Mediunidade não é Espiritismo

Jorge Gomes

Há confusões absurdas que estão a ser desfeitas, graças ao maior estudo deste assunto.

É bem o caso de espiritismo não ser mediunidade.

Ele é doutrina. Ela é fenômeno que está bem longe de só existir ligado aos espíritas.

Tanto a diferença é notória que, em referência concreta da doutrina e do fenômeno às pessoas, foram criados por Kardec os neologismos espírita e médium, naturalmente com significados bem distintos. O primeiro é o adepto da idéia. O segundo é a pessoa que tem faculdades mediúnicas (aquelas que permitem intercambiar informação entre este plano de vida e o post mortem; o médium é o intermediário entre duas dimensões: a espiritual e a material).

O espiritismo não só em nada se assemelha a bruxarias, superstição ou crendice, como não é já o dissemos também mediunidade. A mediunidade, enquanto fenômeno paranormal não utilizado, é neutra, serve para o bem ou não. O espiritismo aponta sempre a edificação do bem. Mas, na prática, há sempre uma utilização do fenômeno mediúnico! Aqui devemos falar de mediunismo, que é o já dito fenômeno praticado de acordo com as idéias próprias de quem o pratica, quaisquer que elas sejam.

Existem, por exemplo, os chamados sincretismos afro-religiosos, como a umbanda e outros, e existem, por igual, pessoas habituadas às religiões tradicionais que, talvez por se sentirem insatisfeitas, verificando a existência concreta do fenômeno mediúnico, passam a praticá-lo, juntando-lhe as suas idéias pessoais. Depois, usam e abusam da palavra espiritismo e dizem-se espíritas sem o serem. Mas isso pouquíssimo tem a ver com a doutrina espírita. E porquê «pouquíssimo»? Simplesmente porque o elo comum, único e singular é a mediunidade. Mediunidade que é neutra, não tem valores próprios, pois depende dos valores de quem a utiliza e para quê.

O texto acima é de autoria do Sr. Jorge Gomes - Vice Presidente da Federação Espírita Portuguesa.