Espíritas & Genética Aplicada

Cristina Sarraf

Curioso !

Curioso como assustam-se os espíritas em relação as conquistas e avanços da Genética aplicada.

No geral as polêmicas espíritas, aquela desagradável ocupação do: fulano disse... beltrano falou... está errado... não pode ser... `a página tal... mostra-se como um grande desvio de objetivos, não saindo da divisão de opiniões em relação a opinião de alguém.

Nesse terreno escorregadio não pisaremos, considerando que nada tem a ver com a Doutrina e sim com a política elementar humana. De vez em quando os ânimos se aquecem, quando acontecimentos desafiam o entendimento doutrinário padronizado ou melhor, as nossas crenças tão agasalhadas como verdades absolutas. E assim vamos...

Mas voltemos aos temores quanto as experiências com os genes, a engenharia genética e semelhantes.

Sem desconhecer que todo processo de descobertas e conquistas implica necessariamente em equívocos, erros, interpretações parciais das leis que estão sendo confirmadas ou desvendadas e também esbarra nas fraquezas humanas, adotar uma postura semelhante a de Kardec nos faz muito bem. Postura de destemor e abertura mental de análise e confiança, separando os fatos de opiniões e interpretações.

Ora... As transformações ideológicas e conceituais sobre a vida, não se fazem da noite para o dia. Pelo contrário, vão se instalando pouco a pouco, rompendo as resistências naturais e as oponências. Esse processo acompanha sempre o fazer-se da maturação, englobando acertos e erros.

No inconsciente coletivo, ainda mora a idéia, a aspiração ao padrão, ao estável, ao costumeiro. Isso porque mudanças implicam em temporária desestabilização, tanto na fase das buscas, quanto na da implantação da conquista. O que afeta o Homem, traz desconforto, temor e preguiça...

Mas a Lei da Evolução que é um Princípio do Espiritismo, emerge ostensivamente em toda exposição doutrinária, marcando-a e caracterizando-a . E isso equivale a dizer que essa lei está “puxando” e “empurrando” nossa forma de pensar, sem que notemos.

Se de fato pensarmos como espíritas, muito clara fica essa observação. Sendo a evolução, a progressão como disse Kardec, uma lei Universal, temos que vê-la em tudo, desde as transformações físicas individuais e planetárias até no campo ideológico, nos fatos do nosso dia-a-dia e naqueles que englobam coletividades.

Como foi que o Homem assenhoreou-se de todo o planeta, passando por cima da idéia da Terra ser achatada? Como conseguiu os, hoje indispensáveis, objetos da vida moderna? Como pôde ter remédios e técnicas de cura impensáveis nos séculos passados? Como adquiriu potencial e conhecimentos que vão desvendar outros planetas?

Com certeza absoluta é de passo em passo, no acumular de experiências frustradas e acertadas que o progresso se faz, carregando consigo as resistências e apagando, no tempo, os sofrimentos e a pequenez dos pensamentos.

O mundo moderno, de várias formas, vem resgatando alguns valores reais e vai apagando os “acidentes” de percurso. Mesmo que muito não pensem assim...

Há uma informação bem interessante no Espiritismo, diretamente ligada ao entendimento da Lei de Evolução, que é a questão da transformação qualitativa do nosso planeta, o qual caracterizando-se como local para provas e expiações, passa gradativamente, à planeta regenerativo.

Essa mudança vem se fazendo no decorrer de algum tempo, pois não será de um dia para outro. Mas, o curioso é que não se nota um entendimento espírita dessa etapa. Pensa-se nela como feita por Deus, quando somos nós que a estamos fazendo.

Não são as “mãos” divinas que estão fazendo as transformações necessárias para essa mudança de fase. Somos nós, os Espíritos encarnados e desencarnados que estamos fazendo isso, é claro que dentro de um plano superiormente formulado, mas que não implica em perda do livre arbítrio. Pois a rapidez ou a demora de certas ações, a qualidade moral delas e se são completas ou parciais, fica por nossa conta.

No funcionamento da lei de Evolução temos, como humanidade, progredido em todos os campos do conhecimento, gerando as condições para que uma nova fase possa predominar, socialmente. Não será dos espíritas exclusivamente que se faz a transformação moral do planeta, mas sim de todos aqueles que aqui habitam.

Cada conquista científica significa um passo para viver de forma diferente da que vivemos. Cada avanço tecnológico é também outro passo para que vivamos com recursos que antes não tínhamos.

Se os encaminhamentos estão fortes nessa área genética, significa que o momento é de conquistas e maior domínio nesse campo, pois daí nascerão futuras benesses, semelhante ao que ocorreu com todas as ciências que tiveram seus períodos de maior desenvolvimento e depois, entra-se no campo da tecnologia avançada, modificando as condições de vida planetária.

E é com os novos conhecimentos e as novas técnicas da biologia e da engenharia genética que o Homem vai conquistar, de pouco em pouco, a condição de não ter tantas e tão graves doenças. Se mundos superiores não têm doença, não é porque esta situação tenha sido criada e estabelecida por Deus, para caracterizar o mundo e sim porque a doença foi superada por aqueles que aí habitam. É uma conquista evolucional coletiva. As características do mundo e dos seus habitante estão intimamente ligadas e representam as várias fases da evolução pessoal e social.

Doença é sinônimo de estágios inferiores na linha evolutiva. Na fase de regeneração da Terra, com certeza não teremos tanta fragilidade física. Os conhecimentos espirituais fortalecendo-nos, ajudam a fortalecer o corpo que temos. As conquistas genéticas facilitarão para que não tenhamos tantos problemas físicos. E tudo é concomitante. Tudo vem na hora certa e conforme o potencial dos Espíritos.

Hoje temos remédios para males que antes dizimavam populações. Amanhã teremos poucas doenças, pelo desenvolvimento genético que hoje assusta e causa pane mental, por ser algo desconhecido. Se alguém fizesse algo fora das leis universais seria deus...

Tudo se interliga numa seqüência belíssima que é o processo evolutivo dos Espíritos encarnados aqui na Terra. O que não significa que os desencarnados não estejam participando, e ativamente, desse processo com suas idéias e inspirações. Nada se faz isoladamente e tudo se faz pela participação conjunta daqueles que são os agentes dessa conquista.

Para abrirmos ainda mais os raciocínios, é nos períodos de guerra que grandes avanços científicos e tecnológicos ocorrem, independentemente de não gostarmos dessa forma das coisas se fazerem.

Importa para nós entendermos que o Espírito é o ser inteligente e a causa de tudo que possa ser feito, na medida em que usando das leis Universais e das leis decorrentes delas (físicas, biológicas, químicas, matemáticas, de cada planeta),vai provocando as devidas transformações necessárias a sua vida e necessárias aos seus recursos de entendimento, criatividade e domínio da matéria.

Aliás, dominar a matéria é o objetivo do processo evolutivo, na nossa fase espiritual, como é bem esclarecido na Doutrina Espírita.

(Publicado no Boletim GEAE Número 339 de 6 de abril de 1999)