Educadores de Espíritos

Antonio de Aquino (espírito)

Que o amor único de Deus inspire todas as almas para o bem!

Ouvimos falar de educação, forma adequada para conduzir as almas que precisam conhecer, estimular-se para o progresso infinito, e todos aqueles que participam do processo de envolvimento das criaturas no aprendizado são portadores de um mandato divino em que pese as dificuldades normais encontradas no homem de hoje.

O que vem a ser, realmente, o mestre? O que vem a ser alguém que ensina senão aquele que deveria se preparar, primeiramente, ou seja, estudar a si mesmo, para aí depois, sim, exercer o sagrado mister de explicar aos outros o que ele próprio já alcançou?

Vemos, entretanto, na sociedade moderna, sobrecarregada de solicitações, preocupada com a velocidade das coisas, criarem-se verdadeiros núcleos de ensino, atabalhoados muitas vezes, com o objetivo de atender à grande sociedade em suas demandas. Vemos, por outro lado, que o homem continua necessitando de quem o ensine de forma ponderada, equilibrada, superior.

Diz-se que o ritmo frenético da sociedade pede, igualmente, o ritmo frenético por parte dos professores; mas a que isto conduz? Aonde chegará o homem que não aprende efetivamente as lições que lhe são oferecidas?

Pudéssemos dizer que as coisas fossem tão fáceis de se solucionar e bastaria acelerar-se a formação de um professor para socorrer os alunos. Entretanto, não é isso o que ocorre.

Igualmente no estudo do Evangelho de Jesus, tão grato aos trabalhos de uma Casa Espírita, principalmente junto aos jovens ou aos adultos, observamos, muitas vezes, que o dedicado a esta arte não se preocupa corretamente com a meditação, com a análise profunda dos temas, de modo que possa transmitir, realmente, uma idéia básica calcada numa profunda visão do assunto, quando não numa profunda experiência.

Perquirir, meditar, concluir são fases de um único processo, o processo de educar.

Ah, meus irmãos! quando vemos criaturas preocupadas em falar do Evangelho como se nada tivessem sentido, intimamente lhes dizemos:

"Filho meu, antes de falar, pense, analise, sinta, medite."

Diz-se que a Doutrina Espírita, em verdade, não precisa de divulgadores: precisa de homens transformados. Não se pode, no entanto, ignorar o papel preponderante de quem fala; não se pode ignorar o papel de quem escreve; não se pode ignorar o papel de quem aparece nos vários veículos de difusão modernos, para falar de uma doutrina tão importante e tão bela como é a Doutrina Espírita. O nosso apelo-convite é para que todos nós passemos a entender o nosso papel tão importante na divulgação. Tão importante que o fazemos em nome de Jesus, em nome da Doutrina Espírita, e isto deve percutir nos corações que assim a esta tarefa se dedicam. É uma responsabilidade falar em nome de Jesus, tanto quanto o é falar em nome da Doutrina Espírita.

Meus irmãos, longe de desanimá-los, desejo, ao contrário, estimulá-los, dizendo assim:

"Orem, pensem, analisem, meditem, coloquem dentro dos seus corações aquilo de que vocês irão falar. Serão realmente educadores, quando assim o fizerem."

Homens que se dedicam à divulgação doutrinária, trabalhadores que falam aos espíritos encarnados ou desencarnados, todos têm uma responsabilidade enorme nas mãos! Sobre seus espíritos pesa a responsabilidade maior de transmitir a idéia clara, límpida, superior, como é a Doutrina Espírita.

Muitos do que aqui estão, outrora, fizeram da palavra o veículo da transformação das massas. Uns falaram de Deus; outros falaram de política; outros disseram verdades incompletas; outros apenas destruíram. Quase todos vocês são comprometidos com o ensino. Todos estão amparados, porém, por Jesus e pela verdade.

Que essa verdade seja, hoje, a que conduza os homens para sua elevação e não mais para a destruição dos valores que conseguiram amealhar ou para a descrença em Deus.

Preocupem-se com a maneira como falam; preocupem-se em transmitir uma mensagem realmente cristã; preocupem-se com o futuro da humanidade.

Outrora quando falavam, não se importavam com o futuro dos homens: queriam apenas falar, dominar. Hoje, já não se faz mais isso! Hoje, todos trazem consigo a palavra de Jesus e o senso de responsabilidade que a Doutrina Espírita dá.

Por isso, falamos livremente, abertamente, plenos de Jesus; porque trazemos a crença no Mestre Divino, alicerçada na Doutrina Espírita. Porque somos de Jesus, já que agora temos o pensamento clareado pela Doutrina Espírita.

Oh! meus irmãos, certamente sentirão dentro de seus espíritos o reflexo da transformação, talvez, um frêmito, como uma revolução interna, porque serão os velhos castelos, as velhas construções que para nada mais servem sendo destruídos pelas convicções de agora.

Que as antigas construções sejam eliminadas, portanto, dos corações dos que desejam dar os passos decisivos na direção do equilíbrio e da paz! Todos são chamados a servir, a falar, a pensar com Jesus e com a Doutrina Espírita.

Que este momento lhes seja sagrado e que vocês sigam sempre com Deus!

Jesus Cristo nos ampare e nos inspire com o seu amor!

(Mensagem psicofônica recebida no Centro Espírita Léon Denis, em 10/07/1999)

(Publicado no Boletim GEAE Número 375 de 14 de dezembro de 1999)