Natal de Jesus

Vera Meira Bestene

Estamos no ano de um mil novecentos e noventa e oito do nascimento de Jesus Cristo. No dia 25, deste mês, Jesus veio ao mundo, nascido de Maria, esposa de José. Heródes era seu rei. Ao Seu nascimento fizeram-lhe visita três magos que vieram do Oriente à Jerusalém para homenagear Jesus, Este que veio para desenvolver a Lei de Deus e cumpri-la. A profecia havia-se cumprido. Entretanto Herodes, alarmado pela concepção do nascimento do novo "Rei dos Judeus" ficou sobressaltado e pediu aos magos que lhe dessem o paradeiro de Jesus. Estes, avisados em sonho, não retornaram à Heródes que, quando sentiu-se ludibriado, mandou matar todos os meninos de Belém e de seus arredores. Cumpriu-se o que Jeremias havia profetizado sobre os lamentos e prantos de Raquel pela inconsolável perda de seus filhos. José, avisado, pega a mãe e o menino e parte para o Egito em lá ficando até que Herodes morresse, quando então, novamente avisado, José retorna à Israel posto que os que lhe queriam a morte já tinham morrido. E assim se fez.

Os mandamentos de Deus, dados por Moisés eram apropriados aos povos da época. Eles nada compreendiam da adoração de Deus sem sacrifícios e holocaustos e muito menos compreendiam que se pudesse perdoar um inimigo. Jesus então a seu tempo veio, não para impedir que a Lei de Deus fosse pregada, mas sim, para empregá-la. Foi assim que pregou a mais pura moral: a moral evangélica, cristã, que tem como lema maior a aproximação dos homens para torná-los fraternos assim transformando o mundo. E assim foi o advento de Cristo presenteado ao homem. Hoje, no limiar do ano 2.000, quando o homem não cessa de se lançar ao cosmos para decifrar seus enigmas, Cristo continua forte nos corações dos povos e interpretando as ânsias do ser humano, oferece à ciência uma estrada de novos horizontes, uma avenida de luz para a jornada através da sua palavra contida no Evangelho.

Estes quase dois milênios passados do nascimento de Jesus, apesar das paixões humanas e interesses das mais diversas sortes, não lhe conseguiram empanar o majestoso berço de luz. O vigor e a força de sua majestade tem vencido os séculos e tudo que é referência à Jesus resulta em excelsa pureza e poesia.

Jesus ofereceu em sua tão rápida trajetória, apenas 33 anos de convívio na terra, tesouros de dignificação humana e engrandecimento moral. Sua vida foi um poema de amor e exercendo o amor ele morreu. Insuperável, Jesus prossegue sua caminhada, guerreiro do amor, que sempre foi, elaborou um código sublime para a Humanidade. Jesus... modelo e guia, todos precisamos seguir-lhes as pegadas.

Ao comemorarmos o Natal de Jesus, transformamos o mundo todo em Sua manjedoura. Cada alma lhe dá guarida num ato de amor, e a Divindade reafirma seu amor pelas criaturas, afável sobrevivente aos destroços dos tempos, de todos os tempos, claridade inapagável do marco poderoso de Sua chegada.

(Publicado no Boletim GEAE Número 322 de 8 de dezembro de 1998)