Prática Mediúnica

Rodrigues Ferreira

Com a excelência das técnicas modernas de comunicação, os noticiários espíritas conseguem penetrar nos mais recônditos ambientes, impressionando tanto pela lógica do arrazoado como pela comprovação através dos fatos espontâneos.

Sendo muito espalhada a mediunidade entre as criaturas, evidencia-se logo a necessidade de um tratamento adequado para com os médiuns.Muitas pessoas gostam de lidar com os problemas fenômenicos, mas não se abalançam para ombrear com os confrades nos mourejamentos diuturnos dos Centros Espíritas.Talvez porque existam muitos distúrbios diretivos; talvez porque muitos líderes se julguem e ajam como se fossem os donos da Instituição; talvez porque lá existam problemas de ciúmes e despeitos a se extravasarem claros e dominantes; talvez porque a opinião pública faça mau juízo dos freqüentadores dos núcleos oficiais; talvez porque a própria família possa não entender muito bem uma prática declarada; talvez, ainda, porque fosse muito elegante lidar com os fatos, apenas, sem um compromisso mais profundo...O certo, é, que há um grande contingente de simpatizantes do Espiritismo , que não freqüenta os Centros, ainda que sintam tal necessidade..E como não podem deixar de atuar, aliviando a própria situação, elaboram seus próprios trabalhos práticos em casa.É sobre estes que versa a nossa análise de hoje.

Em primeiro lugar está a própria irrelevância motivante da não freqüência aos Centros o que justifica dizer-se que não se deve fazer sessão mediúnica em casa.Os Centros são obras assistenciais do mais subido valor.A Doutrina Espírita aplicada constitui um dos maiores benefícios que se possa fazer a alguém e é nos Centros que ela se concentra para arremessar-se às multidões.O simples apoio ao Centro já é, portanto, uma utilidade que se presta, e, conseqüentemente, o não apoio passa a ser um mal, por ausência de bem.

As sessões mediúnicas em casa trazem uma série de inconvenientes que importa considerar:

  1. O desconforto material ofertado aos presentes, constantemente mal acomodados, em locais improvisados e de trânsito difícil.
  2. A falta de adequação geográfica determina uma conveniência de encerramento rápido dos trabalhos, impedindo estudos competentes.
  3. Além disso, as pessoas mais conhecedoras da D.E. nunca estão presentes, ocupadas que se acham em trabalhos doutrinários nos Centros que as reclamam e jamais dispensam.Assim, as sessões caseiras não estão, em regra, orientadas por pessoas informadas.
  4. A execução do trabalho traz para o lar um conjunto de Espíritos infelizes, enfermos e perturbados à procura de uma solução para os seus males.Estas soluções, mesmo que existam, nunca são tão rápidas, levando-os, portanto, a permanecerem no local, à espera.Já se vê a inconveniência de transformar-se o lar, constantemente com crianças, em ponto de estacionamento para Espíritos sofredores e, não raro, perversos.Por mais que compareçam Espíritos bons, que se proponham a ajudar, as leis de tratamento nunca são feitas em base de violência e choque de opiniões.Impera o merecimento e o desmerecimento.Se a sessão já começara com um motivo inglório, não conseguirá benefícios de exceção para desfazer as conseqüências negativas filhas da invigilância.
  5. As emanações mentais enfermiças dos Espíritos infelizes podem impregnar os locais de residência, incidindo sobre pessoas, muitas vezes despreparadas, com prejuízos não previstos.
  6. A oferta da residência para visitas constantes de Espíritos desordeiros e malfeitores pode tornar-se um hábito perigoso e esses Espíritos sempre comparecem em trabalhos mediúnicos não pautados pelos moldes ilibados de moral e produtividade.E quem de nós pode jactar-se de conviver numa atmosfera de alta moralidade?
  7. A exemplificação negativa que as sessões caseiras trazem, já não encaminhando os iniciantes aos Centros para os testemunhos mais sérios, já competindo com as próprias células legais, enquanto deixam de ministrar ensino correto da Doutrina Espírita.
  8. O prejuízo ao Movimento Espírita local é incalculável, quando existem muitas residências que fazem as sessões próprias.Faltando força ao Movimento não haverá promoções doutrinárias de valor, tais como semanas espíritas,concentrações de juventude, campanhas de livros espíritas e muitas outras, que divulgam os benefícios da crença ao mesmo tempo que motivam e encorajam a procura e interesse pela Doutrina.
  9. A afirmação do menor esforço é um outro ponto negativo.É claro que vai surgir o vicio de procurar-se um atalho para quaisquer soluções desejáveis.
  10. A rudimentaridade dos conceitos e práticas atuando como fator de estacionamento na fase inicial do conhecimento, já seria um bom motivo para preferir-se não freqüentar e não se apoiar em tais sessões.
  11. A situação de residência familiar já não seria um empecilho para as Entidades benfeitoras promoverem a presença de aparelhagens e técnicas muito conhecidas dos freqüentadores das sessões práticas nos Centros Espíritas?
  12. Um último aspecto a citar-se, diz respeito ao ambiente psíquico da sala.Segundo alguns autores, entre eles Torres Pastorino, em seu livro " Técnica da Mediunidade ", a Espiritualidade Maior prepara o local previsto para trabalhos práticos com grande antecedência, aplicando técnicas espirituais convenientes, para evitar-se um carregamento elétrico prejudicial ao melhor aproveitamento da reunião. Coadjuvando estes cuidados os encarnados não deveriam entrar nas salas de trabalhos, pelo menos umas três horas antes do seu inicio, para não provocar ionizações indesejáveis através do próprio movimento de corpos no ar.

Agora perguntamos: seria possível isolar completamente um local, em uma casa residencial?

Com tantos aspectos falhos as sessões caseiras não poderão ofertar soluções aceitáveis para os problemas psíquicos mais comuns.

Revista "Presença Espírita".