Guerras e escândalos ainda são necessários. Serão, mesmo?

Katia Penteado

Nosso noticiário anda pleno de notícias sobre guerras e escândalos, o que nos leva a reflexões, questionamentos, lançando em nossos espíritos algumas dúvidas, que podem ser esclarecidas à luz dos evangelhos e do Espiritismo, esse despertador e ampliador de nossa consciência.

Nos ensinamentos de Jesus e nas mensagens dos espíritos superiores encontramos explicações sobre esses fatos, comprovando que os evangelhos realmente sobrevivem à passagem do tempo e aos Homens, constituindo-se fonte inesgotável de conhecimento e de conforto para toda a Humanidade.

É interessante notar que os dois assuntos são interligados e até interdependentes, estando diretamente ligados à evolução coletiva e aos atuais padrões vibratórios do planeta e de seus habitantes. Esses temas geram, ainda, situações que visam ao nosso progresso e à nossa libertação enquanto espíritos eternos.

No Livro dos Espíritos, as perguntas 742 a 745 (Livro III, cap. VI - Lei da Destruição, item III) tratam da guerra, suas causas, seu desaparecimento da face da Terra, sua necessidade, seus resultados e as responsabilidade dos que suscitam as guerras.

Antes disso, nas perguntas 541 a 548 (Livro II, cap. IX - Intervenção dos espíritos no mundo corpóreo, item X), vamos encontrar informações sobre sentimentos e reações dos espíritos durante sua participação nas guerras e como eles se sentem quando desencarnam em combate, sendo salientado que nunca se encontram calmos e que no primeiro instante ainda podem odiar seu inimigo e mesmo o perseguir, ouvir o fragor da batalha e, de acordo com seu caráter, quando se acalmam, podem conservar resquícios maiores ou menores desses fatos. Atenção! Estamos falando de nossos irmãos que vão para as guerras e, da mesma forma que nós, fazem parte do grupo de espíritos que habita o Planeta e aqui se encontra em busca de sua evolução e crescimento espiritual, moral e intelectual.

Esse tema tão atual, também nos remete, de modo imediato e direto, às palavras de Jesus sobre o escândalo, encontradas em Mateus 18:7-11. Ele afirma que, em nosso atual estágio evolutivo, "é mister que venham escândalos", chama nossa atenção para os que causam os escândalos, principalmente aqueles que afetam a espiritualização do ser e clama pelo auxílio mútuo, pedindo que amparemos o próximo com simplicidade e humildade, bondade e boa-vontade, sem auto-exaltação.

De acordo com os evangelistas, o Cristo frisa: é melhor ficar sem uma mão e continuar se esforçando no Caminho da Vida Eterna do que estar inteiro (corpo e alma) em sofrimento de expiação e orar pelas suas iniqüidades em tempo subjetivamente longo. E ainda avisa: "Ai daquele por quem vem o escândalo", pois, quem serviu, mesmo sem saber, de instrumento para a justiça divina, utilizando seus maus instintos, também fez o mal.

Sendo assim, temos que escândalo é tudo que choca a moral ou as conveniências e, como é ressaltado no Evangelho Segundo o Espiritismo (cap. VIII - Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, item 12), pode ser interpretado de duas maneiras, uma vulgar e outra evangélica.

No primeiro caso é dito que o escândalo "não está na ação em si mesma, mas no reflexo que ela pode ter" e ressaltado que, por isso não é suficiente evitá-lo, porque o orgulho sofreria e a consideração entre os Homens seria abalada.

Contudo, o sentido evangélico é mais abrangente, mostra o quanto os conceitos elaborados pelos Homens são falhos e esclarece que os escândalos são resultado dos vícios e imperfeições, más ações, com ou sem repercussão, conseqüência efetiva do mal moral, sendo necessários para que os Homens se punam em contado com seus próprios vícios, constituindo-se castigo para uns e provas para outros. Avisa-nos de que Deus faz sair o bem do mal e até as coisas más ou desagradáveis são aproveitadas.

Fundamentados na doutrina que a equipe do Espírito de Verdade nos legou, também ficamos sabendo, ao ler os itens 13 e 14 do capítulo VIII do Evangelho Segundo o Espiritismo, que quando o mal for excluído haverá harmonia e compreensão, mas esse tempo ainda não chegou. Faz-se necessária a preparação, e, para isso e por isso, temos de destruir o mal que há dentro de nós, cuidando de nossa reforma íntima.

Não podemos perder a serenidade nem deixarmos de nos emocionar ou sensibilizarmo-nos com os fatos. Precisamos, aliás, cuidar para não endurecermos o coração e o pensamento. Nossa função como cristãos é de lamentar, compreender, e não de acusar ou julgar.

Como fazermos isso?

A receita também está nos ensinamentos do Cristo, tanto nos evangelhos quanto na ampla literatura espírita, ou seja, trabalhando pela paz, fazendo com que não sejamos instrumentos do escândalo, das guerras, das desavenças, das disputas... Tenhamos a ciência de que quando uma bomba explode em Kosovo, todo o Planeta, todos seus habitantes, encarnados e desencarnados são atingidos, em menor ou maior grau em consonância com sua evolução individual e sua faixa vibratória.

Em nossas preces, vamos vibrar pela paz, o equilíbrio e a harmonia do planeta e seus habitantes, pedindo o auxílio dos mentores para nos mantermos fortalecidos na fé, na união com os planos superiores, vigiando e orando sempre que notarmos que estamos nos deixando envolver pelas vibrações mais densas.

Da mesma forma que o ataque em Kosovo nos afeta, a nossa prece, a nossa vibração, os nossos bons pensamentos afetam a atmosfera do planeta e de seus habitantes, auxiliando a todos, principalmente, quando eles, por sua vez, elevarem seus pensamentos.

Vamos também assumir o compromisso de divulgar isso, de pedir às pessoas que vibrem, orem, esforcem-se pelo bem coletivo, que deixem de lado celeumas, diz-que-disse, discussões por dá cá esse pitaco ou essa palha, como se diz popularmente...

(Publicado no Boletim GEAE Número 338 de 30 de março de 1999)