Doutrinadores - Dez princípios para o diálogo com os espíritos

Fred Azze

  1. Seja objetivo - não fale mais que o comunicante!
  2. Identifique o "ponto de bloqueio emocional" do espírito sofredor, e trabalhe exclusivamente sobre ele - não é hora de pregar a Doutrina e as verdades do Evangelho.
  3. Converse naturalmente, de pessoa para pessoa, dispensando o estilo afetado de pregação e as figuras de retórica - você não estará se exibindo para um auditório; ganhando uma alma todos sentir-se-ão edificados!
  4. Use, mas não abuse, do recurso da prece, percebendo os casos e os momentos em que ele se faça indicado - a "ladainha" aborrece a todos, inclusive o Alto!...
  5. Nunca polemize com os Espíritos: entenda-os e convide-os a observarem o andamento dos trabalhos e o desfilar de casos humanos que por eles passam, tirando suas próprias conclusões. Reconheça-se desprovido de recursos intelectuais para discutir e demonstre seu respeito e apreço pelo comunicante - nossa missão é encontrá-lo, jamais vencê-lo!
  6. Não repreenda o irmão em dor - compreenda! Entenda as suas razões, identificando-se com a sua realidade psíquica e encontre uma saída lógica ( doutrinária) para o companheiro - " Os tribunais inquisitoriais" são privilégios exclusivos das trevas!
  7. Jamais aceite a condição de modelo ou orientador - somos apenas companheiros de infelicidade em momento favorável para estender as mãos!
  8. Seja amoroso, fraterno, sem contudo ser meloso. Diante do desequilíbrio nervoso, sarcasmo ou ironia do Espírito comunicante, use de energia com doses precisas. Doutrinar é uma tarefa de amor, amor não dispensa a convocação à razão.
  9. Dispense a impaciência de encurtar a conversa apelando para o "Você já morreu"!... Não há porque acrescentar-lhe novos fatores de desajustes! O Espírito em perturbação precisa apenas de equilíbrio emocional e esperança.
  10. Molde clichês-mentais positivos, recorrendo ao sentimento de confiança em Deus e na vida, que a Doutrina Espírita oferece àquele que erra nas trevas; a luz se chama Caminho!

Eis aí, amigo doutrinador algumas idéias diretrizes para a sua reflexão, lembrando ainda que nossa tarefa requer sempre: Muito estudo; Meditação; Renovação constante sob a luz do Evangelho.

Revista Espírita Allan Kardec, ano VII, nº 27.