Moderna sentença Salomônica

Antonio Paiva Rodrigues

Num pronunciamento semelhante ao do rei Salomão, um juiz determinou, a 21 de julho de 1978, que um casal divorciado deve cremar o corpo de seu filho e cada um ficar com parte das cinzas, a não ser que cheguem a um acordo sobre quem tem direito de enterrar a criança.

O juiz itinerante do Condado de Kene, George Cook, fez essa determinação no caso que envolve os pais de Greg Dunn, de 13 anos, que morreu dias atrás, vítima de fibrose cística. Os pais, James Dunn e Anne Simmons não chegaram a um acordo sobre quem teria o direito de enterrar o menino.

Lou Hoos, advogado de Simmons, disse que sua cliente ficou horrorizada pela sugestão e que não faria mais qualquer esforço para enterrar seu filho no jazigo na família. O juiz Cook declarou que esta foi uma das decisões mais difíceis que teve de tomar. Segundo Cook “Nós, juízes, somos requisitados para fazer papel de Deus, um papel para qual não somos treinados nem preparados”. Cook disse que não viu outra solução, a não ser que os pais decidam, fora do Tribunal quem terá a custódia do corpo de Greg Dunn.

Segundo o juiz, “é obvio que ambos amavam profundamente o filho. Ambos enfrentaram um inferno particular, o qual, provavelmente, nenhum de nós pode compreender ou avaliar e que, espero, nunca tenhamos de enfrentar”.

A determinação de Cook foi semelhante à história bíblica do rei Salomão, que resolveu o problema de duas mulheres que alegavam mães da mesma criança.

Salomão ordenou que a criança fosse cortada ao meio e dividida entre as duas. Quando uma das mulheres disse que preferia entregar seu filho a vê-lo morto, Salomão disse então que era ela a mãe verdadeira. E você que atitude tomaria?