O Perdão

José Cid

Qual seria a melhor forma de reparar um mal? Sofrendo a pena de Talião (olho por olho dente por dente)? Não. Como disse Ghandi, se assim fosse acabaríamos todos cegos e desdentados. Então a reparação do mal seria sofrendo uma agressão, ainda que menor? Também não, porque aí seria necessário que sempre houvesse agressores disponíveis.

Na minha opinião, a melhor forma de reparar um erro é consertando. Fazendo as pazes, convivendo em harmonia. Muito bonito, né? Mas aí aparece uma dificuldade. As pessoas se aproximam por afinidade, seja ela negativa ou positiva. A positiva gera progresso, a negativa gera mais problemas...

Entretanto existe uma forma de tornar uma associação negativa positiva, gerada pela necessidade de reparação. É através do perdão. Quando alguém perdoa sinceramente é porque para ele deixou de existir motivo para um sentimento negativo. Cessado este sentimento, passando a um estado neutro, aí então o caminho está aberto para uma verdadeira aproximação positiva. Aí então, e somente aí, começa a reparação de um erro.

Existe um outro aspecto importante nisso tudo. É que nenhum de nós é santo. Ou seja, já cometemos erros... E não nos arrependemos disso. E não estamos tentando consertar as besteiras que fizemos. Por isso o mal é necessário. Nossos corações são duros e achamos que estamos sempre certos. E quanto mais arraigados nesta certeza, mais esforço (ou mal) será necessário para que despertemos para a real necessidade do perdão.

Interessante como na criação tudo se interliga...

Pensando sobre o tema “perdão” comecei a achar que o motivo é muito parecido. Porque será que o perdão é necessário? Porque precisamos aprender a perdoar? Em princípio, quem deve perdoar é a pessoa ofendida, agredida. Entretanto, como Jesus disse, “ai de por quem venha o mal”. Posso concluir então que aquele que provocou o mal deverá repará-lo.  Eu me lembro com freqüência daquelas palavras de Jesus, quando perguntado porque havia tanto mal. Para quem não se lembra, ele disse que o mal era necessário por causa da dureza de nossos corações, mas ai de quem trouxesse o mal.

Muita Paz,

José Cid

Editor GEAE

(Retirado do Boletim GEAE Número 477 de 29 de junho de 2004)