Mensagem sobre a Páscoa

Frederico (espírito)

Prezados editores,

Submeto a sua consideração, para eventual publicação no boletim eletrônico, a seguinte mensagem sobre a Páscoa, recebida no dia 20 de abril, em reunião familiar.

"A recordação da Paixão de Mestre Jesus traz sempre a reflexão sobre a necessidade do processo evolutivo e o aprendizado dos espíritos, conscientizados por sua própria vontade de reforma interior. Contemplar o sofrimento de Jesus, para os verdadeiramente cristãos, é conscientizar-se das dificuldades inerentes a reforma interior, porem condição indispensável para o progresso do espírito, sua transformação e crescimento.

"Para o cristão-espírita, a Paixão de Jesus assume, contudo, ainda outro significado mais grave. E a contemplação de um dos fenômenos psíquico-mediúnico de maior beleza na história da Humanidade. O grande sacrifício realiza-se no próprio momento do nascimento, ou ainda da concepção, do Mestre, quando seu espírito excelso e sublime deixa as paragens de luz onde normalmente habita, e faz-se homem para viver entre os homens. O outro momento grandioso, e também de sacrifício, e quando Mestre Jesus, auxiliado pelo Sacerdote João Baptista, abre sua mediunidade para receber as influências evangélicas do Cristo, as margens do Rio Jordão. O Logos Solar, o Governador de todo nosso Sistema Planetário, incorpora no Mestre e vai acompanhá-lo em sua pregação por três anos na Terra, deixando também suas paragens celestiais para vir atender a cada um de seus irmãos menores encarnados e desencarnados sobre o planeta Terra.

"As comemorações da Paixão recordam-nos igualmente o momento sublime do abandono do Cristo do corpo de Mestre Jesus. No Horto das Oliveiras, o Logos Solar encontra cumprida sua missão. Pregara e explicara o Evangelho, única via para o progresso do espírito. Entrega o Mestre, assim, para o cumprimento de sua missão particular de sacrifício e superação de seu próprio eu, para que o Governador da Terra, o Mestre Sublime, pudesse concluir a etapa avançada de seu progresso e de sua própria reforma interior. O terceiro sacrifício seria vivido por Mestre Jesus intensa e significativamente, para sua purificação e aperfeiçoamento.

"O Mestre, depois dos sofrimentos atrozes a que foi submetido, desencarna e seu espírito 'desceu a Mansão dos Mortos, ressuscitou ao terceiro dia". Jesus visita os mais recônditos lugares do Umbral, vai ao encontro de todos aqueles espíritos que jaziam por vezes ha milênios no lodo de suas profundas e arraigadas imperfeições. Com a luminosidade de sua alma, o Sublime Peregrino percorre os corredores das iniqüidades, fala da beleza do Reino de Seu Pai e vence as mais duras barreiras nos corações dos espíritos cristalizados em sentimentos de ódio, rancor, vingança. Sua passagem entre as 'hostes do Mal' é de significado sublime e conteúdo maravilhoso. Em imponente tarefa de auxilio aos mais necessitados, espíritos luminosos como José, João Baptista e o velho Simeão, do Templo de Jerusalém, são seus auxiliares mais próximos, que vão recolhendo os espíritos que se arrependem e convencidos da necessidade de progresso por aquela luz intensa que os esclarece, arrojam-se aos pés da divina corte enviada da Mansão do Logos Solar para acompanhar o Mestre em sua ultima e sublime missão sobre o Planeta Terra.

"Ao final de três dias, não é somente o espírito do Mestre que se mostra ao coração e aos sentidos dos 'homens de pouca fé' que levarão sua doutrina aos quatro cantos do mundo. São milhares e milhares de espíritos que abandonam o Umbral e dirigem-se a evolução. Muitos, muitos, reencarnam nesses dias na Terra, futuros jovens e adultos que, convertidos em espírito ao Cristianismo, darão provas de sua nova fé nos circos romanos, nas perseguições na Grécia, Antioquia e na própria Judéia. Tornam-se eles, que eram os 'endiabrados' que atacaram a vara de porcos, que tentaram o Mestre no deserto, que compunham as tropas sanguinárias de Roma no oriente, os Santos Mártires do Cristianismo, num processo de redenção sublime, com suas bases assentadas no amor pregado por Mestre Jesus, por ele vivenciado até o ultimo instante.

"Outros serão levados a câmaras de retificação, para seu maior burilamento e engrandecimento do espírito. Em breve, retornarão ao planeta Terra, como novos mártires, como sacerdotes e divulgadores da nova fé. E quantos ainda não necessitarão de anos, séculos, para sua total recuperação, seja pelo grau de suas imperfeições, seja por seu ceticismo doentio em aceitar o Evangelho do Pai. E ainda ha os que nos nossos dias estão reencarnando, uma e outra vez, somente agora dando testemunho real de sua evolução.

"A cada comemoração da Paixão, José, João Baptista e o velho Simeão retornam aos corredores de iniqüidades do Umbral. Iluminados pelo amor inesgotável do Mestre, que jorra desde as alturas de sua pureza, percorrem os três irmãos os mesmos caminhos um dia pisados pelo Mestre. Ainda hoje recorrem os irmãos ai estacionados. Ministram-lhes curas imediatas, confortam-lhes com as doces palavras do Mestre e mostram-lhes o caminho da redenção e da luz. E uma e outra vez o fenômeno sublime do arrependimento se repete. E muitas e muitas centenas de milhares de espíritos, no Domingo de Páscoa, ressuscitam de seus males, de suas imperfeições. Muitíssimos então reencarnam para dar testemunho, outra vez, de sua nova personalidade. Outros tantos vão aprender a necessidade da reencarnação e pouco a pouco realizam sua tarefa de crescimento espiritual.

"Ano após ano, José, João Baptista e Simeão repetem sua excursão. E convidam-nos a dela participar. Seja em desdobramento, acompanhando-os na missão que lhes foi confiada pelo Mestre, seja em oração e meditação profunda nos dias da Paixão, seja ainda na tarefa de doutrinadores, nos templos espalhados por todo o globo, para auxiliar a recuperação de espíritos, nossos irmãos mais endurecidos.

"Reflitamos com sinceridade. Preparemo-nos, no próximo ano, com verdadeira disposição, para que possamos realmente colaborar na tarefa sublime de ajuda ao próximo, instituída pelo Sublime Galileu, Pescador de Almas."

Mensagem ditada por FREDERICO, recebida por Fernando Igreja em reunião familiar realizada a 20 de abril de 1998.

(Publicado no Boletim GEAE Número 292 de 12 de maio de 1998)