Será que, realmente, Kardec não considerou o Espiritismo como religião?

José Júlio de Almeida

Religião: Definição etimológica:

“Os autores indicam três possíveis etimologias para a palavra religião.

a) Re-legere – Segundo Cícero, religião viria do verbo latino re-legere que significa a meditação, a consideração atenciosa para com as coisas que dizem respeito a Deus.

b) Religare – Segundo Lactâncio, a palavra religião procede do verbo religare que quer dizer ligar, prender, unir. Desta maneira, religião significa o vínculo moral que liga o homem a Deus ou “religação da criatura ao criador”.

c) Re-elegere – Por fim, segundo Santo Agostinho, religião deriva do verbo re-legere que significa reeleger, reescolher, por isso, religião lembraria o bem supremo que deve ser eleito novamente, quando dele nos encontramos distanciados.

As três etimologias são válidas e realmente indicam aspectos da religião, ajudando-nos a compreender melhor o seu conceito real.

Com efeito, se analisarmos cada uma das definições acima, notaremos a sua importância e nenhuma delas permite qualquer conotação contrária ao fortalecimento do sentimento religioso e da crença no Ser superior. (Extraído do Livro Espiritismo, moral ou religião?, de Natalino D’Olivo, C.E.L.F. Cristã, 1ª Edição, de 1998).

Religião: Definição lógica:

“Religião é o conjunto de pensamentos, sentimentos, atitudes espirituais que estabelecem a relação entre o ser humano e forças superiores, como Deus. Uma religião se caracteriza por uma filosofia e um corpo de princípios morais, que dela derivam, e que devem ser seguidos pelos fiéis.” (Enciclopédia de Psicologia Contemporânea, Vol. V – Livraria Editora Iracema Ltda. – São Paulo – 1980.)

“Religião é o conjunto de relações teóricas e práticas entre o homem e uma potência superior, de quem aquele sente depender e a quem tributa ato de culto, quer seja individual, quer seja coletivo”. (Enciclopédia Britânica Barsa, Vol. 11 – Edição 1972.)

“Religião é o sentimento de reverência e invocação, nascido da crença na possibilidade de existir no Universo uma Potência ou potências invisíveis, aptas para conhecerem espiritual e fisicamente.” (Epes SARGENT, Bases Científicas do Espiritismo, p. 177.)

“A Religião é o encontro de Deus e do homem.” (Amaral FONTOURA, Introdução à Sociologia, Vol. I, Cap. 13, p. 230.)

(Os itens acima foram extraídos do livro “Espiritismo, moral ou religião?”, de Natalino D’Olivo, C.E.L.F. Cristã, 1ª Edição, de 1998).

“Religião é o sentimento Divino, cujas exteriorizações são sempre o Amor, nas expressões mais sublimes. Enquanto a Ciência e a Filosofia operam o trabalho da experimentação e do raciocínio, a Religião edifica e ilumina os sentimentos.

As primeiras se irmanam na Sabedoria, a segunda personifica o Amor, as duas asas divinas com que a alma humana penetrará, um dia, nos pórticos sagrados da espiritualidade.” (Emmanuel, O Consolador, item 260, médium Francisco C. Xavier, FEB).

OBS: - As duas asas divinas se refere à recomendação do Espírito da Verdade, ao dizer: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5).

“Religião, para todos os homens, deveria compreender-se como sentimento divino que clarifica o caminho das almas e que cada espírito apreenderá na pauta do seu nível evolutivo.

Neste sentido, a Religião é sempre a face augusta e soberana da Verdade; porém, na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os homens se dividiram em numerosas religiões, como se a fé também pudesse ter fronteiras, à semelhança das pátrias materiais, tantas vezes mergulhadas no egoísmo e na ambição de seus filhos.

Dessa falsa interpretação têm nascido no mundo as lutas antifraternais e as dissensões religiosas de todos os tempos.” (Emmanuel - O Consolador, item 292 – Francisco C. Xavier, FEB).

Objetivo da Religião:

“O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu principio. Tal o resultado que dão as em que a forma sobreleva ao fundo. Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem.

Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração.” - (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, Cap. VIII, item 10, 3º parágrafo).

“Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a que pertençam, são fundadas na comunhão de pensamentos; é aí, com efeito, que esta deve e pode exercer toda a sua força, porque o objetivo deve ser o desprendimento do pensamento das garras da matéria.(Allan KARDEC, Revista Espírita, Ano 1868, Vol. 12, p. 354, Edicel.)

“Dissemos que o verdadeiro objetivo das assembléias religiosas deve ser a comunhão de pensamentos; e que, com efeito, a palavra religião quer dizer laço. Uma religião, em sua acepção nata e verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunidade de sentimentos, de princípios e de crenças.” (Allan KARDEC, Revista Espírita, Ano 1868, Vol. 12, p. 356, Edicel.)

Qual é, pois, o laço que deve existir entre os Espíritas? Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória. Qual o sentimento no qual se devem confundir todos os pensamentos? É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para todos, ou por outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos, desde que sabemos que os mortos sempre fazem parte da humanidade.” (Revista Espírita – Allan Kardec – ano 1868 – pág. 357).

“(...) Por bem largo tempo, os homens se têm estraçalhado e anatematizado mutuamente em nome de um Deus de paz e misericórdia, ofendendo-O com semelhante sacrilégio. O Espiritismo é o laço que um dia os unirá, porque lhes mostrará onde está a verdade, onde o erro”. (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, trecho da mensagem de Santo Agostinho, item IX da Conclusão).

Sentimento Religioso:

“Anima-nos, certamente, um sentimento religioso, nas evocações e em nossas reuniões. Não existe, porém, uma fórmula sacramental. Para os Espíritos o pensamento é tudo; a forma não vale nada. Nós os invocamos em nome de Deus, porque cremos em Deus e sabemos que nada se cumpre neste mundo sem a Sua permissão e porque se Deus não lhes permitisse vir, não viriam.” – (O que é o Espiritismo – Allan Kardec – pág. 77 – LAKE – 1998).

A melhor de todas as Religiões:

“Deus é bom e justo; só almeja o bem. A melhor, pois, de todas as religiões, é aquela que só ensina o que está conforme à bondade de Deus e Sua Justiça, a que dele oferece a idéia maior, a mais sublime, e não o rebaixa, atribuindo-lhe mesquinhamente a paixões humanas; a que torna os homens bons e virtuosos e lhes ensina a se amarem uns aos outros, como irmãos; a que condena toda a maldade dirigida ao próximo; a que não autoriza a injustiça sob quaisquer pretextos; a que não prescreve nada contrário as leis imutáveis da natureza, pois Deus não se contradiz; aquela cujos ministros dão o melhor exemplo de bondade, caridade e moralidade; a que mais tende a combater o egoísmo e menos a alimentar o orgulho e a vaidade dos homens; aquela, enfim, em cujo meio menos mal se cometa, pois que uma boa religião não pode ser pretexto de nenhum mal, tão pouco deixar-lhe portas abertas, diretamente ou por interpretação. Veja, julgue e escolha”. (O que é o Espiritismo - Allan Kardec - pág. 78 – LAKE – 1998).

Espiritismo é uma doutrina moral:

“Como doutrina moral, o Espiritismo só impõe uma coisa: a necessidade de praticar o bem e não praticar o mal. É uma ciência experimental, conquanto – volto a repetir – tenha conseqüências morais que, por sua vez, constituem a confirmação e a prova dos grandes princípios da religião. (O que é o Espiritismo – Allan Kardec – pág. 80 – LAKE – 1998).

Princípios da Religião:

(Extraído do Livro Espiritismo, moral ou religião?, de Natalino D’Olivo, C.E.L.F. Cristã, 1ª Edição, de 1998, pág. 103).

Espiritismo não vêm subverter a Religião, mas sancioná-la:

“É evidente, Demais essa doutrina decorre de muitas coisas que têm passado despercebidas e que dentro em pouco se compreenderão neste sentido. Reconhecer-se-á em breve que o Espiritismo ressalta a cada passo do texto mesmo das Escrituras sagradas. Os Espíritos, portanto, não vêm subverter a religião, como alguns o pretendem. Vêm, ao contrário, confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis. Como, porém, são chegados os tempos de não mais empregarem linguagem figurada, eles se exprimem sem alegorias e dão às coisas sentido claro e preciso, que não possa estar sujeito a qualquer interpretação falsa. Eis por que, daqui a algum tempo, muito maior será do que é hoje o número de pessoas sinceramente religiosas e crentes.” SÃO LUÍS. (O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – n.º 1010A – FEB).

O Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião e respeita todas as crenças:

Além dessas diversas categorias de opositores, muitos há de uma infinidade de matizes, entre os quais se podem incluir: os incrédulos por pusilanimidade, que terão coragem, quando virem que os outros não se queimam; os incrédulos por escrúpulos religiosos, aos quais um estudo esclarecido ensinará que o Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião e respeita todas as crenças; que um de seus efeitos é incutir sentimentos religiosos nos que os não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes. (O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Cap. III – Do Método, item 24 – FEB).

O Espiritismo é uma Religião?

“Ora, sim, sem dúvida, senhores. No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza.”(Allan KARDEC, Revista Espírita, Ano 1868, Vol. 12, p. 357, Edicel.).

Por que Allan Kardec declarava que o Espiritismo não era uma Religião?

Porque, então, declaramos que o Espiritismo não é uma Religião? Porque não há uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública.

Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

O Culto Espírita:

O culto espírita é feito no próprio coração. É o culto do sentimento puro, do amor ao semelhante, do trabalho constante em favor do próximo. Somente o pensamento equilibrado no bem nos liga à Deus e somente a prática das boas ações nos fazem seus verdadeiros adoradores. (Romanos, 12:1-2)

Assim, o Espiritismo procura reviver os ensinamentos de Jesus, na sua simplicidade e sinceridade, sem luxo, sem convencionalismos sociais, sem pompas, sem grandezas, pois, como nos recomendou o Mestre de Nazaré, Deus deve ser adorado "em espírito e verdade". (João 4:24)

Recolhimento religioso:

Outro meio, que também pode contribuir fortemente para desenvolver a faculdade, consiste em reunir-se certo número de pessoas, todas animadas do mesmo desejo e comungando na mesma intenção. Feito isso, todas simultaneamente, guardando absoluto silêncio e num recolhimento religioso, tentem escrever, apelando cada um para o seu anjo de guarda, ou para qualquer Espírito simpático. Ou, então, uma delas poderá dirigir, sem designação especial e por todos os presentes, um apelo aos bons Espíritos em geral, dizendo por exemplo: Em nome de Deus Todo-Poderoso, pedimos aos bons Espíritos que se dignem de comunicar-se por intermédio das pessoas aqui presentes. (O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Cap. XVII – Da formação dos médiuns – item 207 – FEB).

A Religião perfeita:

Em filosofia, em psicologia, em moral, em religião, só há de verdadeiro o que não se afaste, nem um til, das qualidades essenciais da Divindade. A religião perfeita será aquela, de cujos artigos de fé, nenhum esteja em oposição àquelas qualidades. (A Gênese – Allan Kardec – Cap. II, n.º 19, pág. 60 – FEB).

O Espiritismo restaurará a Religião do Cristo:

“O Espiritismo foi chamado a desempenhar um papel imenso na Terra. Reformará a legislação, tantas vezes contrárias às leis divinas; retificará os erros da História; restaurará a religião do Cristo, (...); instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai direto a Deus.(Obras Póstumas – Allan Kardec - Pág. 299 - 1º parágrafo - Futuro do Espiritismo).

A Religião verdadeira:

"Deixará de haver religião (formalista) e uma (religião natural) se fará necessária, mas verdadeira, grande, bela e digna do Criador... Seus primeiros alicerces já foram colocados...", (se referindo ao Espiritismo).(Obras Póstumas – Allan Kardec - pág. 277 - 2º parágrafo).

O sobrenatural e as religiões.

O de que necessitam as religiões não é do sobrenatural, mas do princípio espiritual, que erradamente costumam confundir com o maravilhoso e sem o qual não há religião possível. O Espiritismo considera de um ponto mais elevado a religião cristã; dá-lhe base mais sólida do que a dos milagres: as imutáveis leis de Deus, a que obedecem assim o princípio espiritual, como o princípio material. Essa base desafia o tempo e a Ciência, pois que o tempo e a Ciência virão sancioná-la. (A Gênese – Allan Kardec - Cap. XIII – item 18 – pág. 270 – FEB).

Um só rebanho e um só pastor:

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; é preciso que também a essas eu conduza; elas escutarão a minha voz e haverá um só rebanho e um único pastor. (S. João, cap. X, v. 16.)

Por essas palavras, Jesus claramente anuncia que os homens um dia se unirão por uma crença única; mas, como poderá efetuar-se essa união? Difícil parecerá isso, tendo-se em vista as diferenças que existem entre as religiões, o antagonismo que elas alimentam entre seus adeptos, a obstinação que manifestam em se acreditarem na posse exclusiva da verdade. Todas querem a unidade, mas cada uma se lisonjeia de que essa unidade se fará em seu proveito e nenhuma admite a possibilidade de fazer qualquer concessão, no que respeita às suas crenças.

Entretanto, a unidade se fará em religião, como já tende a fazer-se socialmente, politicamente, comercialmente, pela queda das barreiras que separam os povos, pela assimilação dos costumes, dos usos, da linguagem. Os povos do mundo inteiro já confraternizam, como os das províncias de um mesmo império. Pressente-se essa unidade e todos a desejam. Ela se fará pela força das coisas, porque há de tornar-se uma necessidade, para que se estreitem os laços da fraternidade entre as nações; far-se-á pelo desenvolvimento da razão humana, que se tornará apta a compreender a puerilidade de todas as dissidências; pelo progresso das ciências, a demonstrar cada dia mais os erros materiais sobre que tais dissidências assentam e a destacar pouco a pouco das suas fiadas as pedras estragadas. Demolindo nas religiões o que é obra dos homens e fruto de sua ignorância das leis da Natureza, a Ciência não poderá destruir, mau grado à opinião de alguns, o que é obra de Deus e eterna verdade. Afastando os acessórios, ela prepara as vias para a unidade.

A fim de chegarem a esta, as religiões terão que encontrar-se num terreno neutro, se bem que comum a todas; para isso, todas terão que fazer concessões e sacrifícios mais ou menos importantes, conformemente à multiplicidade dos seus dogmas particulares. (...)

A imobilidade, em vez de ser uma força, torna-se uma causa de fraqueza e de ruína para quem não acompanha o movimento geral; ela quebra a unidade, porque, os que querem avançar, se separam dos que se obstinam em permanecer parados.

No estado atual da opinião e dos conhecimentos, a religião, que terá de congregar um dia todos os homens sob o mesmo estandarte, será a que melhor satisfaça à razão e às legítimas aspirações do coração e do espírito; que não seja em nenhum ponto desmentida pela ciência positiva; que, em vez de se imobilizar, acompanhe a Humanidade em sua marcha progressiva, sem nunca deixar que a ultrapassem; que não for nem exclusivista, nem intolerante; que for a emancipadora da inteligência, com o não admitir senão a fé racional; aquela cujo código de moral seja o mais puro, o mais lógico, o mais de harmonia com as necessidades sociais, o mais apropriado, enfim, a fundar na Terra o reinado do Bem, pela prática da caridade e da fraternidade universais.

O que alimenta o antagonismo entre as religiões é a idéia, generalizada por todas elas, de que cada uma tem o seu deus particular e a pretensão de que este é o único verdadeiro e o mais poderoso, em luta constante com os deuses dos outros cultos e ocupado em lhes combater a influência. Quando elas se houverem convencido de que só existe um Deus no Universo e que, em definitiva, ele é o mesmo que elas adoram sob os nomes de Jeová, Alá ou Deus; quando se puserem de acordo sobre os atributos essenciais da Divindade, compreenderão que, sendo um único o Ser, uma única tem que ser a vontade suprema; estender-se-ão as mãos umas às outras, como os servidores de um mesmo Mestre e os filhos de um mesmo Pai e, assim, grande passo terão dado para a unidade. (A Gênese – Allan Kardec – Cap. XVII – itens 31 e 32 – pág. 382 – FEB).

Deus, o eixo de todas as religiões:

Sendo Deus o eixo de todas as crenças religiosas e o objetivo de todos os cultos, o caráter de todas as religiões é conforme à idéia que elas dão de Deus. (A Gênese – Allan Kardec – Cap. I – item 24 – FEB).

Pelo Espiritismo o homem sabe como chegar à Deus:

Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai, por que está na Terra, por que sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com idêntica aptidão para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio; que todas são da mesma essência e que não há entre elas diferença, senão quanto ao progresso realizado; que todas têm o mesmo destino e alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo trabalho e boa vontade. (A Gênese – Allan Kardec – Cap. I – n.º 30 - pág. 28 – FEB).

Credo da Religião do Espiritismo:

"Crer num Deus todo-poderoso, soberanamente justo e bom; crêr na alma e em sua imortalidade; na pré-existência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento moral e felicidade crescente com a perfeição; na equitável remuneração intelectual; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na do bem e do mal, conforme o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem excessões, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada pela imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterna; aceitar corajosamente as provações, em vista do futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, palavras e obras na mais larga acepção da palavra; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando alguma imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre exame e da razão e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam e não violentar a consciência de ninguém; ver enfim nas descobertas da ciência a revelação das leis da natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que se pode conciliar com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus. É o laço que deve unir todos os Espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal". (Rev. Espírita, dez/1868 - Pág. 359.)

O ensinamento dos Espíritos não é anti-religioso:

“O ponto essencial é que o ensinamento dos Espíritos é eminentemente cristão: ele se apoia na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo, e portanto não é anti-religioso”. (O Livro dos Espíritos – Cap. V – questão n.º 222 – pág. 152 – FEB)

Aliança da Ciência e da Religião, as duas alavancas da inteligência humana:

A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra. A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de idéias provém apenas de uma observação defeituosa e de excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância.

São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo têm de ser completados; em que o véu intencionalmente lançado sobre algumas partes desse ensino tem de ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, tem de levar em conta o elemento espiritual e em que a Religião, deixando de ignorar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, como duas forças que são, apoiando-se uma na outra e marchando combinadas, se prestarão mútuo concurso. Então, não mais desmentida pela Ciência, a Religião adquirirá inabalável poder, porque estará de acordo com a razão, já se lhe não podendo mais opor a irresistível lógica dos fatos.

A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o Universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez comprovadas pela experiência essas relações, nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou de ilógico na fé: vencido foi o materialismo. Mas, nisso, como em tudo, há pessoas que ficam atrás, até serem arrastadas pelo movimento geral, que as esmaga, se tentam resistir-lhe, em vez de o acompanharem. E toda uma revolução que neste momento se opera e trabalha os espíritos. Após uma elaboração que durou mais de dezoito séculos, chega ela à sua plena realização e vai marcar uma nova era na vida da Humanidade. Fáceis são de prever as conseqüências: acarretará para as relações sociais inevitáveis modificações, às quais ninguém terá força para se opor, porque elas estão nos desígnios de Deus e derivam da lei do progresso, que é lei de Deus. (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Cap. I – item 8 – pág. 57 – FEB)

O Espiritismo é a alavanca de que Deus se utiliza para fazer que a Humanidade avance:

O Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico-cristã, que há de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que há de fazer brotar de todos os corações a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os humanos uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que há de transformar a Terra, tornando-a morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. E a lei do progresso, a que a natureza está submetida, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se utiliza para fazer que a Humanidade avance.

São chegados os tempos em que se hão de desenvolver as idéias, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Têm elas de seguir a mesma rota que percorreram as idéias de liberdade, suas precursoras. Não se acredite, porém, que esse desenvolvimento se efetue sem lutas. Não; aquelas idéias precisam, para atingirem a maturidade, de abalos e discussões, a fim de que atraiam a atenção das massas. Uma vez isso conseguido, a beleza e a santidade da moral tocarão os espíritos, que então abraçarão uma ciência que lhes dá a chave da vida futura e descerra as portas da felicidade eterna. Moisés abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá. - Um Espírito israelita. (Mulhouse, 1861.) (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Cap. I – item 9 – pág. 60 – FEB).

O Aspecto Religioso do Espiritismo:

“De mim, digo que o aspecto religioso da Doutrina foi o de que sempre mais necessitei... Eu não sei se teria ficado médium apenas para servir o Espiritismo nas áreas da Ciência e da Filosofia”. (O Evangelho de Chico Xavier, de Carlos A. Bacelli, Editora Vitória Ltda., pág. 24, item 29.)

A Religião é indispensável para a sustentação da nossa felicidade:

“Sentimos, desde o início de nossas atividades mediúnicas, que a religião é indispensável para a sustentação da nossa felicidade, porque ela decorre da tranqüilidade de consciência. Não podemos, por exemplo, adquirir paciência, tolerância, alegria ou tranqüilidade no supermercado. Poderemos comprar muitas novidades em matéria de progresso tecnológico, para nosso conforto, mas, para o nosso íntimo, a religião é a base da paz a que aspiramos alcançar. Creio que, observando, talvez intuitivamente, o declínio das atividades religiosas de outros templos, que amamos e respeitamos como fortalezas de nossas origens, é provável que a maioria dos espíritas se inclinem para o lado religioso, com mais ansiedade de permanência na fé, porque a Ciência, de certo modo, com todo o nosso respeito, tem desprezado a parte espiritual; sem esse patrimônio dos nossos valores íntimos, não conseguiremos vencer do ponto de vista de felicidade, de paz, que todos estamos sempre atentos em proclamar como sendo nossas necessidades primárias.” (O Evangelho de Chico Xavier, de Carlos A. Bacelli, Editora Vitória Ltda., pág. 64, item 108.)

A Religião nos impõe o dever do “amor uns pelos outros”, governando nosso relacionamento com Deus:

“Segundo os nossos Amigos Espirituais, se não tivéssemos um compromisso de ordem espiritual com base em religião, talvez estejamos facilmente enganados pelos nossos próprios sentimentos pessoais. É a religião que nos controla, de vez que, conquanto nosso respeito à ciência e à filosofia, elas não nos impedem a prática do mal; é a religião, com a fé em Deus na frente e com a idéia da imortalidade, na lei de causa e efeito governando as nossas vidas; é a religião que nos impõe a responsabilidade do dever com o amor uns pelos outros, com o respeito mútuo governando nosso relacionamento com Deus.” (O Evangelho de Chico Xavier, de Carlos A. Bacelli, Editora Vitória Ltda., pág. 66, item 112.)

Nas origens de toda religião cristã está o pensamento de Cristo:

“Nunca quis mudar a religião de ninguém, porque, positivamente, não acredito que a religião “A” seja melhor que a religião “B”... Nas origens de toda religião cristã está o pensamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. De modo que, os meus familiares sempre me respeitaram a opção religiosa, mas eu também nunca quis convencê-los de que estava com a Verdade. Aliás, o Espiritismo não tem esta pretensão. Se Allan Kardec tivesse escrito que “fora do Espiritismo não há salvação”, eu iria por outro caminho. Graças à Deus, ele escreveu: “Fora da Caridade”, ou seja, fora do Amor não há salvação...” (O Evangelho de Chico Xavier, de Carlos A. Bacelli, Editora Vitória Ltda., pág. 109, item 200.)

A verdadeira religião:

Mensagem mediúnica

Espírito: João, o Evangelista, João de Arimatéia, Erasto.
Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec
São Luís – MA
Data: 03.07.2001
Internet: vanda@elo.com.br

“Que pensais vós da religião? O mundo, caros filhos, vos ensinou um conceito muito falso sobre essa realidade. Ao longo dos séculos de história desta humanidade muitos ritos, seitas, instituições e crenças foram criadas e tidas como religião e os homens protegeram-se nelas para escapar da ira de um deus criado por eles próprios.

Jesus, o Cristo, esteve entre vós há milênios vos ensinando um código de ética, normas de vida superior só alcançadas pelos que têm a humildade de perceber suas inferioridades. A partir daí, a criatura as assume como código de conduta e passa a viver por ele, vivenciando verdadeiramente o amor ao próximo, conforme ensina o Mestre maior.

Porém, o homem em sua imaturidade e incompreensão para com as coisas do Espírito, fez desse manancial de sabedoria uma nova religião, fechando-se em dogmas, ritos e fantasias tão ao gosto dos pagãos, com seus deuses mais humanos do que divinos. Instituiu um poder e escravizou corpos e consciências por quase dois séculos, até que veio a Terceira Revelação a desnudar o véu de vossas faces. A Doutrina dos Espíritos trouxe o entendimento do que é uma verdadeira religião. Sabe-se que é verdadeira aquela que traz em seus princípios os instrumentos de modificação do ser e tem como conseqüência a vivência desses princípios, alicerçados na verdadeira Caridade.

A religião que conheceis, meus irmãos, só cresce em vosso mundo por conta de vossa inferioridade e falta de compreensão dos valores essenciais do Espírito. Aquele que afirma que a verdade está em todo lugar, ainda não compreendeu o básico, pois como pode o homem encontrar o caminho certo, entrando em labirintos com vários rumos? A verdade é uma só e está no cumprimento da Lei de Deus. A religião verdadeira é aquela que faz com que o homem entre definitivamente na compreensão dessa sabedoria, utilizando os mecanismos da fé e da razão.

Os rótulos para nada servem. Fazem parte da mentalidade de atraso em que viveis. As religiões de aparência são aquelas que priorizam as práticas exteriores, as obras como meio de salvação. São aquelas que em nada modificam o homem, não o leva a refletir sobre seus pecados e, se refletem, não encontra forças para deles se livrarem. A religião verdadeira, caros filhos, é a postura correta do homem de bem.

Os Espíritos Superiores têm apenas uma religião, que é aquela que o liga a Deus mentalmente, através da sintonia com o pensamento divino e isso não se dará em homens com os corações cheios de vaidade, orgulho e amor próprio. Livrai-vos, pois, das religiões de aparências, vós que julgais ser bons o suficiente para adentrar o reino dos céus, unicamente por professar religiões de homens. Meditai sobre essas coisas, vós que sois espíritas, pois Deus colocou em vossas mãos uma grande responsabilidade que é a de levar aos homens a mensagem da reencarnação, da lei de causa e efeito e da verdadeira caridade.

Acautelai-vos, vós que sois sinceros espíritas, pois o vosso meio está contaminado pelas doutrinas humanas, eivadas da vaidade, do orgulho e do personalismo que falseiam a Lei e enganam os incautos e invigilantes. Vigiai e orai, pois, e agradecei a Deus, vós que já entrastes no entendimento da verdadeira religião. Uni-vos a Deus, pois, por vossos santos sentimentos e tereis conseguido aquilo que Jesus disse nas Santas Escrituras: “Eu e o Pai somos um”. – João Evangelista, João de Arimatéia, Erasto..

Na busca do sagrado:

Érico Fumero de Oliviera
Seminarista da Diocese de Jales – SP.

Dizer que o homem é religioso é dizer pouco hoje em dia, mas podemos observar que a busca, a procura e (por que não?) o encontro do sagrado aumentaram. A morte de Deus, prevista por Nietzsche, e o fim da religião não aconteceram - como, aliás, se esperava, e nunca acontecerá.

A morte de Deus não aconteceu e nunca acontecerá, porque é impossível, é absurdo um Deus morto. Deus não é vivo e nunca viveu. Existe e sempre existirá, sem precisar viver ou ser vivo.

Já a religião não teve fim e espero que nunca tenha, pois, é por meio dela que Deus manifesta ao ser humano quem é e qual a sua vontade. Como pessoa religiosa que sou, para mim é marcante e acho interessantes a busca, a procura e o encontro do religioso (sagrado). Cada vez mais, vejo pessoas sentindo fome e sede do Infinito.

Isso se reflete na religião, porque na maioria das vezes é justamente nas religiões que as pessoas buscam, procuram e vão ao encontro de Deus. As religiões existiram e subsistiram por isso.

Religiões nada mais são do que respostas humanas, aquele anseio natural em todo ser humano, de diferentes culturas ou formas de vida, a mesma realidade divina, infinita e transcendente.

A religião pode ser e é muito importante na vida de muitas pessoas. Vamos, então, refletir sobre a coerência da religião, por meio da filosofia, utilizando como simples instrumento a razão pura.

São comuns nos dramas humanos existenciais as limitações, desde simples unhas encravadas até a própria morte. Deus é, para o ser humano, fundamento e sustento de toda a existência. É, então, muito positivo o contato que o homem mantém com Deus pela religião. Ela deve auxiliá-lo no seu drama humano existencial. Porém, não é essa totalmente a verdade da religião.

Primeiramente, a religião deve ser autêntica. Isso supõe que nela ocorra a manifestação de Deus. Deve apresentar aspectos de não-violência, de respeito pela vida, de tolerância, de solidariedade, de igualdade fundamental dos seres humanos. Tendo sempre como base Deus. Uma religião, que não considere Deus e não possua esses aspectos, é incoerente. As religiões não podem existir somente pela vontade humana.

Infelizmente, nem tudo que se diz religião é coerente. Muitas não apresentam os aspectos da manifestação de Deus. Espero não pisar no calo de ninguém, mas no momento atual, vive-se uma explosão de formas religiosas. Vamos criar uma nova religião? Pronto, mais uma aparece. Algumas delas têm se mostrado manipuladoras (interesseiras) e alienantes. Nem todos os interesses religiosos têm a mesma densidade humana e ética.

É maldade brincar, usar e abusar de Deus e do povo, e isso alguns líderes religiosos sabem fazer muito bem. Lobos revestidos de cordeiros, isso sim. Não cito exemplos. O bolso do povo (às vezes) sente muito bem isso, e o bolso de alguns líderes religiosos também.

Falar em religião é falar de uma verdade transcendental: a salvação. Pois bem. Tomemos cuidado com líderes religiosos (são muitos) que prometem a salvação. Tomemos consciência de que religião nenhuma é absoluta. O absoluto corresponde somente a Deus, por isso mesmo a manipulação desse Deus nada mais é do que arrogância e pecado. O fundamental é que a salvação somente Deus pode proporcionar.

A religião é verdadeira e positiva, porém tomemos cuidado, pois em nome de uma maior abertura às religiões, pode-se estar dando oportunidades a fenômenos religiosos nefastos.

Escrevo apenas para analisar um fenômeno que desperta a atenção de um humilde cristão, que pelo Evangelho não admite a manipulação de Deus. Apesar de ser seminarista, o meu ponto de vista não expressa necessariamente o ponto de vista da Igreja Católica.

Fico profundamente triste em saber que existem líderes assim. Porém, mantenho sempre o respeito e a misericórdia de um cristão.

Na busca do sagrado, cuidado, muito cuidado para não se achegar àqueles que profanam o nome de Deus. Digo o nome, porque Deus é muito maior do que tudo isso, e não se deixa tocar por mesquinharias humanas.

(Extraído do Jornal “Diário da Região”, de São José do Rio Preto - SP, edição de 28/12/2001).