Posições Mediúnicas

Jorge Ândrea dos Santos

Quando a energética espiritual alcança a faixa hominal, portanto, participando do processo de conscientização, muitos fatores de importância despontam, salientando-se, entre os mesmos, como o de maior interesse da vida social humana, a responsabilidade.

Este fator estará sempre condicionado ao grau de evolução do homem. Quanto mais evoluído, maior a sua responsabilidade em face do processamento da vida; quanto menos evoluído, menor a responsabilidade pela ausência de conhecimentos e reduzido campo de experienciações.

Quando a energética espiritual abandona a faixa fragmentária do psiquismo, característica do setor animal, tende a um processo de totalidade a refletir-se em percepção psíquica do conjunto, onde os mecanismos do raciocínio, mais bem arregimentados, são acompanhados pela intelecção e campos emocionais mais ajustados. Nesta fase, os fenômenos paranormais, já existentes desde o psiquismo fragmentário, mais bem se expressam pelo campo enriquecido da consciência.

Se observarmos o processo evolutivo do psiquismo em face aos fenômenos mediúnicos e naturalmente relacionando-os com uma maior sensibilidade do ser, teríamos, como degrau inicial, o chamado mediunismo; pelo exercício e adequado desenvolvimento caminharíamos para mais uma expressiva posição e que poderemos denominar, com Kardec, de mediunato.

No mediunismo teríamos uma faixa fenomênica bastante ampla, alcançando os parâmetros da escala animal. O animal não tem mediunidade, mas pode perceber inúmeros fenômenos paranormais inclusos na categoria do mediunismo; pode participar da vidência, audiência, etc, mas será incapaz de ser medianeiro de uma idéia, pelo seu psiquismo ainda fragmentário que não oferece condições intelecto-emocionais. Assim, a faixa fenomênica mais evoluída dos fatos paranormais, caminhando em estrutura psíquica mais adequada e quando exercitada nas trilhas de uma ética bem desenvolvida, estarão enquadradas nas vivências harmônicas da mediunidade, ou seja do mediunato.

Diga-se, também que, na espécie humana, onde o psiquismo já apresenta condições de entendimento pela intelecção, muitos fenômenos mediúnicos, desordenados e sem alcance ético, devem ser enquadrados em simples mediunismo; isto é, o fenômeno se dá, porém com características ainda rústicas e sem comportamento ajustado, por não existir uma real compreensão dos seu alcance e finalidade.

Em tudo isso entra em jogo um fator de muita importância que é a compreensão, pelo médium, das finalidades e razões do fenômeno mediúnico. Foi aí que a Doutrina Espírita teve capital influência quando muito bem situou toda a fenomenologia do psiquismo que se tem revelado em variadas angulações, às nossas percepções.

Assim, podemos falar em comportamento do médium onde múltiplos elementos poderão ser anotados: a educação, o caráter, o tipo psicológico, o meio ambiente de trabalho, o orientador e o de maior importância que vem a ser da Doutrina Espírita.

Diante desses fatos, com inúmeros parâmetros, podemos aquilatar a influência sobre a desenvoltura do fenômeno mediúnico que, quando ajustado, apresentará positividade em qualquer das trilhas seguidas. Quem já traz consigo a sensibilidade mediúnica, com variações e nuanças de acordo com o biótipo psicológico e ampliadas nos exercícios calcados em bases morais condizentes com a ordem e a harmonia, é claro que irá apresentando, no dia-a-dia, uma autêntica conquista construtiva. De um simples vagido de mediunismo na espécie humana, pode-se alcançar, pelo ajustado trabalho, o mediunato; mediunato que traduz felicidade pelo dever cumprido. Em toda estrutura do processo mediúnico a ética de uma moral sadia assegura os alicerces de aquisições para o Espírito, representando, também, proposições liberatórias em todas as latitudes e, principalmente, nos casos de mediunidade de prova.

Sem sombra de dúvida conclui-se que a fenomenologia mediúnica, com sua característica de espontaneidade, reflete-se sempre pelo seu próprio impulso; isto é, a mediunidade existe desde o inicio, em graus bem específicos a cada ser. Cabe ao médium melhorar com exercícios adequados, educação, elastecimento de fraternidade e tantos outros fatores positivos da vida, a estruturação do mecanismo. É como se a mediunidade para desenvolver-se em condignas posições, necessitasse do bem como combustível ideal.

Toda a estruturação do fenômeno mediúnico, em tese, se faz na zona perispiritual, zona em que a mensagem do Espírito comunicante encontra conotações vibratórias com o receptor - o médium. Este, após processo elaborativo nas desconhecidas paragens do inconsciente ( ou zona espiritual) transfere, sem conhecimento do mecanismo em apreço, para a zona consciente, o teor da comunicação ou mensagem, que será revelada de acordo com suas próprias condições psicológicas.

Podemos dizer que, por mais segura e ajustada seja uma mensagem, existirá sempre o "colorido" do médium. A máquina mediúnica, mesmo sem modificar o teor da mensagem, mostra a "impressão" metabolizada em seu arcabouço psicológico. Daí, a predileção por este ou aquele médium que melhor possa traduzir o componente intelectivo-emocional dos variados comunicantes.

Qualquer que seja a variedade de mediunidade que o sensível revele terá de ser sempre estruturada no trabalho fraterno e no ajustamento de propósitos, evolutivos, a fim de que uma rota possa ser percorrida com objetivação e finalidade.Ninguém poderá alcançar os degraus maiores e ideais da vida sem passar e vivenciar os degraus inferiores que lhe serviram de lastro e alicerce.É no trabalho condigno do dia-a-dia reservado a cada ser, que conseguiremos iluminar os nossos caminhos e melhor perceber os horizontes excelsos que nos aguardam.

Revista "Presença Espírita".