Preciosa Ferramenta

Davilson Silva

A mediunidade é ferramenta valiosíssima sim, senhor!, e acima de tudo, muito importante como instrumento de educação e progresso. Alguns dirigentes deveriam considerar os portadores de certas aptidões mediúnicas ostensivas, pessoas que, geralmente, apresentam fortes sintomas obsessivos, aqueles desequilíbrios naturais do início.

Não podemos ver a mediunidade como algo desnecessário e prováveis médiuns como meros obsedados. Não se pode subestimar quem mostre algum desequilíbrio em vista da mediunidade aflorada e, nem sempre, estes necessitam apenas fazer imediato tratamento antiobsessão e curso de Espiritismo.

Assisti ao depoimento de um rapaz que se dizia feliz por não mais experimentar a “pavorosa” levitação do colchão de sua cama com ele deitado sobre este. Há algum tempo, em um programa de TV espírita, um moço mostrou-se eternamente grato ao apresentador e entrevistador desse programa, também dirigente de conhecida federação, por tê-lo encaminhado ao tratamento espiritual. Segundo ele, depois dos passes, o fenômeno, “graças a Deus, cessou!”, e isto me fez recordar aqueles testemunhos televisivos em que se atribui responsabilidade de tudo ao Diabo...

Por que esse tal dirigente não acompanhou o desenrolar dos fatos, além de somente conduzir o moço à terapia de passes? Quantas outras ocorrências interessantes, passíveis de observação não devem ter sido levadas em conta, sem lhes darem a menor importância! Gente! Deus jamais criou algo supérfluo! Qualquer tipo de fenômeno acontece consoante Seu consentimento e há de possuir algum proveito.

Onde estarão os pesquisadores espíritas de agora? Será que Almas da qualidade de um William Crookes, Alfred Erny, Epes Sargent, Gabriel Delanne, A. Aksakof, Charles Richet e outros se extinguiram para sempre? Por que em tempo algum se soube de nenhuma comunicação destes Espíritos? Ah! Mas alguém há de me contestar: “Há assuntos mais importantes”...

Houve um tempo em que aqueles homens encaravam médiuns e fenômenos como algo digno de se levar em consideração, com seriedade, daí, esses sábios consagrados em seus respectivos misteres produzir obras do valor de Fatos Espíritas (Crookes), O Psiquismo Experimental (Erny), O Fenômeno Espírita (Delanne), Animismo ou Espiritismo? (Bozzano), Animismo e Espiritismo (Aksakof), Física Transcendental (Zölner), etc.

Desdenhar da manutenção do intercâmbio espiritual é desdenhar da sabedoria e misericórdia de Deus. Há quem pregue a abstração de médiuns com respeito a aparelhos eletrônicos: tais aparelhos "substituiriam" tranqüilamente os médiuns. Ouvi de alguém este asserto: “só existirá no futuro um tipo de mediunidade: a intuitiva”. Desde já, menosprezam, por exemplo, a psicofonia.

Aparelhos eletrônicos não podem substituir as propriedades psíquicas de um médium. Nenhum circuito contendo válvulas, semicondutores, transdutores, etc. ou circuitos constituídos de componentes miniaturizados, montados em uma pequena pastilha de silício, ou de outro material semicondutor poderá fazer as vezes do sistema nervoso e estímulos, da corrente elétrica originária do cérebro e do campo magnético que possibilita a geração do fluxo da carga energética de essência eminentemente divina. Vai demorar muito certas faculdades tornarem-se coisas imprescindíveis (haja milênio, creio eu!).

Se certos dirigentes não dão a mínima atenção a certos fenômenos, que dirá a certos médiuns! Alguns até acham que médium não é nada, e se perde grande oportunidade de, quem sabe, obterem-se resultados morais e intelectuais de proveito geral. Ora, antes de tudo, qualquer médium é um filho de Deus como qualquer outra pessoa, merecedora de todo o apoio e respeito. Alguns pensadores espíritas julgam perda de tempo desenvolver-se, por exemplo, médiuns de efeitos físicos; para eles, já disseram, já provaram tudo, principalmente no que consta de obras conforme psicografias de Chico e de Divaldo.

Quanto à psicografia, em particular, a que tanto Allan Kardec deu maior importância, por razões óbvias, por que os dirigentes não pesquisam seus médiuns psicógrafos? Será que todo mundo sentado à mesa recebe mesmo mensagens escritas do Além, é realmente médium psicográfico? Por que já ouvi isto em certas casas espíritas de certos médiuns: “Será que foi mesmo um Espírito ou eu que escrevi?”

Por que não inquirir de alguns Espíritos cujas assinaturas constam dos “romances mediúnicos”? Donos de editora que se intitula espírita não deveriam só dar maior importância à parte comercial que certos trechos enigmáticos, confusos e, às vezes, anti-doutrinários; deveriam, sim, adotar, quando necessário, chamar o médium e o autor desencarnado, indagá-lo a respeito de certas idéias que não ficaram claras (tal como faria Kardec), obter, inclusive, a biografia desse autor em nome da credibilidade.

Outras perguntas: por que o Espírito André Luiz nunca foi questionado através de médiuns de diferentes núcleos espíritas? Por que aqueles que contestam o Espírito Emmanuel, por causa da obra A Caminho da Luz, não o convocou até hoje para que se justificasse? Será que além de Chico Xavier, Yvonne Pereira e Divaldo Pereira Franco não existe nem ao menos um médium competente em nossa terra?

Não. Ninguém pode garantir que não há nenhum médium idôneo. Sei de um caso de um médium, por sinal sonambúlico, que materializa Espíritos (mediunidades raríssimas!), o qual, antes, detestava religiões e em tempo nenhum admitia a existência de Deus. Certo dia, depois de muito sofrer por opor-se a aceitar a sua condição de médium, procurou desesperadamente ajuda. Ele deixou o orgulho de lado e foi em busca de algum esclarecimento para o seu caso em conceituada casa espírita que se localiza no centro da capital paulista; disse ele em tom de frustração: “Quando cheguei lá, não tive quem me atendesse como deveria”...