam as correspondências relacionadas ao Movimento Espírita, como também não participam, nem incentivam aos trabalhadores e ao público participarem dos eventos fora de “sua” Instituição, não mantém na casa o estudo sistematizado da doutrina espírita e quando mantém não participam, por comodismo ou por julgarem não mais precisar. Perpetuam-se nos cargos, e dizem agir assim, porque os outros trabalhadores não estão preparados ou não querem fazer o trabalho...

Interessante é que quando surge oportunidade de eventos para orientação e reciclagem dos trabalhos como dos trabalhadores, estes mesmos dirigentes não aceitam, e quando permitem que estes trabalhos sejam feitos dentro de “suas” Instituições, na maioria das vezes não colocam em prática. Com isso, geram Instituições antagônicas, criam práticas fora da Coerência Doutrinaria, como por exemplo: luzes apagadas para orar, preces de pé, garrafas dos irmãos em tratamento destampadas para a fluidificação, ventiladores desligados para não dispersar fluídos, determinadas portas fechadas para os espíritos não saírem..., número volumoso de pessoas a mesa da tribuna, muitas vezes maior que na assistência, pessoas sendo convocadas para o trabalho (dirigente e precistas) no momento de iniciar a tarefa completamente despreparados para o serviço, exórdios infinitos prejudicando a palestra, médiuns deseducados, despreparados, etc., etc., etc. E ainda pior, durante o horário da palestra pública, mantém outros trabalhos (exceto evangelização infanto-juvenil) retirando dos trabalhadores como dele mesmo a oportunidade de obter novos conhecimentos.

Além de todos estes procedimentos que caracterizam a falta de estudo da Codificação, algumas ainda incluem práticas alternativas alheias à Doutrina Espírita., dentre as quais citamos: CROMOTERAPIA, RADIESTESIA, CRISTALTERAPIA, FITOTERAPIA, entre outras. Não queremos aqui entrar na eficácia destes trabalhos, sabemos que alguns vêm buscando reconhecimento social, profissional e acadêmico. Mas certo é que não fazem parte da Doutrina Espírita. Todas as práticas aqui citadas, só vêm corroborar o quanto ainda é grande o número de Irmãos Espiritistas apegados a FORMALISMOS, SUPERSTIÇÕES E EXPRESSÕES DE CULTO EXTERIOR.

O mínimo que a Casa Espírita espera dos que se propõem a dirigir a Instituição, como também de qualquer dos seus departamentos é que se tenha conhecimento básico da Doutrina Espírita. Superar problemas administrativos e doutrinários sempre será possível, desde que as equipes de trabalhos, e principalmente os dirigentes, criem planos de organização e métodos. As Federativas mantém programas de cursos, seminários e capacitações, em todas as áreas de trabalho do Centro Espírita.

Procedimentos simples como:

caracterizam Instituições harmoniosas, onde TODOS os colaboradores sentem-se incluídos, por conseqüência participativos. Evitando assim, as cadeiras vazias por ausência de público e a não adesão dos Irmãos aos trabalhos, como também a falta de conhecimento doutrinário.

Quando as portas das Instituições Espíritas são abertas para o aprendizado, a Doutrina Espírita alcança seus objetivos: INSTRUÇÃO, EDUCAÇÃO, ESCLARECIMENTO, RENOVAÇÃO, CONSOLO E SOLIDARIEDADE. Portanto, propicia ao SER conhecimento das Leis Universais, justiça, destino, imortalidade e fé raciocinada, equilibrando-o e erguendo-o na sua estrutura Moral. Mudando o SER no individual este por conseqüência mudará na coletividade. Mas tudo isso só é possível, quando a Doutrina Espírita é estudada na sua essência, e colocada em prática na sua pureza, evitando assim que cada um faça dentro dos Centros Espíritas trabalhos baseados em “ACHISMO”, pois este tipo de procedimento negligencia os trabalhos, os trabalhadores e todos os que precisam de ajuda e conhecimento para a evolução do Espírito, além de colocar em dúvida o nome da Doutrina Espírita, como o da própria Instituição.

“ESPÍRITAS! AMAI-VOS, eis o primeiro ensinamento; INSTRUÍ-VOS eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana.” 2

Espíritas! Não podemos continuar enraizando erros em nossa Doutrina. Todas as verdades encontram-se na Codificação. Instruí-vos. Eis a fórmula correta para evitar “Espiritismo à moda da casa”.

(1) Rosemere Kiss Guba é Coordenadora de Apoio às Adesas da Comissão Estadual de Espiritismo - CEE/PE

(2)O ESPÍRITO DE VERDADE (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. VI / 5)

Rosemere Kiss Guba (PE)