Homossexualismo

João Rossigalli

Caros amigos do GEAE.

Talvez o abaixo possa servir para Delcia Prates.

HOMOSSEXUALISMO

Nesta hora em que a humanidade se volta para os valores materiais como única fonte de bem-estar, na esperança de obter felicidade, e oportuno examinar um dos instrumentos mais capazes de desvirtuar-se: o sexo.

Sexo e ponte que liga os seres no despertar da consciência individual. E instinto que mais fortemente se manifesta, apos o da auto- conservação.

Muitos não alcançaram ainda o entendimento de que o sexo e uma forca essencialmente libertadora.

Se você detém o controle dessa energia interior, pode ver, no sexo oposto e no seu próprio, seres dotados de uma possibilidade maravilhosa de engrandecimentos, mantenedores e guardiães da vida no planeta.

O homem, com suas características de liderança e firmeza, e capaz de transformar-se no apoio e no estimulo as realizações de suas irmãs, almas femininas que esperam amparo e incentivo para a realização do sonho de projetar-se no panorama da vida como intermediarias e manipuladoras das forcas que se combinam para continuidade da espécie.

Desse contato recíproco, em que cada qual deve dar-se para possuir, surge o jogo de forcas morais capaz de transformar, sublimando, as características individuais.

A mente evoluída dirige o sexo. O sexo não pode dirigir a mente.

Não podemos ser escravos do instinto.

Nas sucessivas encarnações em que o espírito mergulha na matéria densa, vai aos poucos sentindo a possibilidade de aliviar-se do peso da escravidão ao instinto.

MUDANÇA DE SEXO NA REENCARNAÇÃO

A alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade e na masculinidade, conforme os característicos passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios.

A sede real do sexo não se acha no veiculo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa. A forma individual em si obedece ao reflexo mental dominante, notadamente no que se reporta ao sexo, manifestando-se a criatura com os distintivos psicossomáticos de homem ou de mulher segundo a vida intima, através da qual se mostra com as qualidades espontâneas acentuadamente ativas ou passivas.

A desencarnação libera todos os Espíritos da feição masculina ou feminina que estejam na reencarnação em condição inversiva, atendendo a provação necessária ou a tarefa especifica; portanto, fora do arcabouço físico, a mente exterioriza no veiculo espiritual com admirável precisão de controle espontâneo sobre as células sutis que o constituem.

A identificação pessoal, conserva a ficha individual da ultima existência, ate novo estagio evolutivo. O sexo, na essência e soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser e é natural que o espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linha evolutivas de mulher e que o espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo na experiência de homem.

MUDANÇA COMO IMPOSIÇÃO REPARADORA

Contudo, em muitas ocasiões, quanto o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe os direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, e conduzido pelos agentes da lei divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto intimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe, diante de Deus; ocorrendo idêntica situação a mulher criminosa que, depois de arrebatar o homem a devassidão e a delinqüência, cria para si terrível alienação mental.

Admitir, contudo, que toda troca se enquadrasse numa medida reparadora, seria exagerar.

No livro dos Espíritos, questão 201, vemos que o espírito que animou o corpo de um homem pode vir a animar o de uma mulher e vice-versa. E bom lembrar que esse conceito e bem antigo. O Taoísmo admitia o renascimento como a troca de sexos. Os Hebreus, admitam que a troca representa uma forma de punição, fruto do antigo conceito, hoje praticamente abandonado, da inferioridade da mulher perante o homem.

Kardec - questão 202

Ao espírito pouca importa reencarnar como homem ou como mulher, propriamente. Vai depender das provas por que deva passar. Como devem progredir em tudo, cada sexo e cada posição social podem oferecer provas e deveres especiais e novas experiências. Aquele que fosse sempre homem só saberia o que sabem os homens. Essa ponderação toda pessoal não chega ser categórica em termos de opção, encara apenas o aspecto das oportunidades.

Leon Denis em "o Problema do Ser, do Destino e da Dor", diz que a escolha de sexo e também a alma que resolve. Pode variá-la de uma encarnação para outra, por um ato de sua vontade criadora, modificando as condições orgânicas do perispírito.

Certos pensadores admitem que a alteração do sexo e necessária para adquirir virtudes mais especiais, no homem a vontade, a firmeza, a coragem; na mulher a ternura, a paciência, a pureza.

Tal mudança, útil, também e perigosa quanto a ocorrência de conflitos íntimos.

Leon Denis - No Invisível

O corpo fluídico que o homem possui é o transmissor de nossas impressões, sensações e lembrança, anterior à vida atual, impassível à destruição pela morte, e o admirável instrumento que a alma constrói para si, e que aperfeiçoa através dos tempos; e o resultado do seu longo passado. Nele se conservam os instintos, acumulando-se as forca, fixa-se as aquisições de nossas múltiplas existências, os frutos de nossa longa e penosa evolução. O perispírito e o organismo fluídico completo; e ele que, durante a vida terrestre, pelo agrupamento das células, ou no espaço, com o auxilio da forca psíquica que absorve dos médiuns, constitui, sobre um plano determinado, as formas duradouras ou efêmeras da vida. E ele, e não o corpo material, que representa o tipo primordial e persistente da forma humana.


Nós, espíritos encarnados, somos compostos de 3 elementos: o espírito, o perispírito e o corpo carnal. Quando desencarnamos, conservamos nossa personalidade, que então será composta do espírito e do perispírito, e seremos tais quais somos quando encarnados: homens, se tivermos sido homens, e mulheres, se tivermos sido mulheres.

O desenvolvimento se processa em 2 linhas evolutivas: a linha masculina, e a linha feminina, para a manutenção da harmonia do universo.

O espírito, a nossa individualidade, a consciência intima de que somos, de que existimos, e a partícula divina emanada do Criador, individualmente, através de milênios imperscrutáveis. E quando essa chispa, desprendida do Criador, Deus, começa a individualizar-se, a conscientizar-se e, mergulhada na matéria, seguira uma das linhas evolutivas, e jamais a abandonara. E assim caracteriza seu sexo: será feminino se conscientizar-se na linha feminina; e masculino se conscientizar-se na linha masculina. Assim o próprio espírito organiza o seu sexo no seu perispírito em formação, porque a chispa divina, o espírito, puramente espírito, não tem sexo.

Na precessão dos milênios, o espírito alcançará a sublimação, será uma estrela fulgurante ao lado do seu Criador, Deus. Seu perispírito terá uma diafaneidade inconcebível para nos, e as duas linhas se confundirão. Todavia, se um espírito sublimando descer a um planeta material como a Terra para desempenho de uma missão, reencarnara segundo sua linha evolutiva.

O espírito não muda de sexo a seu bel-prazer para reencarnar-se.

Não poderá ser numa encarnação um boxeador brutal, e na seguinte uma mocinha delicada, ou vice-versa. A razão repele isso.

E o homossexualismo ?

Existem pessoas, que se utilizam da união sexual apenas para o prazer, para o gozo físico,. São homens e mulheres de muitas ligações, ou seja, viciados e viciadas sexuais, que procuram variar ao máximo seus parceiros, ou parceiras. Tais pessoas, ao passarem para o plano espiritual pelo desencarne, tornam-se presas de falanges obsessoras, que visam implantar o sexo como lema.

Não lhes descreverei o sofrimento atroz em que mergulham por tempo indeterminado, ate que chegue o dia em que se lhes conceda nova encarnação. Reencarnam-se com deficiências físicas, das quais a principal e o homossexualismo. Amargam então uma existência de humilhações e de solidão.

Depoimento de 2 espíritos, um da linha masculina, e outro da feminina; o da linha masculina, temporariamente envergou um corpo feminino, apresentando o homossexualismo entre mulheres.

"Eu fui lésbica. Dentro do meu corpo de mulher, eu me sentia um homem. Desde pequena, meus pendores foram todos masculinos. Menina, e meus companheiros de peraltagem eram os meninos, tanto que minha mãe repetia constantemente: Não sei a quem me saiu a Laurinha; e peralta como um menino, esta sempre no meio deles; coisa feia. E assim era: em qualquer reunião, fosse qual fosse, raramente me encontrava entre minhas amiguinhas. Porem, nos grupos de rapazes, lá estava eu, não como mulher, mas como homem, que intimamente me parecia ser. Veio-me a menstruação; sofri horrores que se repetiam mês apos mês. Era como se mergulhassem meus órgãos genitais num caldeirão de água fervente. Completei 15 anos. Eu era bonita de rosto, conquanto desgraciosa de corpo. E meus pais chamaram-me em particular, e me aconselharam:

- De agora em diante, evite estar tanto entre os moços; você tem coleguinhas,... por que isso?

- Mas, mamãe, não gosto das conversas delas, de vestidos, de modas, de sapatos, de batons, de penteados, de namoradinhos. Eu, por mim, cortaria meus cabelos como homem, e vestiria calcas. Minha resposta, desgostou-os.

Dei de mudar. Apaixonava-me facilmente por mocinhas, meninotas, mulheres casadas. Deliciava-me freqüentar o vestiário de meu clube; contemplando aqueles corpos nus, lavando-se, esfregando-se, enxugando- se, muitas vezes, com os olhos chispando de luxuria, surpreendia-me exclamando :

Ah, seu fosse homem!

Viciei uma prima; alem do prazer que ela me proporcionava, dava-me a sensação de ser verdadeiramente um homem. Descobriram-me, e passei a ser vigiada. Evitam-me. Papai tratava-me com rispidez. Uma fria solidão envolvia-me. Mesmo assim, casei-me.

Não lhes descreverei o horror do sofrimento intimo que senti em minha noite de núpcias, em minha lua de mel; foi pasmoso. Meu esposo tinha nos braços e acariciava um corpo de mulher, dentro do qual se escondia o espírito de um homem. E durante as caricias, enlaçada pelos braços vigorosos de meu marido, que me abraçava e me beijava, quantas vezes tive ímpetos de repeli-lo e gritar: Eu também sou um homem! Jamais ele o percebeu; fui-lhe fiel ate o fim.

Nossa união durou 15 anos, ; não tivemos filhos. Meu marido enviuvou, e contraiu segundas núpcias, desta vez com uma autentica mulher, de corpo e de alma. Desencarnado, compreendi o porque dessa encarnação como mulher; porque eu, um espírito masculino, fora embutido, sem, embutido e o termo certo, num corpo feminino. Por 4 encarnações consecutivas, eu erigira o sexo como o supremo fim de um homem.

A mulher para mim era um objeto, um mero instrumento de prazer, de gozo. Quando uma me saciava, atirava-a para um canto qualquer, e me servia de outra.

Jamais lhe respeitava a dignidade.

Jamais a reconhecera como mãe, esposa, irmã.

E nos intervalos de minhas encarnações, em vez de corrigir-me, freqüentando as escolas correcionais da Espiritualidade, para o que não me faltaram convites, associava-me a hordas maléficas, cujo escopo era implantar o domínio do sexo.

Até que, por ordem superior, encaminharam-me compulsoriamente aos Engenheiros Maternais, que me agrilhoaram a um corpo feminino a fim de que eu aprendesse a valorizar a mulher.

Felizmente tão dolorosa experiência valeu-me. Corrigi-me. Não só aprendi a valorizar a mulher, como a divinizá-la em seu papel de mãe, de esposa, de irmã.

Voltei à minha forma masculina. Trabalho agora no setor de socorro aos náufragos do sexo. Quando soar a hora, tornarei a Terra em corpo de homem normal, e saberei respeitar a mulher no altar sagrado do casamento.

Claro que meu carma não será tranqüilo, e as vicissitudes que por certo virão, em que pese gerar aflições, serão lições valiosas. E ao depararem com homens e mulheres transviados do sexo, compaixão, muita compaixão para com eles.

* x *

Eu fui uma prostituta em 6 encarnações sucessivas.

A primeira foi num navio pirata. Apanharam-me numa razia contra nossa cidadezinha as orlas do Mediterrâneo; com o saque e outros cativos, embarcaram-me em uma caravela.

Eu era jovem e bonita. Um dia o comandante me atraiu para seu camarote. Percebi-lhe as intenções. Eu já tinha meus planos, e antes que ele tomasse a iniciativa, adiantei-me : Saiba que sou uma virgem. Quanto das por minha virgindade?

Dirigiu-se a uma das arcas ao pe do leito, abriu-a; estava cheia de jóias preciosas, produto de pilhagens. Colocou um punhado delas sobre a mesinha a minha frente.

-E pouco, disse-lhe com firmeza.

Mergulhou ambas as mãos na arca, e pô-las sobre as primeiras.

-E o bastante.

Ainda por muitas vezes arranquei-lhe pecas de valor. Logo que o notei farto de mim, entreguei-me aos outros marujos a troco de ouro, que todos possuíam. Desembarquei em porto europeu, rica, e dediquei-me ao meretrício de alto luxo.

Vejo-me agora reencarnada na Franca, na época do 1o. império. Sou dama da Corte. E, para obter honrarias, jóias, luxo, prostitui-me não abertamente, mas entregando-me aos cortesãos que me poderiam ser úteis, que servissem aos meus intentos.

A 3a. encarnação foi em Portugal. Casei-me com um caixeiro modesto em pequena cidade portuguesa. Abandonei-o e transferi-me para Lisboa, onde montei casa de tolerância, desgraçando mocinhas ingênuas, e desencaminhando pais de família.

Em minha 4a, encarnação, ainda em Portugal, não me sujeitando a uma pobreza digna, tão logo me emancipei, comerciei com meu corpo. E por isso minha mãe finou-se de desgosto.

Como cobra venenosa, atraia a mocidade da nobreza, sugando-lhe impiedosamente os haveres e mesmo a honra, em luxuoso prostíbulo no Rio de Janeiro, no tempo do império em minha 5a reencarnação. E no inicio deste século XX, ainda no Rio, aos 14 anos, eu já andava envolvida no meretrício.

De nada me adiantavam os intervalos de minhas reencarnações. Não dava ouvidos a espíritos benévolos que me queriam afastar dessa vida imunda. Endurecida no vicio, filiava-me a grupos de obsessores sexuais, e praticava desatinos vampirescos com encarnados que aceitavam minhas sugestões

Ate que Engenheiros Maternais decidiram aplicar-me a corrigenda cabível. Estudaram minuciosamente meu passado; submeteram-me a rigoroso exame psíquico; e concluíram que só havia um remédio para mim, posto que amargo: reencarnar em corpo masculino, tantas vezes quantas necessárias. A petição seguiu para instancia superior e foi aprovada.

E eu, mulher, espírito essencialmente feminino, reencarnei-me em corpo de homem, no Rio de Janeiro, o 4o. e ultimo filho de um casa da classe media, remediados. Hoje sei dos motivos que teve este casal para receber-me com filho; porem, não vem ao caso mencioná-lo.

Bem cedo começaram meus martírios. Eu adorava brincar com meninas, evitava os meninos. Na escola ouvia os dictérios dos colegas; e ao ir ao quadro-negro dar a lição, a classe caia na risada ante o meu andar feminil. Durante o recreio, escondia-me.

Com a idade, mais se acentuou minha inclinação feminina: parava diante das vitrinas de modas e das de jóias, e extasiava-me admirando os vestidos, os sapatos, as meias, os colares, os brincos, os braceletes, tudo enfim que pertencesse a toalete da mulher. Por vezes, ansiava por dirigir-me a cabeleireira maquilar-me, e a custo me reprimia. Meu pai não me aceitava; meus irmãos detestavam-me e repeliam-me;minha mãe, pobrezinha, era meu único refugio. : consolava-me, acariciava-me, infundia-me animo, abraçava-me.

A solidão embrulhou-me em seu pesado manto.

Certa vez, atraído por um homem, fui com ele ao seu apartamento. O horror, o nojo que isto me causou vocês não podem imaginar. Quis tornar-me seu amante. ; tive dificuldades em livrar-me dele.

Para vocês terem um idéia de meu suplicio de espírito feminino embutido num corpo masculino, faço-lhe uma comparação: Havia outrora um instrumento de tortura, que consistia numa caixa de ferro, mais ou menos no formato de um homem, em cuja porta, do lado de dentro, engastavam-se punhais. O condenado era encaixado nessa caixa, e nela ficava por dias e dias esperando que o carrasco recebesse ordem de fechar a porta, quando era traspassado pelas laminas acerada.

Todavia, raramente o corpo do condenado se amoldava a caixa; e então 4 verdugos o ajustavam a força naquele aparelho no qual, com corpo horrivelmente comprimido, aguardava o fechamento da porta, cessando seu tormento.

O condenado a tortura da mascara era mais feliz do que eu: o sofrimento dele durava poucos dias; o meu durou 68 anos, que se arrastaram como uma eternidade.

Nunca jamais me passou pela cabeça a idéia do suicídio, ou de prostituir-me, nunca, felizmente. Agüentei firme o rojão, como se diz popularmente.

Uma tarde, de volta a casa, um grupinho de estudantes vadios pôs-se a chacotear-me. Para fugir deles, entrei na primeira porta que vi aberta; subi pequena escada, e achei-me num vasto salão;muitas pessoas lá estavam; sentei-me entre elas.

Era a Federação Espírita Brasileira.

Explicaram-me e entendi que o acaso não existe, e o fato de ali entrar e porque por certo encontraria lenitivos. Passei a freqüentar aquela casa, onde conquistei muitos amigos e amigas. Os passes e a água fluídica fizeram-me muito bem, e assim minha solidão foi sua vida. Eu não trabalhava; tive vários empregos, mas na ocasião, meu problema não era tolerado como hoje em dia, (embora seja uma tolerância falsa e aparente), sendo despedido de todos. Quem sempre me socorria e socorreu foi minha mãe, fornecendo-me algum dinheiro.

Meus irmãos casaram-se; meus pais desencarnaram. Envelheci. Vivi penosamente de minguado beneficio que me tocou por herança. Fui morar num telheiro, mal e mal transformado em quarto, no fundo do quintal da casa de um de meus irmãos, com ordem expressa de não me mostrar a visitas fossem quem fossem. Proibiram-me de ter intimidades com meus sobrinhos.

Mais tarde, recolheram-me a um asilo, onde desencarnei. Acordei, não sei depois de quanto tempo, em um quarto hospitalar.

Tão logo mexi-me na cama, acorreu uma enfermeira gentil que me disse:

- Tudo bem, minha irmã, não se impressione.

- Irmã - murmurei arregalando os olhos.

Ela não me respondeu, mas ajeitou-me na coberta, sorrindo.

Hoje estou plenamente integrada em meus predicados femininos. Regenerei-me. Faço parte do Grupo de Socorros das Servas de Maria Madalena, que se dedica ao reerguimento das infelizes que resvalam pelo abismo escuro da prostituição.


Como encarar o homossexualismo ?

Divaldo P. Franco:

A problemática do homossexualismo sempre existiu. Num contexto social em que a demografia mundial seja crescente, e natural que as chamadas minorias de qualquer natureza, apresentem uma atual maior incidência do que no passado.

Quando o espírito mergulha nos fluidos da reencarnação, plasma no corpo as impressões mais fortes da vida anterior, ressurgindo com as aptidões de ordem psicológica ou morfológica, que mais o assinalaram. Um espírito, que na ultima ou nas ultimas encarnações exerceu a feminilidade, ressurge num corpo masculino, em razão de haver ns anteriores encarnações exercido mal a sua sexualidade. O mesmo fenômeno ocorre, quando utilizou mal a masculinidade e retorna em forma feminina com psiquismo masculinizado pela larga vivencia da forma. Agora, aprisionado num corpo com reações diferentes do seu psiquismo, deve santificá-lo. Por outro lado, o espírito, desejando exercer uma neutralidade sexual, pode eleger uma forma que não lhe corresponda a aptidão intima, para que esteja precatado contra as injunções dolorosas de um mundo ora em desgaste moral e emocional.

O importante a considerar, não e em que angulo transita o espírito, mas o seu comportamento moral em qualquer uma dessas colocações.

Não raro, a pessoa que transita em qualquer um dos setores da sexualidade, não convencional, exige liberação da sua necessidade, sob a justificativa de que os heterossexuais possuem os direitos a liberdade de ação, esquecendo-se de que essa liberdade e somente libertinagem.

O exercício de qualquer uma função moral deve ocorrer dentro de padrões éticos de dignidade por parte de quem a vive.

Importante, e o exame de como portar-se, não permitindo que o desejo ardente destrua a vida.

A pretexto de viver e liberar-se, pretende-se uma larga concessão, o que redunda numa inversão de valores.

Liberdade e o direito de agir, de fazer da vida o que se quer, com responsabilidade, sem permissão de a destruir, de fazer o mal.

A homossexualidade e o inicio de uma conjuntura biológica que a ciência devera estudar muito.

Como não e justo ao heterossexual agredir com a sua masculinidade ou feminilidade a ninguém, não será licito ao homossexual ou ao bissexual investir com a sua manifestação sexual contra aqueles que se expressam de outra forma, assim evitando que tombem nas aberrações.

Qualquer pessoa atormentada pelo sexo, não pode esquecer-se da disciplina. Estar diante da água e saber como vai bebê-la;encontrar-se a mesa farta e procurar respeitar o alimento, nutrindo-se com elevação e equilíbrio.

João Rossigalli, Buenos Aires.


COMENTÁRIO

Correção de referencias ao boletim 258, por Mario Croffi

Prezados amigos,

Lendo o comentário escrito por Rossigalli sobre o homossexualismo, pude notar que ele transcreve integralmente o capitulo sobre o mesmo assunto - inclusive as duas comunicações - escrito pelo irmão Eliseu Rigonatti em seu livro "O Evangelho das Recordações" (pagina 148 a 156). Como o irmão Rossigalli não menciona isto em seu comentário (acredito que por distração), gostaria que fosse divulgada esta nota.

Aproveito a oportunidade para parabenizá-los pelo excelente trabalho.

Fraternalmente.

Mario Luiz Croffi, Brasil

(Retirado do Boletim GEAE Número 258 de 16 de setembro de 1997)