Fanatismos Religiosos

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Uma onda de posições fundamentalistas tem gerado guerras e revoluções. O fanatismo religioso é uma das chagas que impedem a convivência salutar e fraterna entre as pessoas e as nações.

Atualmente, o crescimento de "ondas" fundamentalistas e a ação destes movimentos contra religiões, ordens filantrópicas e algumas propostas políticas, é uma questão preocupante.

Na realidade, há posições fundamentalistas em todas as religiões. Baseiam-se geralmente num único e definitivo referencial, que pode ser a Bíblia, o Torá, ou o Alcorão. Mas, posições fundamentalistas podem estar alimentando posições políticas. Haja vista o tratamento das questões religiosas e de liberdade de expressão em governos totalitários, como aconteceu durante as ditaduras na Espanha, Portugal e U.R.S.S. e permanece no Irã, Iraque, República Popular da China, Líbia, Coréia do Norte, Uganda e Argélia.

O fundamentalismo, muito localizado em agremiações evangélicas, não aceita movimentos de minorias, a Igreja Católica, o Islamismo, o Espiritismo, os maçons, os judeus e a erudição em geral. A criação de inimigos é parte de uma lógica de sustentação do fundamentalismo, porque estes não aceitam mudanças sociais, políticas e econômicas e têm uma visão apocalíptica de final de mundo. Geralmente, são o seio de muitos "profetas". Contestam os princípios de liberdade religiosa e se opõem ao ensino de teorias científicas sobre evolução.

No momento, os Estados Unidos é o exportador do missionarismo mundial dos protestantes e que têm estreita relação com políticos conservadores, vinculados ao Partido Republicano.

No Brasil, as denominações pentecostais (Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Brasil para Cristo e a Igreja Universal do Reino de Deus) são exemplos dessa tendência, apontada por Descartes de Souza Teixeira. Este autor analisa, em livro que estuda a ação antimaçônica dos fundamentalistas, o crescimento destas agremiações religiosas e sua representatividade política e considera que "é natural e altamente provável que o crescimento do protestantismo no Brasil tenda a engendrar entre nós os fenômenos neofundamentalistas paralelos aos observados nos EUA".

Ao lado dessa ótica externa, parece-nos oportuno uma visão interna, sobre o movimento espírita. Haveria tendência de posicionamento fundamentalista dentro da seara espírita? Evidentemente, que seria totalmente em desacordo com a Doutrina Espírita, assentada no respeito à individualidade e à liberdade de pensamento e na proposta do relacionamento fraternal e solidário entre as pessoas.

O posicionamento consciente e lúcido do espírita, oferece condições de se exercer o espírito crítico para se analisar situações que podem ocorrer dentro do movimento, embora até possa haver a melhor das boas intenções. Posicionamentos de lideranças, de expositores e até de "mentores espirituais" poderiam estar criando hostes de radicalizações, de proibições e de controles? Há respeito à diversidade de situações e de condições de pessoas e de instituições? Um determinado livro, uma instituição específica ou exclusivamente um médium ou um expositor é o único correto? Em diálogos ou em artigos, a tônica é a da "doutrinação"? Há agressividade na forma de falar e de escrever? Há exacerbações de idéias fixas ou de monoidéias? O Espiritismo é tratado como único caminho ou salvacionista?

A penetração de ramificações evangélicas com posições fundamentalistas na mídia e na política é preocupante, mas igualmente deve ser o diapasão assemelhado de comportamentos e de reações que surge aqui e acolá dentro do próprio movimento espírita.

São Paulo – SP

Dirigente Espírita N.56