Do Homem Místico ao Espírita Racional

Milton Felipeli

As pessoas místicas, como sabemos, conduzem a sua vida apenas pela emoção, pelo sentimento contemplativo em relação aos acontecimentos.

Em geral, os místicos adotam postura de interpretação misteriosa e oculta sobre os fatos, não admitindo explicações racionais e lógicas.

O meio espírita é formado de homens místicos e de homens racionais. Os místicos são derivados de escolas esotéricas ou de seitas místicas. Por esse fato, sentem dificuldade em analisar as coisas apenas usando o crivo da razão. Existem místicos que são fanáticos. Nesse caso, a gravidade é ainda maior, porque, apaixonados pelas idéias ou pessoas (líderes), ficam completamente cegos à análise fria e sem juízo preconcebido.

Os místicos não usam o bom-senso, apenas deixam-se levar pelo sentimento ou análise oculta e misteriosa das coisas.

Existe uma relação entre o sentimento místico e a fascinação, que é um gênero de obsessão, conforme ensina o Espiritismo (Capítulo 23 de "O Livro dos Médiuns"). A obsessão é uma enfermidade de origem espiritual.

Essas são algumas das características deste nosso mundo de provas e de expiações. A Doutrina Espírita, entretanto, surgiu para levantar a cortina de mistério que ocultava os fenômenos da vida espiritual. Por isso, Kardec foi homem racional e não místico.

O Codificador utilizou-se, para esse trabalho de esclarecimento espiritual, do conhecimento racional sobre o funcionamento das leis que regem o Universo. Quem compreende e interpreta a vida segundo essas leis, deixa para trás, na esteira do tempo, o sentimento místico e esotérico sobre o Criador, a criatura e sobre os fatos e acontecimentos.

O estudo sério e regular da Doutrina Espírita é fundamental para libertar o homem do misticismo.