Considerações sobre a sabedoria e o amor

José Francisco Costa Rebouças

Temos sido diariamente alertados pelos imortais da vida maior, de que necessitamos desenvolver as duas asas que nos levarão à sublimação como seres eternos da criação que somos do nosso Pai Celestial,que são: a asa do amor e a asa da sabedoria, para planarmos em esferas mais elevadas do que a que ora nos movimentamos em termos de moralidade.

Ensinam-nos eles que: “A sabedoria sem amor, é campo aberto ao materialismo, ao passo que o amor sem sabedoria, se constitui portas abertas ao fanatismo”.

A sabedoria sem o amor, é como marco no deserto escaldante, que aponta o caminho de saída ao viajante exausto, mas não lhe retira a sede do momento, ao passo que o amor sem a sabedoria poderia se transformar em água cristalina em lugar escuro, que retira a sede do viajante, mas não lhe dá o caminho de saída.

Temos pois, necessidade de amor e sabedoria em perfeito equilíbrio. Daí a necessidade de um Amor que saiba e de uma Sabedoria que ame.

Pois só com o correto equilíbrio entre o amor e a sabedoria, em igualdade de desenvolvimento seriam capazes de nos harmonizar com as Leis universais da criação, e para justificar esse raciocínio, apresentam inúmeras ocorrências que bem nos dão uma pequena amostra de como procedemos normalmente, em decorrência da desigualdade de proporção entre a nossa maneira de saber e de amar.

Temos inteligência mas não possuímos amor, por isso somos perversos; nossa noção de justiça não leva em conta o amor, por causa disso somos implacáveis; nossa interpretação para a diplomacia não se baseia no amor, por conta disso nos tornamos hipócritas; o êxito que alcançamos em qualquer atividade que exerçamos não considera o amor, e por essa razão somos arrogantes; a riqueza da qual desfrutamos não contém nenhuma dose de amor, é então que nos tornamos avarentos; a nossa externa docilidade não contém amor, por isso nos tornamos servis; a pobreza que nos ensina não é recebida com amor, por isso nos torna orgulhosos; a beleza com que a natureza nos brinda não contém o tempero do amor, por isso nos fazemos ridículos; a autoridade que nos foi confiada não é exercida com amor, por isso nos tornamos tiranos; o trabalho desmedido a que nos entregamos não contém a dosagem equilibrada do amor, por isso nos faz escravos da ganância; a simplicidade que ostentamos sem a devida dosagem de amor, nos deprecia; a Lei exercida sem o equilíbrio do amor, nos escraviza; a política exercida sem a presença do amor, nos faz egoístas.

E para que bem compreendamos o valor da sabedoria exercida com amor os espíritos superiores nos esclarecem que a nossa vida “sem a bênção do amor não faz sentido”.

No Capítulo VI do Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito de Verdade nos alerta para que observemos estes dois ensinamentos: “Espíritas amai-vos, este o primeiro ensinamento; Espírita instruí-vos este o segundo”, que não deveremos jamais negligenciar sob pena de não alcançarmos o esperado êxito na nossa passagem por este planeta que nos abriga e nos concede a grande oportunidade de crescimento e desenvolvimento tendo como roteiro para nosso triunfo os ensinamentos contidos no evangelho de Jesus Cristo.

Cabe-nos, portanto, levar em consideração que precisamos imediatamente despertar para a prática das lições que a doutrina espírita nos fornece, e fazer uso de nossa força de vontade para empreendermos o quanto antes a tão necessária modificação de comportamento, abandonando em definitivo o procedimento milenar do homem velho que sempre fomos, e buscarmos agir o quanto antes com os ensinamentos contidos nas mensagens de Jesus, se pretendemos atingir a nossa finalidade maior que é sem dúvida, o progresso do ser espiritual que somos.