O livro e o dirigente espírita

Dulcídio Dibo

São Paulo – SP

Numa análise geral da Sociedade Brasileira, observa-se que a força do capital econômico, unida ao conhecimento tecno-científico de ponta, como a informática, coordenam o poder hegemônico dos grupos sociais.

Estes possuem, ao seu dispor, a velocidade da comunicação em geral, bem como o processamento de informações. O primeiro caso é responsável pelo que se chamou globalização; o segundo é responsável pela justaposição – e disputas – de informações que chegam de todos os meios possíveis: imprensa escrita e falada, televisão, internet e outros.

O público em geral opta pela imprensa, pela televisão e, em muitos casos, somente pela internet.

Não obstante, observamos que, no caso da comunicação espírita, especificamente da imprensa espírita – livros, revistas e jornais -, existe não uma justaposição, mas sim uma complementariedade. Em outras palavras: tem-se etapas no processo de informação e divulgação espíritas.

Admitimos que existem etapas do hábito de ler obras espíritas. A primeira etapa é, sem dúvida, a os boletins informativos dos Centros Espíritas e das mensagens psicografadas. É a etapa que o recém-ingresso na Doutrina, ou portador de alguma vivência doutrinária, faz pequena distinção entre a realidade centralizada no Centro Espírita que freqüenta, e a realidade externa ao Centro. Daí a busca necessária por informações e mensagens consoladoras.

A segunda etapa é a dos livros de lazer. Nesta, o recém-ingresso, ou mesmo com alguma vivência doutrinária, "descobre" a existência de livros espíritas, e busca na literatura de lazer o paliativo, também consolador, mas necessário à elaboração de sua vivência e manutenção permanente na Doutrina.

A terceira etapa corresponde, justamente, à leitura de obras formativas doutrinárias. Descobre, então, a importância e necessidade de adquirir bons livros que trazem conceitos e princípios espíritas para a organização de seu novo mundo, exterior ao Centro.

É a etapa da leitura das Obras Básicas da Codificação de Allan Kardec, bem como de outras obras edificantes e doutrinárias, formativas de autores desencarnados e encarnados, do passado ou atuais.

Esses autores irão ajudar o recém-ingresso e àqueles que já possuem alguma formação doutrinária a orientar-se e estruturar-se como adulto, na Doutrina.

Essas etapas, contudo, coexistem no tempo e no espaço, e não são excludentes, mas complementares.

Compete, admitimos, ao dirigente espírita, conseguir mostrar isso ao freqüentador-leitor de um Centro Espírita.

(Publicado no Dirigente Espírita no 64 de março/abril de 2001)