Jesus

Antonio Paiva Rodrigues

“Quando o homem valente, bem armado, guardar a sua casa, os seus bens estarão seguros; mas quando sobreviver outro mais valente do que ele o vencer, tirar-lhe-á toda a armadura em que confiava e repartirá os seus despojos”.
(Lucas, XI, 21-22.).

A vida de Jesus vendo causando controvérsias com o passar do tempo, visto que, a Bíblia, esconde o período em que o menino Jesus esteve neste orbe dos treze aos trinta anos. Na minha simplicidade, pois assim fui criado, procuro emitir um parecer que julgo plausível, respaldado pelo que tenho lido no decorrer de minha aprendizagem espiritual, através desta maravilha Doutrina, que é a Espírita.

Alguns exegetas, doutrinadores, escritores, oradores procuram expor opiniões, as mais diversas possíveis, mercê de suas “inteligências” e “conhecimentos”, pelos estudos auferidos da doutrina mais bela do mundo. Diante de tais fatos, quero salientar que não somos dono do mundo e a diversidade de deduções mostra ou denota que alguém está errado, ou interpretando a doutrina ao seu bel-prazer.

Outro assunto que tem causado um certo impacto e espanto é, o que se sabe, a respeito de Jesus e o Espírito da Verdade; muitos confrades afirmam ser Jesus o Espírito em alusão. Não concordo com esta afirmativa e os que assim procedem, apesar de mostrarem certo conhecimento do Espiritismo, estão distorcendo fatos. Já ouvi alguém de sã consciência afirmar que o Espírito da Verdade é Jesus e aí indago: é ou não é?

Lendo um artigo de um confrade Fernando A. Moreira, concordo com ele eu gênero, número e grau, senão vejamos: “Não consigo imaginar Jesus, por três horas seguidas dando pancadas na parede do escritório de Kardec, para lhe avisar que, na trigésima linha de seu trabalho havia cometido um erro”. Ora, se Jesus quisesse participar com representatividade da Codificação, o faria dando todas as mensagens durante todo o tempo, de maneira clara, insofismável e com inigualável alumbramento em todas elas, como sempre fez, como lhe seria permitido como Governador deste planeta.

Existem os mais exaltados que não admitem sequer uma opinião, o que dizer? Tenho que engolir sem contestar? Não. Não é o meu caso, pois apesar dos meus parcos conhecimentos procuro unir o útil ao agradável. Jesus não teria nenhuma razão para esconder-se sob qualquer denominação.

Faltaria o motivo da incógnita, como frisa muito bem nosso confrade em alusão. Lembremo-nos que quando o Mestre aqui esteve, não deixou nenhum escrito ou mensagem, delegando poderes a seus apóstolos, confiando-os que eles seriam capazes de transmitir condignamente seus ensinamentos, as futuras gerações.

“Sob o nome de Consolador, de espírito da Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera, nada ficaria esquecido, como também o que poderia ser desvirtuado com o passar do tempo e a falta de interesse da população, daquela época e de hoje”. Por ele foi dito que, o Espírito da verdade viria tudo restabelecer e de combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinamentos”.

A polêmica causada e as dúbias interpretações de alguns de nossos irmãos, talvez, tenham origem numa mensagem recebida por Kardec, em que, o emissor teria assinado a mesma com o nome de Jesus, outros afirmam que essa mensagem está verdadeiramente assinada por Jesus de Nazaré. Esta mensagem foi guardada por muito tempo, já que, merecia um estudo mais aprofundado, para certificação de sua autenticidade e posterior divulgação.

Lembremo-nos de uma passagem bíblica que afirma, Jesus se recolheu ao deserto e jejuou por quarenta dias e quarenta noites, foi tentado por um espírito inferior (demônio, satanás), induzindo o mestre a cometer certos atos indignos a sua pessoa, oferecendo-lhes coisas impossíveis, que Jesus na sua qualidade de Espírito Puro jamais poderia aceitar. Entendo que este acontecimento é mais uma alegoria que verdade, já que, sendo Jesus um Espírito Puro jamais poderia ser tentado por um espírito inferior. Onde ficaria a lei de causa e efeito, e de ação e reação?

O Espiritismo realiza, todas as condições do Consolador que ele prometeu, quem ler João XIV em todos seus versículos, não poderá afirmar ou chegar a conclusão absurda que Jesus prometeu que mandaria ele mesmo como Consolador. Jesus claramente indica que o Consolador não é ele, e tais afirmações são de Kardec, são do codificador, alguns estudiosos conhecidos afirmam com uma certa veemência, que a idéia do consolador prometido saiu da própria consciência de Kardec, não vou embarcar nesta nau, pois corro o risco de naufragar.

Para os neófitos queria esclarecer o seguinte O Espírito São Luiz participou com mais dezesseis colaborações, Santo Agostinho, com onze, O Espírito Protetor com oito, o Espírito da Verdade com oito (Usando as denominações seguintes: Espírito da Verdade, Espírito-Verdade, na maioria das vezes Espírito de Verdade), das Obras Básicas podemos extrair mais de cinqüenta comunicações espirituais.

Sobre o que falei anteriormente a mensagem publicada no L.M: cap XXI, pág 450(publicado em 1861, diz Kardec): “Esta comunicação foi assinada com um nome que o respeito não nos permite reproduzir, senão sob todas as reservas, esse nome é o de Jesus de Nazaré”.

Como já dissemos, quanto mais elevados são os espíritos na hierarquia, com tanto mais desconfiança deve seus nomes ser acolhidos nos ditados. Para um bom entendedor duas palavras bastam. Ou não?

Porém uma coisa deve reconhecer: a superioridade incontestável da linguagem e das idéias, deixando que cada um julgue por si mesmo se aquele de quem ele traz o nome não a renegaria. Para ilustrar esta posição: queria contar um fato narrado por nosso irmão Chico Xavier que nos fala de um cachorro obsessor.

Se for verdade ou apenas um fato hilariante não me cabe julgar. Já te disse que, para ti, sou a Verdade; isto, para ti, quer dizer discrição; nada mais saberás a respeito. A frase em alusão denota claramente a intenção de Kardec e do Espírito Superior em não revelar a identidade do Espírito. É uma grande responsabilidade, Kardec jamais poderia cair numa esparrela, apesar de seus conhecimentos e poderes também fazia parte do rol de Espíritos imperfeitos.

Aqui não vai nenhuma crítica, apenas um alerta, pois dar identidade aos espíritos, querendo suplantar-lhe o desejo de permanecer desconhecidos é cair num grande processo de adivinhação, processos estes em sua maioria fadados ao erro, se temos o direito de desrespeitá-los!

O Espiritismo, A Doutrina Espírita, esta doutrina maravilhosa, o presente mais valioso que Deus nos deu, não foi colocar em evidencia o revelador, mas A Revelação, quer queiram, quer não, é de origem divina; A Verdade foi mais importante do que, revelar o Espírito. Sabemos que ele está presente em toda obra da Codificação. É polêmico? Talvez.

É muita antiga nossa preocupação em conhecermos qual teria sido a aparência real de nosso Irmão Maior, Jesus Cristo e principalmente uma mensagem “repassada por Ele”. O nome de Jesus vem do hebraico; Ieschuach, cujo significado é “Salvador”. Sua vida pública começou pelos trinta anos como nos contam os inúmeros livros escritos por experts no assunto.

Os exegetas não são unânimes em determinar a duração da pregação evangélica de Jesus Cristo. O Islamismo considera-o um grande profeta como Moisés, mais inferior a Maomé. Quanto à comparação a Moisés não concordo, já que Jesus jamais dizimou um ser humano sequer, Moisés em seu furor, ordenou a seus seguidores dizimarem mais de três mil judeus, na busca da terra prometida.

O sinal secreto dos primeiros cristãos, erro o peixe em Roma, no tempo das perseguições, os irmãos de fé eram conhecidos por este símbolo. “Ichthys” “Iesus Chistós Theou Yós”, em português, língua mãe Jesus Cristo, Filho de Deus. Para encerrar esta matéria queria dizer que o profeta Daniel, que conheceu Cristo afirmou: “seus cabelos eram brancos como a neve”.

Deixo aqui mais uma interrogação: Já outros estudiosos dizem o contrário; o cabelo do Mestre é da cor de fogo. Resolvi me prolongar mais um pouco na minha exposição, dando um enfoque especial ao título desta matéria que leva o título de Jesus, nosso Irmão Querido.