Origem e sentido do matrimônio

Dilvano Westenhofer Brum *

Bastou um desejo no coração de Deus (no Antigo Testamento: JAVÉ) para ele decidir criar o universo e tudo o que,neste, existe. E surgiu a primeira ordem do mundo: faça-se! E tudo foi feito. E Deus, é claro, fez tudo direitinho, cada coisa no seu lugar e com função específica. E não deixou nada faltar.

Quanto a criação do homem, a linguagem usada no livro de Gênesis narra que, para criá-lo, Deus juntou um punhado de barro (ou lama, dependendo da tradução), moldou este barro e soprou nele. Assim fez surgir a vida ao homem. Tal maneira poética de descrição, quer ensinar em outras palavras que, Deus nos molda de acordo com sua benignidade e se nos deixarmos moldar por ele, tudo em nossa existência, será bem melhor. O barro, é sinal da fragilidade humana, expressa a necessidade que o humano tem do divino. Aquele sopro foi o sinal de vitalidade e vigor, um impulso à existência.

Mais adiante, percebemos que Deus preocupou-se com a felicidade humana. O homem, sozinho, sem alguém da sua espécie, ficou muito triste. Só, fica deprimido. E aqui constatamos o primeiro caso de solidão, tristeza e depressão de que temos registro. Mas, como sempre, Deus dá um jeito. Num dado momento, faz o homem adormecer (olha o primeiro soninho aí!) e, de uma das costelas do homem, cria a mulher. Acordado, o homem vê-se acompanhado. A solidão foi embora quando a mulher chegou.

A mulher começou a existir. Todavia, daquele momento em diante, o homem teve de aprender a arte de conviver. Teve de aprender muito sobre renúncia e saber ceder em muitos momentos. Não deve ter sido fácil para o homem. O fato de a mulher ter sido formada de sua costela, denotava que, em dignidade e importância, ele não estava abaixo, e nem acima dela. Realidade, que quase certo, deve ter incomodado um pouco o homem nos seus primeiros meses de convívio a dois. Mas sem a mulher seria pior.

Dessa experiência, entre erros e acertos, nasce o primeiro caso de amor humano e o primeiro casamento que a história conheceu e registrou. Isso tudo, claro, visto com os olhos da fé. Assim, a vida daquele casal, unido pelos vínculos do amor, e com toda a conseqüência que o amor traz, tornou-se um testemunho real do amor divino pela humanidade.

O sentido do matrimônio, pois, consiste na busca da realização da felicidade do outro. Consiste sim, numa renúncia de si mesmo a favor do ser amado. Optar por uma vida conjugal e vivê-la em plenitude, é tornar-se como uma vela que, para iluminar os que estão a sua volta, gasta-se a si própria, sem esperar recompensa alguma.

Conviver com o outro é uma questão de arte. Viver para o outro é uma que são de amor.

Só consegue ser feliz quem ama e deixa-se amar. A vida matrimonial é uma maneira santificar-se e de santificar o outro. É uma maneira específica de viver o chamada do fundamental ao amor.

* Dilvano, 26 anos é ex-seminarista, é acadêmico do curso de História na FAPA (RS), Agente de Pastoral católica. Escreve periodicamente sobre assuntos diversos. Contatos: dilvano@hotmail.com