Homossexualismo

Jarbas T. Mello, Jose Cid e José Lucas

Prezados amigos,

Lendo a interessante entrevista da matemática, física e pedagoga Heloisa Pires, notei que sua abordagem sobre o tema homossexualidade abre espaço para algumas observações:

a) "o homossexualismo é uma doença que requer amor, tratamento, auto- disciplina e educação. É um desequilíbrio"

Com certeza essa afirmação é para os não homossexuais? E aos homossexuais o que poderia ser dito? O que dizer a um "ser" que na idade do desabrochar da sexualidade, "INSTINTIVAMENTE" seu interesse recai para pessoas do mesmo sexo? Em nenhum momento surgiu um enviado superior perguntado-lhe se "quer gostar" de pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto? Quando esse "ser" se da conta o fato já é fato. Onde é que estaria ai o livre arbítrio e a possibilidade de opção? O que dizer ainda das influencias exógenas que também afetam a definição da sexualidade, pois todos sabemos que os pais e a sociedade tem sua parcela de responsabilidade na estruturação de uma personalidade.?

Continuando, esse "ser" vai crescendo, escutando as informações mais estapafúrdias possíveis, desde a moderna psicologia que prega o "assumir tudo aquilo que te faz feliz" ate os sermões mais severos e críticos de alguns seguimentos religiosos que o comparam a "pomba- gira" e satanás, entremeando ai, algumas abordagens menos radicais que abonam todas relações estruturadas no amor.

Que TRATAMENTO poderia ser administrado a um "ser" para que ele altere seu foco de interesse sexual? O que deveria ser requerido em termos de AUTO-DISCIPLINA e EDUCAÇÃO para que esse "ser" se sinta atraído por pessoas de sexo diferente ao seu, principalmente se já esta numa idade adulta.

Não quero aqui levantar a bandeira de que a pratica de todo o tipo de homossexualidade e perfeitamente normal e sadia. Entendo que cada um de nos tem uma missão nesta encarnação, sendo que inclusive alguns deverão transcender a homossexualidade. Todavia, até hoje, com 45 anos de idade e formação em Psicologia, nunca li ou ouvi nenhum constructo teórico ou pratico que realmente informasse de uma maneira pelo menos um pouco mais objetiva de como um "ser" poderia conseguir alteração no seu foco de interesse sexual. As pessoas conseguem simplesmente sinalizar "a anormalidade", porem não conseguem se fundamentar na apresentação de alguma sugestão para a "cura" e as orientações ficam num plano superficial e inatingível para a população dita "doente", aspecto esse que desmotiva totalmente a grande maioria dos homossexuais a entrarem em contato com qualquer tipo de questionamento quanto a possibilidade de alterações em seus "desejos sexuais".

Jarbas T. Mello, Brasil, Rio de Janeiro


COMENTÁRIO Homossexualismo,

por Jose Cid, Brasil.

Oi Jarbas.

Eu interpretei a resposta de Heloisa Pires de forma diferente.

Eu entendi que a pessoa que não consegue controlar a sua sexualidade esta doente. Seja esta pessoa homo ou heterossexual. Da mesma forma podemos estender este conceito para todo aquele que não consegue controlar seu corpo, seja pelo desejo sexual, seja pelo desejo alimentar (gula), seja pelo desejo de um vicio qualquer.

Na minha opinião nos estamos encarnados não só para colocar em pratica os ensinamentos morais, mas também para aprender a controlar a matéria. Sobretudo a matéria que compõe o nosso corpo. Não sou ingênuo o suficiente para acreditar que é possível controlar todas as reações bioquímicas que acontecem a todo instante no nosso corpo, mas devemos lembrar sempre que o corpo é instrumento do progresso do espírito.

Existe um tabu imenso quando se trata de qualquer assunto relacionado a sexo. Entretanto, se encararmos o sexo como algo natural, não ha motivo algum para achar-se que a pessoa deve "assumir tudo que a faz feliz" ou que esta com o "satanás". Encarando-se o sexo como uma das funções normais do corpo, não vejo diferença alguma com o ato de comer, por exemplo. Se come o alimento A ou B porque um é mais agradável (prazer). Entretanto, se analisarmos friamente, devemos escolher entre A ou B de acordo com suas propriedades nutritivas ou agressivas para o organismo.

Outro aspecto a ser considerado é o das vidas sucessivas. Uma encarnação é muito rápida se compararmos os, digamos, 70 anos de uma vida 'a eternidade. Pensando como um ser eterno, que me custa passar um dia (que, a grosso modo, poderia equivaler a uma encarnação) sem sexo? Ou seja, se nasci "no corpo errado", porque tenho que maltratar este corpo? Não seria mais lógico usar o instrumento disponível em sua plenitude e aproveitar ao máximo o conhecimento adquirido?

Por fim, vale lembrar que não existem espíritos machos e fêmeas. O espírito não tem sexo, não precisa do sexo para expressar seu amor e muito menos para se reproduzir.

Jose Cid.


COMENTÁRIO Homossexualismo,

por Jose Lucas, Portugal.

Caros amigos

Tudo de bom!

No boletim do GEAE n: 256, vem uma questão sobre homossexualidade, levantada por Delcia Prates. Em Dezembro de 1994, Divaldo Franco deu- nos esta resposta durante uma entrevista (que foi publicada na Revista de Espiritismo, em Portugal), e gostaria de a partilhar.

Penso que mais importante do que a tendência que se tenha, é a orientação que se da a pratica sexual. Devemos ter em conta que o sexo foi feito para a vida e não a vida para o sexo.

Ha pois a necessidade de se respeitar e orientar positivamente a sexualidade, tendo em conta o objetivo desta e do sexo na vida humana.

Um assunto polemico e que deve merecer de nos espíritas, muito estudo, leitura e acima de tudo muito respeito por aqueles que nesta existência ainda não conseguem frear seus impulsos nesta área, comprometendo-se por vezes em dolorosos processos de resgate que virão no futuro próximo ou longínquo.

Sempre ao dispor

Jose Lucas

JCL - Quais as causas da homossexualidade? Físicas ou espirituais?é considerada uma patologia?

Divaldo - Os geneticistas tem tentado encontrar genes que explicariam o problema da homossexualidade, como sendo um desvio de comportamento sexual. Outra corrente, na área da psiquiatria, tenta encontrar enzimas cerebrais, que influenciariam no comportamento sexual. Os espíritos, no entanto, dizem-nos que o próprio ser realiza experiências em quatro áreas da sexualidade: - na assexualidade, em que um indivíduo tem anatomia, mas a sua psicologia é tranqüila, vive em muita paz e não sente a presença da libido; - na heterossexualidade, que tem a finalidade precípua de preservar a vida, de multiplicá-la, de perpetuá-la;

Enquanto que na homossexualidade o individuo tem uma anatomia que não corresponde a' sua psicologia, na bissexualidade não encontraremos o individuo dotado dos dois sexos. No caso do hermafroditismo, nos estaremos contemplando uma anomalia biológica. Seja porem, em que faixa se movimente o espírito, estamos diante de um processo de evolução.

O que o espiritismo considera negativo para o espírito é o seu comportamento nesta ou naquela área: uma vida promiscua, a pederastia, a entrega sem nenhum respeito por si mesmo nem pelo próximo, mas não apenas no homossexual mas também no heterossexual. Um individuo promiscuo na heterossexualidade não passa de alguém que esta indo contra a sua própria constituição física e psíquica. O homossexualismo, portanto, não é uma doença, não é uma patologia. Dizem os melhores sexólogos, que é uma preferência sexual . No entanto, sabemos que é uma experiência a que o espírito se impõe, ou que vai imposto, por causa de uma conduta anterior na qual não soube manter o seu equilíbrio. Imaginemos uma mulher que vive exclusivamente para o sexo, sem emoções, que perverte homens, que destrói lares. Numa próxima reencarnação retornara' com a anatomia masculina e, no entanto, com as tendências psicológicas femininas. Veremos um homossexual, um homem que de alguma forma se utilizou do sexo para o prazer, para perverter, para levar a' corrupção, reencarna-se com tendências femininas e uma anatomia masculina. O oposto, portanto, da mulher que se reencarna com uma anatomia feminina e tendências masculinas. Cabe ao espírito reencarnando-se, respeitar o vaso, o corpo físico. Então, pergunta-se se esse ser tem o direito de experimentar o amor, de experimentar o sexo. é um problema de consciência.

O espiritismo estabelece normas de conduta para os outros. Cada um responde pelo comportamento que tem, no entanto, uma lei é incontestável: temos o dever de respeitarmo-nos e de respeitarmos o nosso próximo. Não se trata, portanto, de uma patologia, mas, de uma experiência.

JCL - Quer dizer que não é moralmente reprovável?

DPF - Não! A atitude mental e o comportamento sexual é que irão estabelecer a moralidade ou a imoralidade da experiência pessoal.;

(Retirado do Boletim GEAE Número 259 de 23 de setembro de 1997)