A Obra Perfeita

Flávio Boleiz Júnior

"Meus irmãos, tende por motivo de grande alegria serdes submetidos a múltiplas provações, pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à perseverança; mas é preciso que a perseverança produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência." (Tg 1, 2-4)

Vejam, queridos irmãos, que consonância há entre estas palavras do início da Epístola de Tiago com os ensinos de Kardec! As provações - que são na verdade as dificuldades que se nos apresentam como efeito de nossas próprias atitudes pregressas - devem ser encaradas como motivo de alegria! Afinal, são o remédio - quando bem encaradas, sem murmúrios - para nossa doença espiritual! É pelo sofrimento que causamos a outrem que determinamos o sofrimento que deveremos enfrentar ("O Espirito sofre segundo o que fez sofrer" - O Céu e o Inferno, cap. VII, item 7). Se soubermos encarar nossos sofrimentos com fé, com uma "fé bem provada" - como nos ensina Tiago - a perseverança que nascerá daí, tornar-nos-á fortes! Mas, a fé pura e simples, nada significa se não produzir uma obra perfeita; quer dizer, se não produzir uma obra que se identifique com os moldes do que há de mais divino entre nós: o amor! Buscando explicações para isso na própria Bíblia, encontramos Paulo a nos ensinar: "ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade, eu nada seria" (1Cor 13, 2).

E a caridade - que é Amor colocado em prática(!)- é exortada por Tiago ao nos dizer que "se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que lhe aproveitará isso? Acaso a fé poderá salva-lo? (...) A fé, se não tiver obras, está morta em seu isolamento." (Tg 2,14;17) Profundos ensinamentos do Mestre Jesus, muito bem interpretados por Tiago e Paulo, não concordam?

Procuremos aceitar como remédio as dificuldades que tivermos que enfrentar no campo do sofrimento e perseveremos na fé, produzindo as obras (caridade) que poderão manter viva essa nossa fé!  

Paz e harmonia!

 

(Publicado no Boletim GEAE Número 300 de 07 de julho de 1998)