Os Evangelhos

Demetri Abrão Nâmi

Os Evangelhos não são, apenas, uma coletânea de preceitos morais, destinada ao nosso aperfeiçoamento espiritual; são, também, fonte de saúde e alegria para os que praticam as suas recomendações.

Jesus, ensinando e exemplificando as verdades nele contidas, fez-se nosso Médico e Salvador, porque a prática destas verdades tem o poder de amenizar nossas penas e de libertar-nos das mazelas morais que nos jungem aos planos de sofrimento.

Já está sobejamente provado que os cristãos sinceros são mais felizes que o comum dos homens. Isto, porque são conformados na dor, fortes diante da adversidade da vida, tolerantes para com as fraquezas do próximo, inacessíveis aos vícios e aos sentimentos malsãos, e, sobretudo, caritativos. Compenetrados da transitoriedade da vida neste abismo de lágrimas, não se apegam aos seus bens, porque sabem que têm de deixá-los. Utilizam-nos sóbria e honestamente, dispensando o supérfluo em prol dos desfavorecidos da sorte.

O que mais infelicita e degrada o homem são as suas maldades e paixões rasteiras, cuja causa reside na ignorância das leis divinas, que o Divino Mestre resumiu nestas singelas palavras: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

E’ da vontade de Deus, do qual somos herdeiros, que todos os seus filhos sejam felizes, pois que os criou para a felicidade eterna, bastando, para isso, que se amem. A sua lei é o Amor. Portanto, ela não pode falhar. Ninguém a infringe, impunemente.

O Amor é a essência de Deus, como se comprova pela harmonia de suas obras infinitas, através das quais Ele se revela.

Houvesse amor entre os homens, e o mundo seria um paraíso.

Deus ama tanto o mundo, que em todos os tempos lhe enviou seus emissários na pessoa dos profetas e do seu Unigênito, o Cristo, e, agora, o Paracleto, personificado no Espiritismo, que teve em Allan Kardec o seu Codificador.

Todos esses arautos da fé, a despeito das incompreensões das épocas em que viveram, pugnaram ardorosamente pela implantação do Amor entre os homens. Mas, estes, livres na escolha, aceitam-no ou rejeitam-no, deles dependendo, unicamente, no futuro, a sua felicidade ou desdita.

Os Evangelhos são, ainda, como dissemos alhures, fonte de alegria. Não desta alegria efêmera, mentirosa, oriunda da satisfação dos sentidos, que macula a alma e gera a morte, mas da alegria espiritual, que brota do imo d’alma, decorrente da reta conduta e da paz de consciência.

Façamos, por conseguinte, dos Evangelhos o nosso livro de leitura de todos os dias. Meditemos, à luz do Espiritismo, nos seus ensinamentos profundos e inesgotáveis, todos eles portadores de luz, beleza e vida, buscando, ainda, refleti-los em nossos atos, pensamentos e palavras. Assim procedendo, estaremos, realmente, empenhados na conquista de uma vida melhor, vivendo em paz com nós mesmos e com o mundo.

Reformador – Abril de 1965