Homossexualismo

Fábio de Freitas

Estava há algum tempo sentindo uma necessidade enorme de escrever a vocês, para me posicionar em relação aos comentários que tem sido feitos em vários boletins, em relação ao tema homossexualismo. Acho que o empurrão final veio com o comentário do Lincoln Jose Penetra, no boletim 269, que, como eu, ficou espantado ao ver o conteúdo de certos comentários feitos em alguns boletins.

Confesso que, não poderia deixar de comentar, não só o tema, mas também a abertura que o Conselho Editorial da a certos comentários que não estão embasados nos mandamentos fundamentais: "Ama a teu próximo como a ti mesmo e a Deus sobre todas as coisas." e "Fora da caridade não ha salvação." Não ha como não ver certos textos, certas frases já escritas, como de uma falta de caridade incomensurável. Imagino que confusões mentais estes não causaram em um hipotético leitor que já vivia num caos ao se saber homossexual. Este devia ter se sentido feliz ao receber um Boletim do GEAE e ver que, finalmente, suas duvidas seriam criteriosamente sanadas. Curta felicidade.

Graças a Deus e a meus amigos espirituais que não era eu este leitor hipotético. Pois já estive, sim, nesse turbilhão mental da duvida atroz que é se descobrir homossexual. E, pasmem, continuo sendo homossexual e não vejo a mínima necessidade de seguir certos "conselhos" pregados por certas pessoas, inclusive em alguns em livros, com ares de autoridade. Não, meus amigos, as respostas não são essas; muito menos as soluções! Ao se falar ou escrever sobre o que quer que seja, sob a ótica do Espiritismo, se isto não for feito com imenso amor, de nada valerão as palavras pomposas. Quem somos (qualquer um de nós), para dizer que isto é certo ou isto é errado e ponto final. Isto é ser muito simplista. É reduzir a maior criação do Deus-Pai, o Homem, a um autômato. É julgar.

Um dos melhores textos sobre o tema encontra-se no livro Vida e Sexo, do Emmanuel, psicografado pelo Chico Xavier. Infelizmente, meu exemplar deste livro encontra-se emprestado para uma amiga da família, portanto não posso transcrever o capitulo em questão. Adianto que este mesmo texto foi utilizado com um outro (não lembro exatamente qual) do André Luiz, para compor uma das aulas do Curso Preparatório de Espiritismo, que a Federação Espírita do Estado de São Paulo ministra.

Transcreverei as perguntas e, as respostas dadas por Chico Xavier (algumas inspiradas por Emmanuel), constantes no livro Lições de Sabedoria - Chico Xavier nos 22 Anos da Folha Espírita de autoria de Marlene R. S. Nobre, da Editora Fé. Ha ainda três outras perguntas, um pouco mais especificas, que não transcrevi, por achar que estas já seriam suficientes para a meditação de todos.

P: Como o Espiritismo encara o problema da homossexualidade? Qual a melhor atitude da sociedade frente a essa ocorrência? Chico: "Acreditamos que o tempo e a compreensão humana traçarão normas sociais suscetíveis de tranqüilizar quantos se vinculam a semelhante segmento da comunidade, assegurando-se-lhes a bênção do trabalho com o respeito devido a todos os filhos de Deus." "Ate que isso se concretize, não vejo pessoalmente qualquer motivo para criticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais as tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impedira certo numero de pessoas de trabalhar e de serem úteis a vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria." "Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providencia lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?" (Marco/84)

P: É licito a duas pessoas do mesmo sexo viverem sob o mesmo teto, como marido e mulher? Emmanuel (psicografia): "A esta indagação o Codificador da Doutrina Espírita formulou a Questão 695, em "O Livro dos Espíritos", com as seguintes palavras: "O casamento, quer dizer, a união permanente de dois seres, é contrario a lei natural?" Os orientadores dos fundamentos da Doutrina Espírita responderam com a seguinte afirmação: "É um progresso na marcha da humanidade." Os amigos encarnados no plano físico com a tarefa de sustentar e zelar pelo Cristianismo Redivivo, na Doutrina Espírita, estão aptos ao estudo e conclusão do texto em exame." (Julho/84)

Acredito que estas frases conseguiram levar, a quantos as lerem, a meditar, em definitivo, sobre o assunto.

Que a Paz e o Amor do Pai estejam com todos,

Fabio de Freitas, Brasil.

(Retirado do Boletim GEAE Número 276 de 20 de Janeiro de 1998)