Critérios Mediúnicos

Joana Paes Leme e Cunha

Uma constante dentro da realidade das casas espíritas é o interesse desenfreado de seus freqüentadores pelas práticas mediúnicas. Aliás, depois dos problemas obsessivos, são elas as grandes molas que impulsionam as pessoas a adentrarem as instituições, seja por terem uma visão distorcida dos fenômenos (adquirida através das especulações feias pela a mídia), seja pela necessidade de buscarem notícias de parentes e entes queridos que já transpuseram a fronteira entre a vida e a morte.

Dessa forma, tão logo chegam à casa espírita, querem participar dos grupos mediúnicos, na tentativa de satisfazer aos seus interesses imediatos. E, diante da negação, muitos não a compreendem e desistem de permanecer na instituição, buscando outros centros, acreditando-se injustiçados.

Algumas casas, tão logo a pessoa demonstra interesse pelas reuniões mediúnicas, tratam de apressar a sua freqüência em tais ocasiões, sob alegação de que precisam "segurar" o indivíduo na instituição, para que ele não enverede por "outros caminhos".

Primeiramente, centro espírita algum tem a função de segurar as pessoas: se procuram sedimentar um corpo de trabalhadores, deve buscá-los entre todos os que, de boa vontade, se predispõem às atividades gerais e se interessam pelo estudo da Doutrina.

Em segundo lugar, instituições que agem de tal forma é que incorrem em caminho incorreto, desvirtuando todo o caráter sério do Espiritismo e coibindo a liberdade das pessoas, visto quererem "amarrá-las" aos trabalhos da casa.

Há quem diga que é uma questão de segregação por parte daqueles que estão à frente das tarefas; mas não, é questão de responsabilidade, pois toda atividade em setor específico reclama dos seus executores conhecimentos também específicos e relativos à respectiva área a que se destinam, e da mesma forma é com a Doutrina Espírita. Principalmente as reuniões mediúnicas, ponto delicado do estudo espírita, onde se lida diretamente com o psiquismo humano, tanto de encarnados quanto de desencarnados, solicitando um mínimo de equilíbrio e conhecimentos, em benefício próprio e do grupo em si.

As reuniões mediúnicas não são restritas porque é preciso algum tipo de iniciação ritualística ou porque envolvem "mistérios do desconhecido". Nelas são trabalhadas energias muito sutis, onde os espíritos infelizes são levados para que sejam tratados de suas chagas morais, e a menor fuga a este objetivo, por parte de um único componente do grupo que esteja despreparado, pode levar todo o trabalho à ruína.

Assim, para dedicar-se à atividade mediúnica, é preciso, antes, dedicar-se ao estudo dos fenômenos, buscando compreender as suas peculiaridades, bem como as suas implicações, obedecendo aos devidos critérios exigidos pelo bom senso e observando a recomendação do Espírito de Verdade: "Espíritas! (...) instruí-vos..." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.VI, item 5).

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