Sobre as Planárias e a Individualidade do Espírito

Ricardo Bastos e Alexandre F. da Fonseca

Gostaria de uma explicação, à luz do espiritismo, para o que acontece com a planária! Pois como já li, todos nós fomos criados simples e ignorantes e que viemos evoluindo através de várias formas existente, neste orbe ou em outros e que somos seres individuais. Mas como explicar o caso da planária, que pegando um indivíduo dessa espécie e dividindo-o ao meio, em qualquer sentido, ele se torna dois indivíduos totalmente independente. Estou enviando abaixo um texto que explica esse caso biologicamente. Se ele é um unico indivíduo encarnado, como após ser cortado pode se tornar dois? Há uma encarnação de outro indivíduo imediatamente após a secção? Ou o que ocorre? 

"As planárias, representantes da Classe Rhabbditophora do Filo Platyhelminthes, são vermes planos, dulciaqüícolas e de vida livre. São geralmente encontradas nas margens de lagos e córregos.

Há muito tempo os biólogos perceberam que uma planária cujo corpo tivesse sido secionado, tanto transversal como longitudinalmente, regeneraria as partes perdidas, originando vermes completos. Este fenômeno ocorre porque quando uma planária é cortada ou ferida a epiderme adjacente se espalha sobre o ferimento e o sela. Uma massa de células não especializadas (neoblastos), chamada blastema, se forma por baixo da epiderme. Finalmente, as partes perdidas do corpo se diferenciam a partir das células no interior do blastema. De acordo com Ruppert e Barnes (1996) não há certeza quanto à origem do blastema, mas duas hipóteses são aceitas: 1) as suas células indiferenciadas podem surgir de células diferenciadas, tais como as células musculares, por meio de um processo de reversão da célula ao seu estado indiferenciado embrionário totipotente 2) a partir de um conjunto permanente de células indiferenciadas totipotentes, tais como os arqueócitos das esponjas ou as células intersticiais dos cnidários.

É interessante notar que as partes regeneradas já surgem com a forma padrão encontrada no animal íntegro, assemelhando-se a uma "miniatura" da parte original perdida. Com o decorrer do tempo, as regiões em regeneração crescem, atingindo as dimensões originais e proporcionais ao restante do corpo. Formam-se, portanto, dois novos organismos de tamanho e formato similares ao que lhe deu origem. " (Débora Preza, A Regeneração em Planárias, site http://www.ufba.br/~qualibio/074.html, consultado em  maio de 2004)


Prezado amigo Ricardo Bastos,

Muito interessante a questão apresentada por você!  Minha resposta, com certeza, não esgota o assunto.

Segundo o Espiritismo existem dois elementos gerais no Universo criados por Deus: o princípio material (ou fluido universal) e o princípio inteligente. \

Os diversos estados e condensações pelas quais passa o princípio material definem e compõem toda a matéria e toda a energia existente no Universo.

Todos os espíritos são individualizações do princípio inteligente. Mas nem na Codificação, nem nas obras complementares, há o detalhamento de como esse processo de individualização ocorre. Considerando-se a pouca informação que temos a respeito, podemos considerar que o ser só completa sua individualização quando passa a encarnar como ser humano (ou o equivalente em outros mundos). Assim, por exemplo, André Luiz diz que o espírito atinge o desenvolvimento do que chamamos de "pensamento contínuo"  quando ele passa a fazer parte da humanidade.

Como você diz em sua questão, " todos nós fomos criados simples e ignorantes; viemos evoluindo através de várias formas existentes, neste orbe ou em outros e que somos seres individuais", ou seja, o princípio inteligente passa pelas diversas formas vivas sofrendo um processo de individualização que o torna um "espírito".  Já que isso é tudo o que sabemos, não há como formular uma teoria completa da individualização.  O "COMO" e "QUANDO"  de cada etapa são pontos que aguardam novas informações e pesquisas para serem esclarecidos.

Em fontes não-espíritas (não tenho referências precisas) existe uma informação de que aquilo que André Luiz chama de "mônada fundamental" (em Evolução em Dois Mundos) se ligaria a mais de uma forma viva em seu processo de individualização. Porém, analisando a questão de um ponto de vista mais científico, não podemos considerar esta hipótese como válida pois não temos como testá-la ou verificá-la e muito menos os Espíritos superiores, na codificação, mencionaram a respeito. O máximo que eu penso que podemos dizer é que  o princípio inteligente, que está ligado a certos animais, está mais desenvolvido do que aquele que está ligado aos vegetais e seres unicelulares, por exemplo, mas ainda aqui estou fazendo uma extrapolação particular e que necessitaria de uma comprovação (pensando cientificamente).

Portanto, um evento que ocorre no mundo material, como o processo de regeneração/reprodução da planária não implica que deve existir a divisão de "princípio inteligente" ligado a mesma.

Por favor fique a vontade para questionar caso a minha resposta não tenha sido muito clara.

Um abraço fraterno,
Alexandre F. da Fonseca

(Publicado no Boletim GEAE Número 475 de 18 de maio de 2004)