Uma Orientação de Emmanuel

Carlos A. Baccelli

Conversando com o nosso Chico Sobre os problemas administrativos de uma instituição espírita, quando, não raro, estamos mais interessados em disputar cargos do que assumir encargos, fazendo prevalecer o nosso ponto de vista e não o ponto de vista doutrinário, ele nos transmitiu uma preciosa orientação de Emmanuel:

- “Diz o nosso Emmanuel que, numa diretoria composta de três elementos, que é o mínimo exigido por lei, em qualquer reunião administrativa que se promova, um deles tem que estar viajando e outro impedido de comparecer.. Assim a obra segue para a frente porque existe POUCA CONVERSA E MUITO TRABALHO.

Refletindo na orientação do estimado Benfeitor Espiritual, concluímos que, de fato, ele está com a razão, porquanto muitas reuniões de diretoria acabam numa polêmica infindável, adiando decisões importantes para futuras reuniões, quando não estabelecem um clima de permanente animosidade entre os elementos do grupo.

(...) A sábia orientação de Emmanuel faz-nos recordar ainda uma sua pequena mensagem psicografada pelo Chico, intitulada “Ação Pronta”, inserida no “Livro de Respostas”, que tem inspirado o trabalho de muitos confrades, incentivando-os a transformar teoria em ação. Hei-la:

“Se a idéia relativa a algum bem por fazer saltou do silêncio para a tua cabeça, não perguntes, demasiadamente, aos outros, sobre a maneira de executá-la.

Comece a trabalhar e o teu próprio serviço trará os companheiros que colaborarão contigo, auxiliando-te a pensar no melhor a ser feito”.

Infelizmente, são muitos os planos que não saem do papel e outros que não se concretizam por culpa dos “perfeccionistas”, aqueles que estão sempre inventariando dificuldades de forma minuciosa e apontando falhas que não se dispõem a sanar, porque ainda não aprenderam o simples ato de “arregaçar as mangas”...

A orientação de Emmanuel não fere o principio de autoridades que deve vigir, portas adentro, nas nossas instituições e não é um convite à rebeldia administrativa. É um alerta para que sejamos mais práticos e objetivos, como objetiva e prática é a Doutrina Espírita, não permitindo que a excessiva formalidade anule as nossas ações espontâneas no Bem.

Conhecemos companheiros que são vítimas da inveja de outros que não fazem e não deixam fazer, São adeptos dos conhecidos chavões: “Não vai dar certo...”; “Isso é perigoso”; “Vamos aguardar; “Você não tem a experiência necessária”; “Eu não entro nessa”; e por ai afora...

Os que ocupam cargos em diretoria necessitam ter discernimento, a fim de que não se façam “pedras de tropeço” para a obra. Foi por isso que Jesus disse que quem quiser ser o maior no Reino dos Céus seja, na Terra, o servidor de todos. Ele mesmo cingindo-se com uma toalha, lavou os pés dos discípulos..

Quem ocupa qualquer cargo diretivo no Espiritismo precisa ainda ter humildade, fazendo-se respeitado pelo exemplo e não pela autoridade que o cargo lhe confere.

Aí está a liderança natural de Chico Xavier, liderança conquistada em 61 anos de abnegação e renúncia.

Considerando-se o último dos servos de Jesus, a sua

vida é um roteiro de bênçãos para quantos desejem acertar mais e errar menos, extirpando d’alma os antigos inquilinos conhecidos pelos nomes de “personalismo”, “vaidade”, “ambição”, “orgulho”...

Não é ao título de presidente ou de médium que devemos aspirar numa instituição, mas, sim, o de servidor!

Analisemos em profundidade a orientação de Emmanuel, verificando se ela não se aplicará a nós ou à instituição que, por mercê do Senhor, permanece só a nossa diretriz.

(FLAMA ESPÍRITA No. 2571)