Trabalhando os potenciais

Aluney Elferr Albuquerque Silva

A grande maioria dos homens tem latente em si uma gama variada de potenciais, à medida que o tempo vai passando, esses potenciais vão se calcificando pela falta de prática do uso. Ao chegar numa determinada idade, olhamos para trás e lamentamos a falta de ousadia, onde poderíamos, ou não, ter realizado mais coisas.

Essa reflexão funciona mais como autopunição, transformando-nos em seres melancólicos, tristes e infelizes.

Importante lembrar que sempre é tempo para realizarmos muitas coisas, mas, se deixarmos o tempo passar, poderemos realizar algumas coisas, e se o tempo passar muito, pouca coisa há o que fazer. Essa afirmativa pode parecer catastrófica, mas é uma realidade. Basta visitar algumas casas de abrigar idosos e fazermos uma rápida pesquisa, onde constataremos a veracidade dessa informação.

O tempo transcorre para a grande maioria de nós, muito rápido, sobrando pouco espaço para a realização de projetos pessoais. Afinal, temos que manter nosso emprego, garantir os estudos dos filhos, os caprichos nossos e dos que nos cercam, enfim garantir uma série de necessidades racionais e imediatas.

Onde fica o emocional?

Na maioria das vezes nosso emocional fica soterrado sob os escombros das necessidades imediatas, até morrer sufocado, pela falta de oxigênio.

Evidente que nossas necessidades e dos que nos cercam precisam ser atendidas, o que não está correto é dedicarmos 100% de nossa vida para essa finalidade. É necessário encontrarmos tempo para que possamos explorar os nossos potenciais, até porque será de grande valia no processo de atender as necessidades básicas, e principalmente, no surgimento de novas oportunidades.

Quantos de nós já não desejamos fazer algo ou alguma coisa diferente do que faz hoje, mas encontra obstáculos como: falta de tempo, críticas, vergonha, ou achar que não vale a pena!

Nessa crítica exacerbada, acabamos sufocando nossos sonhos, que deveriam ser os primeiros, ou pelo menos concomitantemente, atendidos.

Precisamos nos dar uma chance!

Como fazê-lo?

Não é uma coisa assim tão simples, é necessário ter coragem para assumir determinadas situações que poderão nos constranger perante outros, ou até mesmo romper com determinados paradigmas que estão enraizados há muito tempo em nosso inconsciente. Mas é preciso fazer e ponto.

Cada ser humano tem potenciais próprios, é uma característica sua que ninguém tira, lhe é inerente, independente de padrão social, raça, religião ou qualquer outro fator de diferenciação. Mas, o mundo através das suas necessidades de produção acaba sufocando esses potenciais, transformando o homem em seres autômatos, como se fossemos feitos para produção em série.

Isso não é verdade, somos indivíduos com nossas próprias necessidades, nossos sonhos, desejos e anseios. Jamais deveríamos deixá-los para segundo plano, até porque é possível viver nossos sonhos sem deixar de atender as necessidades básicas da sociedade. É uma questão de planejamento.

Primeiro passo é determinar algo ou alguma coisa que gostaríamos de ter feito, mas não fizemos. Após a conclusão, partir para o projeto da realização, como: material necessário, tempo de execução, prazo para finalização, ferramentas, etc.

Definido tudo isso, mãos a obra.

Importante tentar envolver os familiares nos projetos, se encontrar resistência procure ser convincente, sempre haverá alguém disposto a apostar em você. Se não encontrar ninguém para ajudá-lo, faça você mesmo, mas faça!

Esse momento não deve ser suplantado pelo racional, deixe a emoção tomar conta de você, faça, vá até o final, não recue no primeiro obstáculos, até porque haverão de ser muitos e você precisará vencê-los um a um. Vai chegar um determinado momento que as outras pessoas se verão envolvidas pelo seu entusiasmo e determinação, passarão a ajudá-lo na execução do projeto.

Quando você se der conta, o projeto não é mais só seu, mas sim de muita gente, e isso lhe trará muita felicidade. Afinal, você se superou, matou o dragão do medo e da insegurança que habitava na caverna do seu interior.

Talvez você ainda esteja em dúvida quanto aos seus potenciais, então pare um pouco, faça um exercício de regressão de memória, lembre da sua infância, daquilo que você sonhava ser quando crescer. Mentalize bem forte esse período e veja se seu sonho de infância não poderia ser realizado, e se não foi, quais fatores lhe impediram de realizar. Vá fundo nessa viagem.

Quem sabe não é a hora de realizá-lo?

Busque saber o que é necessário para retomar esse projeto, que tipos de ferramentas, quais as informações necessárias para executá-lo.

Veja como você já está envolvido, só pelo fato de pensar na viabilidade lhe causa um certo formigamento, as mãos coçam e o cérebro se prepara para receber as ordens necessárias.

Não pare vá em frente!