Ideologia e ética

Edvaldo Kulcheski

Um dos grandes equívocos da época moderna foi ter substituído a ética pela ideologia. Se bem se possa dizer que a humanidade ainda não esteja de posse do que seja a ética, e como operacionalizá-la. Uma distinção contudo nos parece bem evidente: a ética verdadeira persegue a emancipação humana em toda a sua plenitude (Cristianismo).

Não obstante, parece claro igualmente que a procura dessa emancipação não deverá ser conseguida à custa de qualquer constrangimento, seja material ou espiritual, sob pena de frustrar a idéia inicial da própria ética.

Ora, isto é justamente o que faz a ideologia, que no afã desesperado de romper obstáculos, coloca os interesses acima da legitimidade dos ideais.

Sem dúvida, onde há excesso de ideologia é porque estão a medrar interesses suspeitos e inconfessáveis, que vistos sob um prisma de honestidade ética, não deveriam ter lugar.

Portanto, o grande desafio que hoje se nos apresenta é justamente este da substituição da ideologia pela ética, o que significa colocar as relações humanas e institucionais sob uma nova perspectiva, mais solidária, menos interessada e mais desprendida.

Assim, torna-se evidente que os ideais éticos não necessitam de ideologia para se concretizar, bastando apenas que haja em cada em de nós um pouco menos de radicalismo sectário.

Utopia? Sim, daqueles que fazem as pessoas morrerem por suas convicções, e não apenas olharem para as suas conveniências.

Se desejamos ver um mundo performado no III milênio, temos que parar para pensar! Pensar como será nossa vida no ano de 2020, por exemplo? Parar para ver o quanto temos contribuído, ou, ainda, o quanto temos se preparado para viver no terceiro milênio, que será a Era do Espírito e dos valores éticos? E, sobretudo, estar consciente da total responsabilidade que cada um de nós tem em relação à sua própria pessoa, aos semelhantes e ao mundo com que vivemos? É preciso se preparar para a Nova Era, pois cada um de nós é, potencialmente, a diferença no mundo.