Consciência.com

Simone Janner Grohs

Estamos vivendo a Era Consciencial paralelamente à Era da Internet, ambas interligam informações e pessoas através de uma grande rede. A Internet facilita o acesso a informações e encurta as distâncias de comunicabilidade física entre as pessoas. A rede “Consciencial”, por sua vez, não se limita a interligar as pessoas eletronicamente, mas também mostra que estamos conectados através dos nossos pensamentos, sentimentos e energias, e que esta rede possui como contexto o próprio cosmos. Sendo assim, é de grande valia “entrarmos” na era da Internet atentos também à esta realidade consciencial.

No campo da saúde, a Internet vem sendo utilizada por profissionais para atendimentos on line, gerando polêmicas. Em recente artigo da Folha de São Paulo (16.02.00), psicólogos relatam que “as pessoas liberam seus conteúdos psicológicos mais íntimos na Internet, com mais liberdade e descontração”. Outros profissionais discordam, argumentando que a psicoterapia via Internet pode reforçar sintomas como a fobia social.

Em outra reportagem do mesmo jornal (22.03.00), consta o projeto de criação de métodos e equipamentos computacionais que detectam as emoções humanas com um índice de 80% de acerto, e tem como objetivo melhorar a interação homem-máquina. A coordenadora da pesquisa explica sua preocupação em criar este dispositivo: “temo que as pessoas percam suas habilidades de comunicação emocional com o uso de tecnologias que impossibilitam esse tipo de comunicação” (grifo nosso). E complementa: “estamos desenvolvendo aparelhos que dão às pessoas mais formas de comunicar suas emoções para os computadores e também por meio deles.”

É pertinente a preocupação da pesquisadora, visto que a interação homem-máquina permeia todas as relações humanas atuais. Porém, além de aprimorar a relação com a máquina, precisamos aprimorar a relação e a comunicação entre as pessoas, pois negligenciar este aspecto representa um gap na evolução da humanidade. Devemos acrescentar ao progresso tecnológico o investimento no que é mais importante no processo evolutivo: a relação consciência-consciência, e sua forma de comunicação mais sutil.

Investir na comunicação consciencial significa abrir mão de modelos reducionistas, utilizando a rede consciencial de informações, através da qual aprimoramos a comunicação intraconsciencial (conosco), inter (com as demais consciências) e com o cosmos. O primeiro aspecto a ser considerado são os quatro veículos de manifestação da consciência, ou seja, os quatro corpos através dos quais vivenciamos as realidades intra e extrafísicas, e conseqüentemente nos comunicamos. Decodificar a informação de cada um destes corpos amplia o autoconhecimento e possibilita melhor comunicação com as outras consciências.

O corpo físico utiliza estratégias para se comunicar conosco – pode ser uma doença, postura corporal, expressões faciais marcadas. É antiga a idéia de que o “corpo fala”, da comunicação não-verbal, mas esta análise sempre foi restrita aos cinco sentidos humanos. Devemos ampliar, agora, para a percepção da realidade consciencial – o corpo também comunica experiências de vidas passadas e interferências de consciências extrafísicas patológicas.

O corpo energético permite a comunicação mais sutil pela ampliação dos cinco sentidos humanos através do desenvolvimento dos chacras. Podemos identificar informações de descompensação e intrusão energética através deste veículo. A comunicação com as outras pessoas através deste corpo ocorre mesmo quando não fizemos isto verbalmente, mas simplesmente pela transmissão de pensamentos e sentimentos na interfusão energética. Vale dizer que quando pensamos em alguém estabelecemos uma “conexão” na rede Consciencial, na qual trafega muito mais informação do que podemos imaginar. È o caso daquela pessoa que “percebe” que alguém vai ligar ou enviar um e-mail bem antes do fato acontecer.

Como os quatro veículos estão interligados, se não há boa comunicação com o corpo emocional, ele busca expressar-se através de alterações nos corpos energético e físico. A comunicação com as emoções parte do questionamento – o que esta emoção está querendo me dizer? Desta boa comunicação com as próprias emoções depende a expressão madura dos sentimentos, o que repercute em relações também maduras, que alguns autores chamam de inteligência emocional. Mas a comunicação do corpo emocional vai muito além do que saber comunicar os sentimentos com maturidade, apesar deste aspecto ser muito importante. Pela projeção lúcida deste veículo, podemos nos comunicar com as consciências extrafísicas, sejam elas patológicas ou benfeitoras, acessando informações sobre nós mesmos, nossa realidade imediata e do cosmos.

A comunicação através do corpo mental ocorre principalmente pelo fenômeno da telepatia, muito difundido. A projeção lúcida do corpo mental para dimensões extrafísicas ou mesmo pela sua expansão na vigília física ordinária favorece o acesso ao banco de dados e amplia a comunicação intra e interconscienciais. Ainda na comunicabilidade intraconsciencial, ressaltamos a comunicação com nossas personalidades passadas, identificando de que forma elas se manifestam nos nossos corpos e qual a sua linguagem.

Conhecer a forma de comunicação de cada um destes veículos e decodificar as informações multiexistenciais que expressam é a experiência prática da vivência na rede consciencial. Esta vivência inclui a comunicação com o cosmos, que talvez seja o aspecto mais importante, porque a capacidade de “auto-comunicar-se” depende da capacidade de comunicar-se com o cosmos - decodificando a linguagem cósmica, decodificamos a nós mesmos, porque somos participantes desta rede universal, interdependentes das demais partes. O cosmos nos fala através das nossas dores e dos companheiros de evolução, da natureza e seus apelos por socorro, nos fala por sincronicidades, por manifestações sinceras de afeto, por notícias de um amigo distante via Internet ou “via” projeção lúcida, enfim, o universo está se comunicando conosco todo o tempo e através de todos nós, precisamos simplesmente estar dispostos a percebê-lo.

A comunicação com o universo evolui na medida em que diminuem egocentrismos e imaturidades, e aumentam proporcionalmente os níveis de maturidade, lucidez, equilíbrio integral dos corpos, autoconscientização multidimensional e responsabilidade pela informação que captamos e passamos adiante também através das novas tecnologias, que, como parte da rede consciencial, devem estar a serviço da evolução.

Simone Janner Grohs – psicóloga

s.grohs@terra.com.br