Abraão existiu?

Antonio Paiva Rodrigues

“Não penseis quem vim para revogar a lei e os profetas; não vim revogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo: passará o Céu a Terra, mas de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til sem que tudo se cumpra”.

(Mateus,V –17-18.).

Uma revista de grande circulação nacional em sua edição 190, correspondente ao mês de julho do ano de 2003, traz uma matéria polêmica e inusitada: a jornalista responsável pela publicação da matéria acima epigrafada, Maria Fernanda Romero indaga: Ele é chamado de patriarca por 3,2 bilhões de cristãos, muçulmanos e judeus. Mas novos estudam duvidam da sua existência. Que legado é esse que influencia metade do planeta há quatro mil anos? Qual é o futuro dessa mensagem se ficar provado que seu criador jamais existiu?

Antes de emitir uma opinião acerca da reportagem da revista Super-Interessante, queria afixar a esta matéria alguns aspectos acerca da figura de Abraão: Ora o Senhor disse a Abraão: sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, e vem para a terra que eu te mostrar (Gen. 12-1).

A pátria de que a Bíblia fala aqui é Harã. Tare, seu filho Abraão, sua nora Sarai e seu neto Lot moravam juntos, está dito no Gen.11-31. O que Harã significava ninguém sabia até um passado recente. Da sua história primitiva nada se conhecia. Todos os documentos da antiga Babilônia silenciavam sobre a região do médio Eufrates - a “terra de entre rios”, como se chama também - onde Harã estava situada.

Somente em 1933 um achado casual levou a realizar escavações que conduziram, também aqui, a uma grande e sensacional descoberta e, com isso, a conhecimentos novos que colocaram, de improviso, a bíblica Harã e a vida dos patriarcas num ambiente histórico. Na linha entre Damasco e Mossul, no ponto em que atravessa o Eufrates, fica a desconhecida cidadezinha de Abu Kemal. Tendo a Síria, depois da Primeira Guerra Mundial, se tornado protetorado da França, aí estava estacionada uma guarnição francesa.

O Tenente Cabane, comandante da guarnição, na vasta bacia do Eufrates, em pleno verão de 1933, teve que conter uma agitação, pensava-se numa manifestação, uma disputa entre árabes, mas o motivo era outro. Uma pessoa estavam querendo enterrar um parente, cavaram uma sepultura numa colina afastada, o Tell Hariri.A surpresa foi grande quando desenterraram um morto de pedra! O Professor Parrot descobre um império desconhecido-palácio real com 260 salas e pátios, 23.600 tabuinhas de barro que resistiram quatro mil anos - A polícia da estepe dá parte dos “benjaminitas”. E a pátria de Rebeca era uma cidade florescente. Por numerosas noticias, gravadas em barro, obtém assim a posteridade uma imagem clara do reino de Mari - um estado do século XVIII antes de Cristo, magistralmente organizado e administrado. E é de se surpreender que nem nas pinturas nem nas esculturas se encontrem representações de acontecimentos bélicos.

Os amoristas eram os habitantes da região, amavam a paz e tinham vida sedentária, seus interesses eram com a religião, a cultura e o comércio. Mari ficava na encruzilhada das grandes rotas de caravanas que iam de oeste a leste e de norte a sul e, assim, não é de admirar que o intercâmbio de mercadorias, que ia desde Chipre e Creta até a Ásia Menor e o sul da Mesopotâmia, desse lugar a uma ativa correspondência de barro. Uma lista de carneiros sacrificados, oferecidos por Zimri-Lim, especifica os habitantes do Céu.

O sistema de comunicações “Mari” era tão rápido e perfeito, que não ficava a dever à telegrafia moderna. As mensagens importantes eram transmitidas em poucas horas, por meio de sinais de fogo, da fronteira da Babilônia até à atual Turquia –uma distância de mais de 500 quilômetros. Poderíamos acrescentar mais alguns fatos relevantes sobre esta polêmica. A cidade onde viveu Abrão, depois Abraão, em Paris a menção dos benjaminitas despertou suposições e expectativas num sentido definido. E não sem razão.Em outras inscrições cuneiformes os assiriólogos foram encontrando, um após outro, nas comunicações de governadores e oficiais do exército, diversos nomes muito familiares da história bíblica – nomes como Faleg e Saug, Nacor, Tare e...Harã.

Eis as gerações de Sem, diz no Gen., cap.11...Faleg viveu trinta anos e gerou Reu. Reu vivei trinta e dois anos, e gerou Sarug. Sarug viveu trinta anos e gerou Nacor. Nacor viveu vinte e nove anos, e gerou a Taré. Taré viveu setenta anos, e gerou Abraão, Nacor e Harã. Nomes de antepassados de Abraão surgem de tempos remotos como nomes de cidades do noroeste da Mesopotâmia. Ficam em “Padan-Aran”, a planície de Aram. No meio dela fica Harã, que, pela descrição, deve ter sido uma cidade florescente nos séculos XIX e XVIII antes de Cristo.

Harã, pátria do primeiro patriarca Abraão, pátria do povo hebreu, é apresentada autenticamente, um pouco mais acima, no mesmo do Beliche, ficava outra cidade de nome bíblico igualmente familiar: Nacor, a pátria de Rebeca, mulher de Isaac. A cidade bíblica de Nacor é de repente situada num ambiente histórico conhecido. O servo de Abraão saiu para ir ao reino de Mari. O encargo especifico de seu senhor, como a Bíblia nos transmite , mostra que Abraão devia conhecer perfeitamente o norte da Mesopotâmia e também a cidade de Nacor? Pelos dados fornecidos pela Bíblia pode-se calcular com precisão que Abraão sua pátria, Harã, 645 anos antes da saída dos filhos de Israel do Egito. Foi no século XIII antes de Cristo que eles vaguearam para o deserto, a caminho da terra prometida, sob a direção de Moisés. Esta data, está arqueologicamente confirmada.

Abraão deve ter vivido, pois, pelo ano 1900 antes de Cristo, as descobertas realizadas em Mari confirmam a precisão destes dados da Bíblia e pelos dizeres dos arquivos do palácio de Mari, Harã e também Nacor eram cidades florescentes pelo ano de 1900 antes de Cristo.Os documentos do reino de Mari fornecem pela primeira vez esta prova inaudita; as histórias dos patriarcas da Bíblia não são como têm sido consideradas com freqüência simples “lendas piedosas” e sim acontecimentos e descrições de uma época histórica que se pode datar!Abraão, vendo-se já velho e de idade avançada, e que o Senhor em tudo o tinha abençoado, disse ao servo mais antigo da sua casa, que governava tudo o que possuía: põe a tua mão por baixo da minha coxa, para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus do Céu e da Terra, que não tomarás para mulher de meu filho nenhuma das filhas dos cananeus, entre os quais habito; mas irás à minha terra e a meus parentes, e daí tomará mulher para o meu filho Isaac. E tomou o servo....De todos os seus bens, pôs-se a caminho, andando para a mesopotâmia, para a cidade de Nacor (Gen. 24-1a 4 e 10).

Esta é a opinião de um estudante de jornalismo e pesquisador espírita; veremos agora o que fala a companheira Maria Fernanda Vomero. Nas primeiras páginas não há nada a contestar sobre a afirmação da estudiosa, bate com aquilo que repassei para o papel, até aí tudo bem. Na minha opinião, respeitando logicamente a dos outros; Javé, Iavé e Jeová, não eram nomes dados ao ser Supremo e sim a um Espírito designado por ele, para representá-lo no orbe terrestre. Porque não poderia existir um Deus de três pessoas: Isaac, Abraão e Jacó, e esse Deus que o Velho Testamento mostra, é um Deus vingativo, arrogante, prepotente, fanático e não admitia derrotas e as punia com a pena de morte. Pergunto: Que Deus é este? Não concordo que a ciência ainda esteja à procura da verdade; os arqueólogos como foi dito antes, já nos mostram um quadro real da história deste patriarca bíblico. A Bíblia não relata a existência de outros “Abraãos”, pode até existir, mas ignoro. A filosofia muçulmana é outra completamente diferente da Bíblia (O Livro), o Alcorão é conhecido como a Constituição Muçulmana, ele é mais rigoroso, se a Bíblia não pode ser considerada a palavra de Deus, visto que, seus ensinamentos passaram de pai para filho, e devido ao longo período, a procura de um papiro e um pergaminho para anotações que se esvaiam das mentes humanas, imaginem o alcorão que surgiu 622 anos depois de Cristo; está repleto de fatos que podem ter sido considerações do próprio Maomé, poucas pessoas sabem que o próprio Maomé sofria de uma enfermidade que hoje é conhecida como epilepsia, muitos adeptos quando ele estava em crise imaginavam que os poderes de deus estavam se manifestando no próprio.

Ilton Schwantes, metodista, é imperfeito, igual a todos os seus irmãos terrestres, o que se pode fazer é respeitar sua opinião, mas não aceitá-la. Em alguns pontos ele está com a razão, mas se formos analisar com certo rigor; a Bíblia, ela pode ser vista de três formas: Literal, Simbólica e Alegórica, alguns de nossos irmãos só aceitam a parte literal sem tirar um ponto e uma virgula, o pior de tudo que todos nós sabemos que a pontuação só surgia na Idade média, imagino como era um sofrimento cruel, para compreender os fatos narrados na mesma.

Os Evangelhos de Jesus mostra um Deus mais contemplativo, bondoso, caridoso, amável e para os neófitos surgirá um pergunta: Deus tem duas personalidades, uma má e outra boa? Assim, como Deus enviou Jesus a terra, mandou também Jeová, neste ínterim é que podemos visualizar nos dois personagens o livre-arbítrio com certeza.

Fatos horrendos são narrados no Velho Testamento, enquanto no Novo, coisas maravilhosas que confortam nossos corações. Só que esta junção do Antigo Testamento e dos Evangelhos de Jesus, tiveram como mentor a Igreja Católica, batizando os evangelhos de Jesus de o Novo Testamento.

Vale também salientar que Maomé teve uma vida relativamente boa, pois se casou com uma mulher de muita posse na época, queria ressaltar o trabalho da ilustre jornalista, muito oportuno por sinal, mas que jamais ficou consignado a não existência do patriarca Abraão. Quem já leu os quatorze capítulos do Gênesis concordará com minha modesta opinião, nossa repórter preocupou-se em colocar em sua reportagem aspectos mais científicos que relatam fatos ocorridos no decorrer do tempo até os dias atuais.

De uma coisa podem ter certeza: A iniqüidade é a falta de equidade, e a justiça revoltante. O iníquo é o homem perverso, criminoso, seja ele juiz, doutor, nobre, rico, pobre, rei. Na esfera moral, mesmo aqui na terra, não se distinguem os homens pelo dinheiro e pelos títulos que possuem, mas sim, pelo seu caráter. O iníquo não tem caráter, ou, por outra, tem caráter iníquo, pervertido.Na Parábola do rico e Lázaro, Deus não se deixa levar pelo preconceito; Deus não se deixa levar pelo juízo humano.

Que é o seio de Abraão? Que é Hades? É isto que precisamos saber para melhor compreendermos a parábola do grande Mestre. A verdade que ainda ninguém tomou conhecimento; a população mundial está dominada por uma tríade devastadora: Política, Religião, Ciência; Política sem ideal e sem caráter, Religião sem fé, Ciência sem sabedoria.

Todas as baixezas que caracterizam e deprimem a pobre humanidade, todas as enfermidades físicas, morais e espirituais que afetam os homens, tem fundas raízes nessa árvore genealógica de todos os vícios e paixões más, que bestializam as pobres almas e as agrilhoam a esse terrível suplicio de Tântalo.

Nos governos, como nas igrejas e nas academias, lavra desoladamente o dolo, a má fé, a fraude consciente, o monopólio das posições para a exploração do direito das gentes, o espírito de mercancia que na pretensão astuta de poder; de crer e de saber, não respeita a justiça, espezinha a caridade e agride a verdade, a célica virtude à qual Cristo dedicou uma vida inteira. Assim seja.

Antonio Paiva Rodrigues é aluno do Curso de Comunicação Social/Jornalismo.