Em Defesa da Vida – Alguns Argumentos contra a Prática do Aborto II

Rubens Santini

Continuação do Boletim anterior

Visão da Doutrina Espírita sobre o Aborto

Consultemos o Livro dos Espíritos:

P-358: O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção? R: - Há sempre crime, quando se transgride a Lei de Deus. A mãe, ou qualquer outra pessoa, cometerá sempre um crime ao tirar vida à criança antes de seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser instrumento.

P-359: No caso em que a vida da mãe estivesse em perigo pelo nascimento da criança, haveria crime em sacrificar a criança para salvar a mãe? R: - É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe. ”

Emmanuel, em seu livro “Leis de Amor”, diz que “... o aborto provocado, mesmo diante de regulamentos humanos, é um crime perante as Leis de Deus (...). Os pais que cooperam nos delitos do aborto, tanto quanto os ginecologistas que o favorecem, vêm a sofrer os resultados da crueldade que praticam ”.

Aborto delituoso³

Aborto delituoso - ignominioso ato de anular, consciente e brutalmente, uma vida que se inicia prenhe de esperanças e que encontra formal repulsa em todos os princípios espírita-cristãos. (...) Ao renascer, o Espírito é semelhante a um botão de rosa, que tem, no mundo das formas, importante missão a desempenhar. Destruir, pois, o jardineiro, o botão que anseia por desabrochar, constitui prática criminosa, eis que, com ela, privará de belo e perfumado ornamento os quadros da natureza.

Impedindo a alma de “passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando”, a eliminação de uma vida abre a seus responsáveis, diretos ou indiretos, um abismo de sofrimento e dor, no qual permanecerão longo tempo. (...)

É mais covarde a mulher que, friamente provoca o aborto; é mais terrível o homem que, irresponsavelmente, sugere-o ou realiza-o, no exercício da medicina, do que aquele que, em conflito circunstancial, elimina um adversário sob o incontrolável destempero de um impulso de cólera. Nos crimes comuns, o homem via de regra, extermina o adversário que lhe poderia acarretar desvantagem no desforço pessoal; no aborto delituoso, provocado quase sempre para fugir à responsabilidade de um deslize moral, a mãe mata o próprio filho indefeso. (...) O ser que vem renascendo, pedindo proteção e carinho, jaz à mercê de mãos criminosas.

Di-lo Emmanuel, em dramática imagem: “...não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos de reação”. (...)

Se os tribunais do mundo condenam, em sua maioria, a prática do aborto, as Leis Divinas, por seu turno, atuam inflexivelmente sobre os que alucidamente o provocam. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências culpadas, tenebrosos processos de resgate que podem conduzir ao câncer e à loucura, agora ou mais tarde. (...)

O aborto delituoso é a negação do amor.

Filme: “O Grito Silencioso”

Carta publicada no jornal “O Clarim” de Buenos Aires, Argentina, e transcrita pela Revista Informação (Fev/93):

Escreve Graciela Fernandes Raineri:

“Vi o filme médico “O Grito Silencioso”, apresentado pelo doutor E. Nathanson, famoso médico ex-abortista norte-americano. Ele mostra mediante uma ecografia realizada na mãe no momento de abortar, o que sucede com esse Ser que, apenas agora se sabe com certeza científica, já tem todas as características próprias da vida humana: capacidade sensitiva à dor, ao medo e apego à vida.

Ao vê-lo, acreditei ser uma obrigação social divulgá-lo, porque todos (sobretudo as mães) têm o direito de saber o que realmente sucede em um aborto.

Em instantes prévios à operação abortiva, se vê o feto (neste caso verídico, de 12 semanas) com movimentos calmos, colocando o polegar na boca de vez em quando, totalmente tranqüilo neste ambiente de paz, como é o claustro materno.

Ao introduzir, o abortista, no útero o primeiro elemento metálico procurando a bolsa amniótica para o seu rompimento, o novo Ser perde seu estado de tranqüilidade.

Seu coração se acelera enquanto tenta movimentos nervosos de mudança de lugar.

A bolsa é rota e se introduz o instrumento de aspiração. É notório que nenhum dos elementos metálicos tocou ainda no feto e, no entanto, ele pressente algo anormal e terrível próximo a lhe suceder, porque agora muda de lugar em um ritmo enlouquecido para os lados e para cima, em um desesperado intento de escapar.

Seu ritmo cardíaco se eleva mais ainda.

Quando o metal já está quase a tocá-lo, encolhe todo o seu corpinho até o limite superior do útero e sua boca se abre desmesuradamente. Aqui é alcançado pelo aspirador, que desde suas extremidades inferiores o vai succionando e destroçando, até ficar somente a cabeça, que não passa pelo conduto de aspiração. Esta é triturada, então com uma espécie de tenaz que vai retirando os pedaços do que foi um Ser humano aterrorizado, que ainda desde tamanha desigualdade de condições, fez o impossível para não morrer e, no instante final, abrindo sua boca ao máximo, como um último intento de expressão humana, ainda desconhecida e prematura, porém, sem dúvidas, com o instinto de sua natureza de pedir auxilio...

A quem???

Eu, pessoa humana, que ascendi à maravilhosa realidade da vida e posso gritar e expressar minha vontade, empresto hoje minha voz a todos os seres humanos que, ao serem abortados, quiserem gritar solicitando a vida, abrindo sua boca, porém, ainda não tinham voz!

Não é uma atitude pessoal subjetiva. Investiguem vocês.

É científica e humanamente real.

Em nome de todos esses inocentes, eu peço a quem competir, que projete este filme nos últimos anos secundários de todos os colégios de mulheres e homens, nas universidades, etc..., a fim de que se faça conhecer por todos os meios isto que faz a própria essência da pessoa humana, seu inalienável direito à vida”

“...nada ‚ mais belo do que ver o filho sendo amamentado por sua mãe esta lhe oferecendo não só o alimento, mas o mais importante: o amor. (...) É, também, um louvor à mulher que, esquecendo-se de si mesma, luta pela vida do seu filho, dando-lhe o alimento mais completo: o leite materno. Enquanto algumas mulheres matam, outras lutam pelos seus filhos”.4

André Luiz relata um aborto5

Relata-nos André Luiz uma operação de aborto de uma moça de 25 anos de idade:

“Nunca supus que a mente desequilibrada pudesse infligir tamanho mal ao próprio patrimônio.

A desordem do cosmo fisiológico acentuou-se, instante a instante.

Penosamente surpreendido, prossegui no exame da situação, verificando com espanto que o embrião reagia ao ser violentado, como que aderindo, desesperadamente, às paredes placentárias.

A mente do filhinho imaturo começou a despertar à medida que aumentava o esforço da extração. Os raios escuros não partiam agora só do encéfalo materno; eram igualmente emitidos pela organização embrionária, estabelecendo maior desarmonia.

Depois de longo e laborioso trabalho, o entezinho foi retirado afinal ...

Assombrado reparei, todavia, que a ginecologista improvisada subtraia ao vaso feminino somente pequena porção de carne inânime, porque a entidade reencarnante, como se mantivessem atraída ao corpo materno forças vigorosas e indefiníveis, oferecia condições especialíssimas, adesa ao campo celular que a expulsava. Semidesperta num atro pesadelo de sofrimento, refletia extremo desespero; lamentava-se com gritos aflitivos; expedia vibrações mortíferas; balbuciava frases desconexas.

Não estaríamos, ali, perante duas feras terrivelmente algemadas uma à outra? O filhinho que não chegara a nascer transformara-se em perigoso verdugo do psiquismo materno. Premindo com impulsos involuntários o ninho de vasos do útero, precisamente na região onde se efetua a permuta dos sangues materno e fetal, provocou ele o processo de hemorragia, violento e abundante.

Observei mais.

Deslocado indébitamente e mantido ali por forças incoercíveis, o organismo perispirítico da entidade, que não chegara a renascer, alcançou em movimentos espontâneos a zona do coração. Envolvendo os nódulos da aurícola direita, perturbou as vias do estímulo, determinando choques tremendos no sistema nervoso central. Tal situação agravou o fluxo hemorrágico, que assumiu intensidade imprevista, compelindo a enfermeira a pedir socorros imediatos, depois de delir, como pode, os vestígios de sua falta.

- Odeio-o! Odeio-o! - clamava a mente materna em delírio, sentindo a presença do filho na intimidade orgânica. Nunca embalarei um intruso que me lançaria à vergonha!

Ambos, mãe e filho, pareciam agora, por dizer mais exatamente, sintonizados na onda de ódio, porque a mente dele, exibindo estranha forma de apresentação aos meus olhos, respondia, no auge de sua ira:

- Vingar-me-ei! Pagarás ceitil por ceitil! Não te perdoarei!... Não me deixaste retomar a luta terrena, onde a dor, que nos seria comum, me ensinaria a desculpar-te pelo passado delituoso e a esquecer minhas cruciantes mágoas... Renegaste a prova que nos conduziria ao altar da reconciliação. Cerraste-me as portas da oportunidade redentora; entretanto, o maléfico poder, que impera em ti, habita igualmente minh’alma... Trouxeste à tona de minha razão o lado da perversidade que dormia dentro de mim. Negas-me o recurso da purificação, mas estamos agora novamente unidos e arrastar-te-ei para o abismo... Condenaste-me à morte, e, por isso, minha sentença é igual. Não me deste o descanso, impediste meu retorno à paz da consciência, mas não ficarás por mais tempo na Terra... Não me quiseste para o serviço do amor... Portanto, serás novamente minha para a satisfação do ódio. Vingar-me-ei! Seguirás comigo!

Os raios mentais destruidores cruzaram-se, em horrendo quadro, de espírito a espírito ...”

A Colônia dos Rejeitados

Em seu livro “Deixe-me viver”, Luiz Sérgio nos informa sobre um local para onde são levadas as Entidades que foram abortadas: a Colônia dos Rejeitados, “... que apesar de bela, possui uma aura triste. Olhei ao meu redor e senti certa melancolia até nas flores, apesar das fontes de águas cristalinas emitirem suave fragrância de jasmim”.

Ali, o autor espiritual narra que foram encontrados inúmeros Espíritos com o perispírito deformado, devido ao choque emocional, atingindo a esfera mental. Eram criaturas metade homem, metade criança. É isto mesmo! “...homem com fisionomia de bebê e bebê com fisionomia de homem”.

Estavam ali para recuperarem a forma original de seu perispírito e, após curados no nível psíquico, tentar uma nova reencarnação.

A frase mais comentada entre essas Entidades, quando se estavam se preparando para a volta a um corpo físico era:

- “Nem sei se vou conseguir reencarnar, minha mãe não me aceita, já me abortou... E temo passar outra vez por semelhante situação”.

Como vemos, cada abortado guarda na lembrança o cruel momento do aborto. E levam muitos anos para adquirirem o seu verdadeiro equilíbrio.

“... fomos levados até uma ala dos recém-chegados... Olhando aqueles fetos, formas diminutas, meu coração chorou, que triste quadro! Alguns se encontraram protegidos por mínimas incubadoras, até do tamanho de uma caixa de fósforos, recebendo luz. Trancafiados em um perispírito reduzido, víamos Espíritos quase dementados, porque seus pais os rejeitam, mandando-os de volta”.

“Um aborteiro sequer imagina o mal que está fazendo ao próximo e a si mesmo. Bastava lembrar que, se sua mãe o tivesse abortado, não estaria vivendo a oportunidade da encarnação”.

3. “O Pensamento de Emmanuel” – Martins Peralva

4. Entidade Espiritual denominada Francisca Theresa, comentando a escolha da capa do livro “Deixe-me viver”, com um quadro de Renoir, de uma mãe amamentando a sua criança.

5. “No Mundo Maior” de André Luiz através de Chico Xavier

Continua no próximo Boletim

(Publicado no Boletim GEAE Número 469 de 27 de janeiro de 2004)