No Centro de Mensageiros

Orson Peter Carrara

Mineiros do Tietê – SP

O trabalho relativo às mãos humanas, somado aos esforços dos espíritos e acrescido do lúcido pensamento espírita, fizeram-nos alcançar o terceiro milênio com mais amadurecimento intelectual e psicológico e com outra visão sobre os destinos humanos, as lutas e perspectivas futuras de progresso, entendimento e felicidade.

Este é o título do capítulo três do importante livro "Os Mensageiros" (André Luiz / Chico Xavier – ed. FEB). Neste magnífico capítulo do livro referido, há advertências de grande profundidade para médiuns e trabalhadores espíritas em geral, em tema específico da seara espírita.

Convido o leitor a buscar seu exemplar para ler o capítulo na íntegra, estendendo-se depois para a obra toda para meditar na relação Doutrina e trabalho espírita.

Apesar das dificuldades humanas, prossegue a Doutrina e seu movimento com realizações de grande alcance em favor da Humanidade, seja pelo conforto e esclarecimento que proporciona, seja pelos resultados já alcançados na Terra nestes quase 150 anos de Doutrina Espírita.

Não resta dúvida que o trabalho relativo às mãos humanas, somado aos esforços dos espíritos e acrescido do lúcido pensamento espírita, fizeram-nos alcançar o terceiro milênio com mais amadurecimento intelectual e psicológico e com outra visão sobre os destinos humanos, as lutas e perspectivas futuras de progresso, entendimento e felicidade.

O capítulo acima citado dá conhecimento sobre a preparação de trabalhadores, espíritas ou não, com vistas a auxiliar o progresso humano, em todas as áreas do conhecimento. Encarnando-se com tarefas definidas, e para isso preparados antes da encarnação, assumem compromissos de alta importância no trabalho de melhora do planeta, na colaboração com a evolução dos irmãos em humanidade, enfim com o progresso em geral das artes, da tecnologia, da religião, das conquistas sociais, etc.

Procuremos conhecer trechos do citado capítulo: "(...) Longas fileiras de médiuns e doutrinadores para o mundo carnal partem daqui, com as necessárias instruções, porque os benfeitores da Espiritualidade Superior, para intensificarem a redenção humana, precisam de renúncia e de altruísmo. Quando os mensageiros de esquecem do espírito missionário e da dedicação aos semelhantes, costumam transformar-se em instrumentos inúteis. Há médiuns e mediunidade, doutrinadores e doutrina, como existem a enxada e os trabalhadores. Pode a enxada ser excelente, mas, se falta espírito de serviço ao cultivador, o ganho da enxada será inevitavelmente a ferrugem. Assim acontece com as faculdades psíquicas e com os grandes conhecimentos. A expressão mediúnica pode ser riquíssima, entretanto, se o dono não consegue olhar além dos interesses próprios, fracassará totalmente na tarefa que lhe foi conferida. Acredite, meu caro, que todo trabalho construtivo tem as batalhas que lhe dizem respeito. São muito escassos os servidores que toleram dificuldades e reveses nas linhas de frente. Esmagadora percentagem permanece à distância do fogo forte. Trabalhadores sem conta recuam quando a tarefa abre oportunidades mais valiosas. (...)"

Dirigentes, trabalhadores e médiuns em geral, precisamos todos ficar bastante atentos no desenvolvimento das tarefas que desempenhamos. Somos meros tarefeiros, é lógico, mas isto não nos isenta dos compromissos assumidos antes da encarnação, onde muitos de nós recebemos preparação para desempenhar as tarefas com coerência e especialmente honestidade frente aos postulados da Doutrina Espírita. Retornar depois de muitas lutas, com o sentimento de fracasso pode nos trazer muitos constrangimentos e a sensação de trabalho incompleto, convidando-nos à nova postura e talvez com dificuldades duplicadas ou inesperadas. Já temos conhecimento que a Revelação Espírita visa melhorar o homem, transformando-o num homem de bem. Já vimos no trecho acima transcrito que todo trabalho construtivo tem as batalhas que lhe dizem respeito, com presença das lutas próprias – internas e externas em toda sua amplidão -, mas a vitória da perseverança e da dedicação trarão alegrias e compensações incomparáveis no futuro.

Sejamos nós os trabalhadores do entendimento, da união, da concórdia, para favorecer a redenção humana, conforme convite de O Espírito de Verdade em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (cap. XX, Os Obreiros do Senhor), em coerência com os compromissos assumidos antes da encarnação, senão especificamente mas pelo menos no contexto geral do Evangelho...

O fogo forte das linhas de frente, o recuo diante das oportunidades de trabalho oferecidas ou o uso da influência pessoal para dividir, são temas para reflexão individual e grupal. Estamos todos envolvidos com os Centros e o Movimento Espírita. Cabe-nos dar continuidade ao programa estabelecido pelos Benfeitores, muitos deles patrocinadores de nossa vinda, dos quais somos meros alunos em aprendizado, cumprindo um compromisso assumido com vistas à própria evolução.

Dirigente Espírita N.56